O Itaú Cultural e o Instituto de Pesquisas Datafolha divulgaram na última terça (20), uma pesquisa sobre os hábitos culturais na web durante a pandemia.

Por telefone, foram ouvidos 1.521 indivíduos, de 16 a 65 anos, em todas as regiões do país, entre os dias 5 e 14 de setembro. A pesquisa tem margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

O levantamento indica que 57% dos brasileiros passaram a usar mais a rede, 36% mantiveram o padrão de acesso desde o início da suspensão social e 7% reduziram suas atividades virtuais. Além disso, 71% declararam acessar a web todos os dias, enquanto 29% estão no grupo dos que nunca acessam ou o fazem com pouca frequência.

De acordo com os dados apurados, 7% dos brasileiros não têm acesso algum à internet. A região Norte é a que tem o maior índice de desconectados no país, com 42% entre os que não acessam ou acessam pouco a web e seus conteúdos.

As regiões metropolitanas são, por sua vez, os recortes geográficos mais conectados do país, respectivamente, com 49% de indivíduos que declararam estar sempre ou quase sempre conectados. No interior o índice é de 41%.

O levantamento investigou também os hábitos de consumo cultural na web. Entre os que acessam a internet, 84% dizem ouvir música na rede, 73% declaram assistir filmes e séries e 60% dizem assistir shows no ambiente virtual.

A leitura de livros digitais foi mencionada por 38% do estrato dos que acessam a rede, mesmo índice dos que mencionaram cursos livres como atividade realizada no período.

Jogos eletrônicos foram apontados 34%, seguidos por webinars (32%), atividades infantis (28%), podcasts (26%), espetáculos de teatro (21%) e visitas a museus e exposições (17%). 5% não responderam.

“A pesquisa Itaú Cultural/Datafolha deixa evidente como o mundo cultural acolheu virtualmente as pessoas neste momento tão difícil para todos, como também o quanto os brasileiros estão usufruindo intensamente de conteúdos culturais neste território da web. O fenômeno só não foi mais vigoroso em virtude da desigualdade digital, que precisa ser vencida o mais rápido e amplamente o possível”, avalia Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural.

A intenção de continuar a fazer estas atividades virtuais após a pandemia cai ligeiramente em todos grupos. Mas entre os que assistem shows (60%) a queda é maior. A intenção de manter a prática cai para 53% após a pandemia (7 pontos percentuais de perda de adesão).

Assistir filmes e séries na web também perderá adeptos. 73% dizem adotar a prática neste momento de suspensão social, mas 69% pretendem continuar a realizar este tipo de atividade quando a crise for superada (uma retração de 4 pontos percentuais).

O consumo de atividades culturais na web é maior entre os indivíduos que frequentaram atividades presencias do gênero nos 12 meses anteriores à realização da pesquisa. Entre os que foram ao cinema neste intervalo, 87% declararam assistir filmes e séries na web (14 pontos percentuais a mais que os 73% da amostra geral que disseram praticar a atividade virtualmente).

Entre os que foram a shows, o consumo virtual da atividade alcança 72% (12 pontos percentuais a mais que o total dos 60% que declararam ter visto este tipo de espetáculo na internet durante a pandemia).

No caso de atividades infantis, a distância é ainda maior (42% contra 28%), fenômeno que se repete no caso de museus e exposições, segmento em que o consumo virtual é maior entre aqueles que vivenciaram atividades presenciais nos 12 meses anterior (36%) do que entre a amostra geral (17%).

Os brasileiros que realizaram atividades culturais durante a pandemia avaliam positivamente os impactos da prática para a saúde mental e a convivência social.

Para 58% dos entrevistados, o consumo de programação cultural na web provocou uma melhora no relacionamento com as outras pessoas da casa. O fenômeno foi especialmente impactante para os indivíduos entre 45 e 65 anos (segmento no qual o índice chegou a 66%) e para os indivíduos com menor escolaridade, estrato em que 65% declaram melhora no relacionamento doméstico. Os benefícios para o convívio em casa foram mais percebidos pelos homens (63%) do que pelas mulheres (54%).

De acordo com a pesquisa, 54%, declararam que as atividades culturais na web ajudaram a diminuir a sensação de solidão e 45% apontaram redução do estresse e da ansiedade. Para 44% o consumo de cultura virtual na pandemia contribuiu para melhorar a qualidade de vida de forma geral.

Os brasileiros também viram nas atividades virtuais um salto no acesso a cultura. 67% dos entrevistados apontaram melhora na democratização do acesso a conteúdo do gênero nas redes. Com este impacto positivo, 56% declararam ter ficado mais interessados no consumo de atividades culturais na web.

A pesquisa aferiu também o interesse dos brasileiros em participar de atividades online daqui para a frente. 57% dos internautas disseram ter interesse em acompanhar programas ao vivo com a participação de artistas, pensadores criativos e outros convidados discutindo arte, problemáticas atuais e ideias.

Vídeos pré-gravados com dicas para fazer ou produzir arte interessam a 48% dos entrevistados. Visitar exposições e museus online e acompanhar oficinas de criação para crianças é foco de interesse, em ambos os casos, de 47% das pessoas ouvidas.

Outras atividades culturais que despertam o interesse dos usuários são assistir a vídeos gravados que ensinam a observar arte (41%) e aulas de dança gravadas (39%). Ainda, 37% dos entrevistados manifestaram interesse em participar de projetos artísticos guiados e ao vivo. Conversas gravadas sobre música com especialistas são objeto de busca de 32% deles e 28% pretendem acompanhar aulas de teatro gravadas. Somente 20% dos entrevistados disseram não ter interesse em nenhuma das atividades mencionadas.

O levantamento também investigou quais as outras atividades online foram realizadas pelos internautas durante a pandemia. 81% dos entrevistados disseram ter usado a web para conversas e confraternização com amigos e família. Acessar cultos de diversas religiões foi apontado como atividade realizada por 48% da amostra.

Já 39% usaram a web para acompanhamento das atividades escolares com os filhos. Outros 35% usaram a web na pandemia para realizar doações e atividades voluntárias, entre outras ações do gênero. 34% acompanharam aulas online do curso regular do colégio e/ou faculdade em que estudam. Meditação online foi realizada por 23% dos usuários e 19% realizaram consultas por telemedicina.

 

 


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