O Natura Musical nasceu em 2005 com o objetivo de estimular a cadeia da música em suas mais variadas formas de produção e consumo. Já patrocinou mais de 300 projetos e 1.250 produtos culturais, incluindo o lançamento de álbuns e shows que já entraram para a história recente da música brasileira, como os primeiros discos de Marcelo Jeneci e sucessos mais recentes como os discos A Mulher do Fim do Mundo de Elza Soares, e Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa, de Emicida.

Foto: Shawn NystrandPor meio dos editais, o programa patrocina projetos de diversos formatos e estágios. Além disso, fomenta uma programação nacional de shows e apresenta em suas plataformas digitais lançamentos em streaming ou download gratuito de singles e obras completas, entre outros conteúdos musicais.

Nesta terça-feira (31/5) foram abertos os editais de seleção para novos trabalhos (CDs, DVDs e outros) e projetos de registro e difusão (filmes, livros, pesquisas, digitalização de acervos e outros produtos culturais). Serão oferecidos R$ 4,6 milhões para os editais nacional (R$ 1,8 milhão) e regionais: Bahia e Pará (R$ 1 mi por Estado) e Rio Grande do Sul (R$ 800 mil), com apoio da Leis Rouanet e do Audiovisual, em nível nacional, e do ICMS nos Estados.

Os editais estão abertos a produtores artísticos e culturais, músicos, grupos, companhias e outras instituições que desenvolvam atividades artísticas e culturais que atendam às exigências para inscrição nas leis de incentivo.

Na categoria lançamento de primeiro ou segundo trabalho do edital nacional, os contemplados serão escolhidos por votação popular. Após avaliação dos artistas inscritos, a comissão de seleção indicará os nomes que participarão da campanha online, e os dois nomes com maior votação serão contemplados para a gravação do CD e shows de lançamento do projeto.

Os editais buscam projetos que combinem a diversidade dos ritmos brasileiros com conceitos sonoros universais, que transitem entre o tradicional e o contemporâneo. Além disso, os critérios para a seleção dos projetos são: Relevância cultural, Excelência, Potencial de mobilização, Visibilidade, Viabilidade de execução, Democratização do acesso, Inovação e Relação Custo x Benefício.

Cada projeto poderá propor livremente o escopo e valor do patrocínio dentro da faixa estipulada para cada categoria e edital. No edital nacional, os projetos serão divididos em três categorias de acordo com sua natureza: Lançamento de novos trabalhos (R$50 mil a R$600 mil); Registro e difusão (R$50 mil a R$600 mil); e Voto Popular, primeiro ou segundo trabalho (até R$80 mil).

Já nos editais regionais, há duas categorias: Lançamento de novos trabalhos e Registro e Difusão. O teto para patrocínio nos dois casos é o mesmo, definido pelas leis estaduais: BA – até 250 mil; RS – até 240 mil; PA – até 200 mil.

Os editais estão disponíveis no site www.naturamusical.com.br. As inscrições podem ser feitas até o dia 8 de julho*.

Cultura e Mercado conversou com Fernanda Paiva, gerente de marketing institucional da Natura. Confira:

Cultura e Mercado – Neste ano o programa não traz editais regionais de São Paulo e Minas. Por quê?
Fernanda Paiva – Em Minas Gerais, aguardamos a definição sobre as mudanças na lei de incentivo e novos prazos de habilitação de projetos. Em São Paulo, o potencial de incentivo da empresa foi reduzido devido a mudanças no processo de arrecadação.

CeM – O programa surgiu em 2005. Desde então, quais foram as principais mudanças?
FP – Em termos de volume de editais, desde o início do Natura Musical, em 2005, há um edital nacional, com apoio da Lei Rouanet. As oportunidades regionais surgiram com o lançamento de um edital específico para Minas Gerais, com o uso de recursos destinados à Lei Estadual da Cultura, no mesmo ano. Em 2012, incluímos Bahia e Pará, também por meio de leis estaduais de incentivo à cultura com apoio de recursos do ICMS, e, em 2014, expandimos para SP e RS. Sob outro ponto de vista,o cenário artístico, que mudou drasticamente nesses 11 anos, também percebemos muitas mudanças que tentamos refletir nos nossos editais. Por exemplo, as tiragens de CD eram muito maiores nos nossos primeiros editais, pois a demanda para distribuir a mídia física do CD era maior. Hoje os artistas estão mais preocupados em gerar uma nova obra musical e isso pode ser distribuído por vários canais, por exemplo, o Youtube, o site do artista, portal do Natura Musical ou outras plataformas digitais. Nós vemos uma atenção maior do artista com seus canais de comunicação, como site, redes sociais e assessoria de imprensa. Nós estamos acompanhando essas mudanças. Existem alguns marcos. Em 2009 nós percebemos que existe um perfil de artista que precisava fazer shows, mas circular pelo Brasil é caro, por isso criamos a categoria de grandes turnês nacionais e patrocinamos a turnê do disco “Iê Iê Iê”, do Arnaldo Antunes. E posteriormente Céu, Carlinhos Brown e Vanessa da Mata. Há dois anos começamos a atrelar o lançamento do CD a shows de lançamento, pois sem isso o projeto tinha um tempo reduzido de vida. E fazendo shows de lançamento impulsionamos o projeto e a carreira do artista. No ano passado, criamos uma categoria para novos artistas em início de carreira, para gravação e lançamento de primeiro ou segundo disco, que são escolhidos por meio de voto popular. Os projetos passam pela avaliação da comissão de especialistas e os cinco finalistas fazem uma campanha online em que o público seleciona dois projetos a serem contemplados.

CeM – Em 2014 foi aberta uma nova modalidade de patrocínio, dedicada à difusão da música brasileira por meio de conteúdos e novos formatos para o ambiente digital. Ela ainda existe?
FP – Criamos essa modalidade acompanhando o que vimos em evolução nos formatos de projetos que se inscreveram nos anos anteriores no Natura Musical. Esse formato digital é um mercado que tem crescido muito, é uma nova forma dos artistas divulgarem trabalhos, divulgarem cenas musicais que estão acontecendo. No entanto, entendemos que os conteúdos e formatos digitais podem estar incluídos dentro de qualquer natureza de projeto, então esse ano simplificamos as categorias que são divididas apenas em lançamentos e registro e difusão e deixamos os proponentes mais livres para sugerirem, dentro dessas duas categorias, escopos de projetos mais diversos, que podem incluir conteúdos e formatos digitais.

CeM – Em 2015 o programa lançou a categoria votação popular, que volta a acontecer em 2016. Qual foi a experiência tirada com essa nova modalidade de votação?
FP – Ficamos muito felizes com todo o processo. Tivemos um alto comprometimento dos finalistas, engajamento intenso dos fãs e endosso de artistas consagrados e novos nomes aos artistas e bandas que participaram da votação. A campanha de votação popular online mostrou que há cada vez mais público interessado na música brasileira e capaz de participar das nossas escolhas, a partir da indicação da comissão de especialistas. É um processo que combina o olhar de profissionais especializados em música com a escolha final do público. Os vencedores foram o cantor pernambucano Almério e a banda sergipana Coutto Orchestra, cujos álbuns estão previstos para lançamento no segundo semestre, e desde então vêm comprovando seu potencial de engajamento e encantamento de novas plateias pelo Brasil.

CeM – Quantas pessoas formam a comissão de seleção, como ela é definida e como é o processo de escolha dos finalistas?
FP – A comissão é formada em geral por produtores, pesquisadores, críticos de música, jornalistas e outros profissionais do setor. São pessoas que têm profundo conhecimento sobre o mercado cultural e que têm capacidade de analisar cada projeto. Todos os anos nós mudamos os integrantes da comissão para garantir a diversidade curatorial e transparência do processo. A comissão só é informada quando divulgamos os projetos e embora haja uma preocupação em ter integrantes dos estados representados nos editais regionais e no nacional, as escolhas são feitas pelo grupo, que tem um número variável de integrantes. No final do processo, uma comissão de executivos da Natura e de gestores do Natura Musical analisam os projetos recomendados pela comissão de especialistas e chegam a uma cesta final a partir dos projetos que têm mais afinidade com a marca Natura, com a diversidade de público, diversidade de estilos e a abrangência geográfica.

CeM – Qual a importância do Festival Natura Musical dentro do programa de patrocínio?
FP – O Festival é uma plataforma do Natura Musical que deu muitos resultados. Foi criada para aproximar o público da marca e já se tornou uma grande vitrine para artistas e para a música nacional. No ano passado, teve uma edição histórica no Rio de Janeiro, com o encontro de Gal e Milton em Copacabana, e quatro edições em Belo Horizonte. Neste ano, em vez de realizar o Festival em uma única data, voltamos nossos esforços para a inauguração e operação de espaços no Rio e em São Paulo. Achamos que esses espaços serão capazes de tornar mais perene a experiência com o Natura Musical.

CeM – O programa Natura Musical tem sido responsável por lançar projetos que estão conquistando grande reconhecimento de público e crítica, tanto nacional quanto internacional. Vocês identificam um diferencial nesse programa em comparação com outros de apoio à música no Brasil?
FP – A consistência dos investimentos e o rigor na escolha de artistas e projetos são as grandes bases do Natura Musical. A seleção é feita por uma Comissão de Especialistas independente, que recomenda as melhores propostas para análise e escolha final da empresa, considerando critérios como excelência artística, relevância cultural, visibilidade, mobilização de público, viabilidade de execução, democratização do acesso, inovação e custo benefício. Além de critérios muito claros, a alternância e pluralidade da curadoria também são determinantes para os resultados do Natura Musical. Além do fomento a projetos, o programa também possui ações complementares, como o portal, os festivais e agora os espaços de shows, que contribuem para ampliar a repercussão e reconhecimento dos projetos e do Natura Musical como um todo.

*Atualizado em 27/6


Jornalista, foi diretora de conteúdo e editora do Cultura e Mercado de 2011 a 2016.

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