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2011: o ano em que o Brasil descobriu o coletivo

Em 2011 os brasileiros acompanharam um verdadeiro boom das plataformas de financiamento coletivo. Mas não só isso. O “movimento crowd” vem ganhando cada vez mais força no país. Crowdsourcing, crowdfunding (que acaba de ganhar um canal especial aqui no Cultura e Mercado), crowdlearning – entre outros que provavelmente já existem por aí e a gente nem sabe ainda – viraram febre.

E esse interesse veio não apenas de quem tem um projeto bacana e não sabe como colocar em prática, ou não tem um financiador, mas também por aqueles que entendem muito de internet e viram aí uma oportunidade de aproveitar ainda mais (porém nem sempre melhor) o uso da rede mundial de computadores.

“O maior acerto, sem dúvida, foi o foco iniciado pelo Catarse: projetos culturais. O Brasil é um país muito carente de apoio para projetos culturais, e utilizar o crowdfunding como alternativa de financiamento para eles foi excepcional. O maior equívoco foi o estouro de plataformas, embaladas pelo sucesso do Catarse. Muito fundadores simplesmente colocaram suas plataformas no ar sem nenhum planejamento ou visão de mercado. E muitas simplesmente desapareceram”, afirma Rafael Zetti, fundador da ideias.me, considerada pela revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios como uma das 45 startups que estão mudando a cara da internet brasileira.

Zatti foi o primeiro estrangeiro a entrar no grupo Crowdsortium, que regula o crowdsourcing nos EUA. Para ele, há uma supervalorização do crowd no Brasil e muita coisa vem nascendo apenas na empolgação. “Apesar de muita gente considerar isso bom para o movimento, eu penso o contrário: estamos recém consolidando o modelo crowd no Brasil e ainda não há uma consciência coletiva desenvolvida, a ponto de não nos preocuparmos com o que é lançado”, alerta.

Segundo ele, várias plataformas não conseguiram financiar projetos não pelo projeto ser ruim, mas por falta de conhecimento. “A maioria culpa o movimento (crowdfunding) que não soube entender seu projeto, colocando em descrédito algo que deveria servir como instrumento financeiro para ele.”

Outro alerta é que algumas plataformas não se preocupam com o pós-projeto, quando os donos do projeto devem executá-lo e entregar as recompensas. “O que acontece é que muitas recompensas acabam atrasando demais ou não sendo entregues. Pessoas que não receberam suas recompensas acabam não apoiando outros projetos. Todo mundo perde”, diz Zatti.

Em seu blog, o Crowd o quê?, Zatti listou as plataformas que nasceram (e as que morreram) em 2011. Clique aqui para ver.

Também há uma lista de projetos bem-sucedidos, como é o caso da Banda Mais Bonita da Cidade – que teve seu primeiro CD financiado pelos fãs – e o de Belo Monte – documentário que arrecadou mais de R$ 140 mil, de 3.429 colaboradores.

“Há muito potencial no movimento crowd não apenas para 2012, como também para os anos seguintes. Costumo dizer que recém estamos arranhando a multidão. Há várias ideias de plataformas que conheço que ainda não foram viabilizadas aqui e ainda temos uma enormidade de usuários de internet que ainda não conhecem o crowdsourcing ou crowdfunding. Talvez este seja, inclusive, o maior desafio para 2012: tornar o movimento crowd tão popular quanto é o e-commerce hoje. Tem muita gente boa trabalhando pra isso e, acredito eu, que seja apenas questão de tempo”, afirma Zatti.

Artigo – Para evitar erros por empolgação com o termo, é bom analisar se o seu projeto ou a sua ideia realmente precisam estar em uma plataforma crowd para serem viabilizados. Leia aqui artigo de Rafael Zatti sobre essa questão.

Mônica Herculano

Jornalista, foi diretora de conteúdo e editora do Cultura e Mercado de 2011 a 2016.

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Mônica Herculano

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