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A dimensão transformadora da Cultura para o Brasil

Nesse momento em que tiramos a odiosidade da pauta, com a democracia retomando os trilhos, dos quais nunca deveria ter saído, nos enchemos da esperança freiriana para uma nova gestão, eivada de “uma amorosidade partilhada que proporciona dignidade coletiva e utópica em que a vida é referência para viver com justiça neste mundo. O compromisso com o outro, que se faz engravidado da solidariedade e da humildade”. Portanto ao mudar a chave da relação com o Brasil, retomando a reconstrução da cidadania, precisaremos enfrentar os desafios com muito cuidado, dedicação, respeito e atenção.

Nesses tempos pipocaram aos quatro cantos a cultura do ódio, expressa em manifestações que ressuscitaram de tempos nefastos, conquistaram corações e mentes de parte da sociedade (quase metade dos votos) que se deixou ser conduzida, hipnotizados ela cultura fake, assimilando e compartilhando absurdos e ainda com acesso facilitado a armas e a caminho da barbárie. Mudar esse comportamento será o maior desafio para Lula, para colaborar com essa solução precisamos compreender a potência da cultura transformadora, uma dimensão que põe em prática as outras três: simbólica, cidadã e econômica, com o propósito de criar uma sociedade mais justa e amorosa.

Para além das pautas de reconstrução das políticas sociais, ambientais e culturais, precisamos aproveitar essa oportunidade e compreender de uma vez por todas que não podemos relegar a cultura, como coadjuvante das políticas, “a cereja do bolo” que Gil cunhou há vinte anos. Precisaremos regenerar a destruição causada por políticas pró-desmatamentos, pró-mineiração e pró-garimpo, para adiarmos o fim do mundo, como propõe Ailton Krenak, precisaremos mudar nossa relação com o planeta, parar de olhar para o umbigo, perceber o quão somos responsáveis por toda e qualquer atitude que realizamos no planeta, que precisamos enxergar tudo e todos que nos cercam, desde as plantas, pedras, animais, água e seres humanos.

Mudar os hábitos, é criar cultura, por isso precisamos colocar em prática a cultura transformadora, que deverá estar presente em toda e qualquer política, da saúde, meio ambiente, educação, comunicação, direitos humanos, trabalho e qualquer ação da gestão. A cultura na centralidade das politicas, com o potencial criativo presente na tradição e na inovação, para solucionar qualquer problema, como na educação para a esperança, que permite a criação do acervo simbólico para o exercício do senso crítico, que não permitirá mais ser conduzido por fake news ou doutrinações. Compreender que as escolhas pessoais de como ser, se expressar e relacionar é um livre arbítrio, que a cidadania cultural é um direito.

Nossos próximos quatro anos serão de imensos desafios para reconstruir o MinC e a sociedade que desejamos, para isso necessitamos de novas políticas, sim não podemos trazer mais do mesmo, e para conduzir esse processo precisamos ter gente com experiência, com conhecimento do legado das políticas exitosas, construídas com a amorosidade do diálogo, ter vivência na lida burocrática, e sua máquina. Não podemos errar, não podemos começar do zero, reinventar a roda ou ter uma experiência inovadora que não se sustenta. E por fim que o nosso dirigente maior, como já dito em suas andanças pelo país, priorize a cultura transformadora para o Brasil.

Américo Córdula

Mestre em Humanidades, Direitos e outras Legitimidades USP/FFLCH

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