Coletividade para dar e receber

No último mês de  junho, a rede social criativa ItsNoon anunciou o lançamento de uma plataforma de crowdfunding integrada ao trabalho que ela já executa tão bem: o de unir arte e possíveis soluções para a sociedade que aí está.

Para desenvolver o projeto, eles convidaram Eduardo Sangion, o criador de uma das primeiras ferramentas de financiamento coletivo do país, a Senso Incomum, focada em arrecadar recursos para projetos de inclusão social, fundada lá no início de 2011, quando o crowdsourcing não era um conceito tão popular por aqui.

Sangion falou ao Cultura e Mercado sobre o convite para fazer parte da equipe da ItsNoon, suas expectativas quanto à nova ferramenta e a ascensão das plataformas crowd no Brasil no último ano.

Cultura e Mercado – Você criou uma das primeira plataformas de crowdfunding do Brasil, a Senso Incomum. Naquela época, como o projeto foi recebido por público e mercado?
Eduardo Sangion – 
Lancei a Senso Incomum em janeiro de 2011 com o propósito de promover uma geração de INGs (indivíduos não governamentais) por meio do financiamento coletivo de seus projetos sociais. Sinto que o negócio foi muito bem aceito pelo mercado. Lógico que por se tratar de um novo modelo de financiamento algumas pessoas não entendiam direito toda a mecânica e as possibilidades reais de viabilizarem seus projetos. Mas no geral a receptividade foi bem positiva e me animou bastante a seguir adiante no crowdfunding.

CeM – Atualmente, existem inúmeros sites baseados neste modelo. Como você avalia a expansão das plataformas no Brasil?
ES –
Muitos sites de crowdfunding surgiram neste último ano e outros tantos já deixaram de existir… Alguns entraram nessa por simples modismo sem entender muito bem a dinâmica do modelo. Mas felizmente o mercado tem se encarregado desta “seleção natural” e os sites que estão se tornando referência do modelo no Brasil carregam consigo um forte senso de propósito de seus fundadores. Isto é importante pois ajuda a dar credibilidade nesta fase inicial de expansão e descredencia rapidamente quem entrou nessa somente pelo “hype”.

CeM – Como aconteceu o convite para criar o canal de financiamento coletivo do Itsnoon?
ES – 
Passados quase sete meses do lançamento da Senso Incomum, naquela batalha para fazer o negócio virar, meu caminho cruzou com o da ItsNoon. Eu buscando a formação de uma rede para alanvacar o modelo de crowdfunding, eles buscando um modelo de crowdfunding para complementar e alavancar a dinâmica da rede. Aí não tivemos dificuldades em entender o potencial de juntar nossos esforços e a Senso foi incorporada pela ItsNoon. Tornei-me sócio da empresa e responsável não só pelo desenvolvimento do crowdfunding, mas da plataforma como um todo.

CeM –  Como funciona essa integração entre Itsnoon e o crowdfunding?
ES – 
A abertura do financiamento coletivo na ItsNoon foi um passo importante para nosso modelo de negócio e surgiu como uma evolução natural da rede. Mesmo antes do surgimento do crowdfunding como conhecemos hoje, o usuários da ItsNoon já trocavam valores financeiros entre si e sinalizavam o interesse em viabilizar suas ideias. Então ficou claro a necessidade de estimularmos esta modalidade de financiamento neste universo de talentos (e empreendedores) criativos distribuídos por todo Brasil. Portanto, qualquer usuário cadastrado na rede pode publicar um projeto para arrecadar fundos. Criamos um espaço para você conseguir um empurrãozinho de outras pessoas para tirar sua ideia do papel. Mais especificamente ideias ligadas à criatividade.

De modo prático o crowdfunding ItsNoon funciona assim: todo projeto publicado na rede deve ter uma meta de arrecadação, um prazo para atingir tal meta e pelo menos uma recompensa para quem apoiá-lo financeiramente. Se a meta de arrecadação atingir 80% ou mais, o criador do projeto fica com o dinheiro levantado (total arrecadado descontando a taxa do PagSeguro e ItsNoon). Mas caso a meta não atinja pelo menos 80% do seu valor, as contribuições são devolvidas para todos os apoiadores e o criador do projeto não fica com o dinheiro.

CeM – Na sua opinião, existe algum setor onde o pensamento coletivo poderia chegar, mas ainda não chegou?
ES – 
Na verdade o pensamento coletivo poderia chegar em qualquer setor. Mas onde sinto mais falta é no Governo de forma geral. Este setor poderia (e talvez devesse) ser pra valer uma grande plataforma “crowd” para a co-criação e viabilização de políticas públicas.

Raul Perez

Jornalista, foi repórter do Cultura e Mercado de 2011 a 2013. Atualmente é assessor de comunicação da SPCine.

Recent Posts

Consulta pública sobre o PAAR de São Paulo está aberta até 23 de maio

A Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo abriu uma…

4 dias ago

Site do Iphan orienta sobre uso da PNAB para o Patrimônio Cultural

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) lançou a página Aldir Blanc Patrimônio,…

5 dias ago

Seleção TV Brasil receberá inscrições até 5 de maio

Estão abertas, até 5 de maio, as inscrições para a Seleção TV Brasil. A iniciativa…

5 dias ago

Edital Transformando Energia em Cultura recebe inscrições até 30 de abril

Estão abertas, até 30 de abril, as inscrições para o edital edital Transformando Energia em Cultura,…

1 semana ago

Congresso corta 85% dos recursos da PNAB na LDO 2025. MinC garante que recursos serão repassados integralmente.

Na noite de ontem (20), em votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) no Congresso…

2 semanas ago

Funarte Brasil Conexões Internacionais 2025 recebe inscrições

A Fundação Nacional de Artes - Funarte está com inscrições abertas para duas chamadas do…

2 semanas ago