Economia Criativa ainda é um conceito em construção. Eu e Reinaldo Pamponet estamos escrevendo um texto a quatro mãos sobre o assunto, decorrente de nossa participação de seminário promovido recentemente pela Vivo, onde isso fica muito claro, sobretudo pela leitura atenta dos textos dos demais especialistas convidados.
A primeira dimensão é a economia como fenômeno cultural. Em minhas palestras sobre mercado cultural costumo apresentar o papel moeda como elemento simbólico mais importante na relação entre cultura e mercado. Quem atribui valor àquela moeda? Como todos sabemos que aquele papel tingido pode comprar tantos sacos de arroz e feijão? Tento mostrar que o lastro daquela moeda está contido apenas em uma vaga ideia de valor, atribuído por uma força tão frágil e volátil quanto aquilo que chamamos de mercado. Mas, ao mesmo tempo, é um valor absoluto, impresso, compartilhado por todos, incontestável.
Nesse sentido, penso em Economia Criativa como a porta de entrada para artistas e criadores pensarem na construção dos novos sentidos e valores que constituirão os lastros, reais e imaginários, da nossa moeda no futuro (que já pode ser vivenciado hoje por alguns). Uma abertura de diálogo para um assunto antes restrito aos poucos e bons.
A segunda dimensão é setorial. A dificuldade de definir e reunir sob o mesmo guarda-chuva os setores e atividades criativas já é, em si, um desafio que vale o ingresso. Em tese, todos os setores podem (e devem) ser criativos. Se forem sustentáveis, atuarem em rede, não forem concentradores, competitivos e gananciosos, se apostarem na subjetividade humana, no valor da convivência, toda a atividade econômica pode ser criativa. Uma possibilidade de resgatar alguns pilares como ética e o compromisso público com o bem estar social.
Não sou romântico. Estou falando de uma possibilidade, não de uma realidade.
A terceira dimensão é o dado comportamental. Ao decretarmos a falência da cultura do consumo e do espetáculo, e celebrarmos, por uma simples troca do lastro que garante o valor e o sentido das nossas moedas, a cultura da ética, da convivência, da paz, do amor e da liberdade, estaremos financiando outros modos de vida, diversos, livres, plurais. Novas tecnologias como o crowdfunding, por exemplo, nos alertam para a importância de olharmos melhor para aquilo que bancamos com o nosso dinheiro e nosso tempo livre. Devemos pagar ingresso para um filme da Fox ou para uma produção independente argentina? Assistir Jornal Nacional ou pesquisar sobre o mundo que não passa na tela da Globo, mas que muitos de nós conseguimos enxergar e compartilhar?
Economia Criativa oferece novas possibilidades de construir cenários favoráveis à uma nova condição humana. Há muitos exemplos de empreendedores que atuam com base nesses cenários, misturando inovação com quebra de paradigmas, atribuindo um novo sentido ao velho papel moeda. O sentido da vida. Outros financiam, divulgam, participam e aderem ao processo como podem.
#Criativem
A Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo abriu uma…
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) lançou a página Aldir Blanc Patrimônio,…
Estão abertas, até 5 de maio, as inscrições para a Seleção TV Brasil. A iniciativa…
Estão abertas, até 30 de abril, as inscrições para o edital edital Transformando Energia em Cultura,…
Na noite de ontem (20), em votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) no Congresso…
A Fundação Nacional de Artes - Funarte está com inscrições abertas para duas chamadas do…