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Crossfunding: um novo jeito de financiar

Um modelo de captação de recursos para projetos culturais que une a captação tradicional com empresas e o crowdfunding (ou financiamento coletivo). Um modelo que possa ser usado para a arrecadação de verba para projetos culturais pequenos e médios, ainda em estágios embrionários, e que busca unir as qualidades e vantagens de cada um dos dois modelos de captação para as três partes envolvidas: produtores culturais, empresas e público.

Esse é o crossfunding. “Começamos a usar esse termo por se aproximar do crowdfunding e fazer sentido com o que significa e o que estamos propondo como formato de trabalho. O termo é pouquíssimo usado, por isso adotamos e estamos investindo nesse modelo”, conta Carlos Rolim, um dos fundadores do Partio, site de financiamento coletivo que está trabalhando na divulgação do conceito.

O crowdfunding ficou muito conhecido na área cultural nos últimos anos e tornou-se uma alternativa que muitas vezes excluía a necessidade de empresas financiarem produtores. O modelo foi entendido como algo funcional e a opção se provou viável. Mas alguns grupos observaram que os dois modelos de captação não necessariamente devem ser excludentes e que é possível que um projeto conte com apoios de pessoas físicas e jurídicas, ao mesmo tempo, para ser financiado.

O fato é que o financiamento coletivo geralmente movimenta menos dinheiro e traz investimentos individuais menores do que grandes patrocínios empresariais. No entanto, cria uma validação social para o projeto em questão, uma vez que um grupo de pessoas se mobilizou em prol dessa causa. Essa validação pode se tornar um argumento quando o projeto é apresentado para uma empresa, que já pode analisar uma ideia conhecendo seu público, tanto em perfil como em tamanho. Para o Partio, esse é uma maneira de empresas identificarem projetos públicos de interesse compartilhados, e assim realizarem investimentos mais pontuais.

Na prática – Começa-se com o projeto no site, atraindo pessoas físicas. A partir de um momento de confirmação do apoio (50% ou 60%), a equipe do site vai atrás de empresas para mostrar o seu êxito com públicos específicos, atraindo-as para participar do movimento. “Estamos já trabalhando campanhas onde usamos a empresa como motivador, por exemplo, entrando quando o projeto bater 50% da meta. Na evolução do modelo, pretendemos atrais as empresas sem precisar ir atrás de cada uma, elas irão buscar participar disso”, acredita Rolim.

Criar contrapartidas interessantes para marcas e confortáveis para o produtor, como brand awarness, relacionamento com clientes, sempre fez parte do trabalho do Partio. Mas o crowdfunding em si nunca tinha sido usado como contrapartida para as empresas. “Agora ele entra nas entregas. A empresa faz parte do crowdfunding, de um movimento onde indivíduos escolhem os produtos culturais que querem ver acontecer e a empresa realiza isso através de uma injeção financeira”, explica Rolim.

Além disso, as propostas antes eram de valores muito mais altos, o que limitava a participação de algumas pequenas e médias empresas. “Agora estamos falando em valores menores, cotas viáveis para fechar centenas de parcerias.”

Outra ideia é que as corporações utilizem suas estruturas de comunicação para divulgar os projetos. “Marcas têm um poder grande com seu público, suas redes sociais são consolidadas e elas têm espaço de mídia. E metas e objetivos concretos no crowdfunding funcionam quase que como um game nas redes, motivando multidões para realização daquela ‘missão'”, afirma Natalie Assad, também do Partio.

O primeiro projeto aprovado no Partio no modelo de crossfunding foi da banda Oritá, que contou com apoio do Centro Universitário Ítalo Brasileiro (Uniitalo). Segundo o diretor de marketing da universidade, Marcos Ferraz, a ideia é iniciar um movimento para alunos proporem projetos culturais e desenvolverem o empreendedorismo. “Temos ideia de aplicar esse modelo de crossfunding dentro da universidade, onde os alunos colocam projetos para ‘teste’ e nós completamos o valor a partir de aprovação social, para que ele aconteça.”

Para Natalie, a partir do momento que projetos culturais são colocados como “produtos” e  comercializados para as pessoas numa prateleira virtual, fala-se uma língua muito próxima das empresas. “A grande mudança é que se torna um diálogo entre indivíduos e marcas, e não mais imposições e patrocínios apenas dos que já estão em evidência. Daremos voz para novas bandas, novas propostas e sabemos que o apoio de marcas ainda é importante no sentido de injeção financeira. Não queremos excluí-los deste processo de mudança”.

 

Mônica Herculano

Jornalista, foi diretora de conteúdo e editora do Cultura e Mercado de 2011 a 2016.

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