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Cultura integra estado e municípios

Secrataria da Cultura do Estado do Rio de Janeiro promove encontro com 86 municípios, com o intuito de formar parcerias de formulação e execução de políticas culturaisA intenção do Estado do Rio de Janeiro de promover uma integração com os municípios começou a concretizar-se no Encontro Estadual de Secretários de Cultura do Rio de Janeiro/2002, realizado nos dias 19 e 20 de junho. O Encontro foi coordenado pela superintendente de Projetos Especiais da Secretaria Estadual das Culturas-RJ, Vera Maia, e contou com os patrocínios da Embratel e da Loterj. O Encontro contou com a participação de representantes de 86 municípios fluminenses, além de artistas, do Secretário Estadual Antonio Grassi e de pessoas ligadas à cultura.

Durante a cerimônia de abertura, a governadora Benedita da Silva afirma pretender utilizar políticas culturais como meio complementar de combate à violência. “Se a cultura é um instrumento de paz, que venha a cultura!”, afirma a governadora.

Mudança comportamental
Em seu discurso, Antônio Grassi apontou a necessidade de parcerias com as administrações municipais, acentuando que a bandeira da cultura está bem acima das colocações partidárias. Ainda na abertura da solenidade, a subsecretária Geral, Bete Mendes, comparou o debate à Declaração dos Direitos Humanos, enfatizando que a cidadania acontece justamente através dos canais culturais. “Temos que entender o Estado como fomentador de cultura”. O coordenador setorial de Ação Cultural e Turismo, Sérgio Pereira da Silva, considera que a política do governo não irá repousar apenas nas pessoas, mas em um amplo projeto, proporcionando uma mudança comportamental. Para Adair Rocha, subsecretário Adjunto do Interior, o Encontro trata o Estado de uma forma conjunta. Na ocasião, ele pediu um minuto de silêncio e rendeu uma homenagem a três importantes figuras falecidas recentemente: o ator e compositor Mário Lago, o jornalista Tim Lopes e o ex-presidente do Conselho Estadual de Cultura, Luiz Emygdio Mello Filho.

“Patrimônio histórico e Identidade Nacional” foi a primeira palestra do Encontro, proferida pelo diretor do Inepac, Alexei Bueno. A palestra traçou um histórico do Patrimônio em nosso país, passando pela criação do IPHAN, em 1938, e pelas intervenções- algumas desordenadas ? ocorridas em nossa cidade nos últimos 30 anos. Anunciou, ainda, que nos próximos seis meses, o Inepac promoverá 28 tombamentos na capital e no Interior. José Carlos Barboza, membro da Comissão de Projetos Culturais Incentivados, abordou, com bastante precisão, as Leis de Incentivo à Cultura. ?”É preciso que os municípios estabeleçam suas políticas de preservação”, ressaltou.

“As artes abrem as portas do conhecimento”. Assim a assessora especial da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), Miriam Brum, iniciou sua explanação sobre “Circuito Integrado Arte-Educação” ? um programa que visa estreitar a natural interface da cultura com a educação, disponibilizando a produção cultural como instrumento para a prática educativa.

Cultura urbana
Na reabertura do Encontro, à tarde, foi a vez do arquiteto e secretário municipal das Culturas, Ricardo Macieira, ressaltar a importância da socialização da cultura urbana. ?É necessário que a SEC tenha sua ação desdobrada na ponta. A cultura tem que ser de qualidade, exprimir a real necessidade do cidadão e ser representativa da nossa cidade. Isso é o mais importante”, completou.

Hábito de leitura
Em seguida, o escritor Paulo Lins citou o desenvolvimento do hábito da leitura nas crianças como sendo uma política cultural fundamental, apontando para a importância dos contadores de história nessa empreitada. O artista plástico e diretor da Escola de Artes Visuais, Luiz Hernesto de Moraes, afirmou, logo em seguida, que toda arte propôe inúmeras leituras, gerando reflexão.

“Aprendi a fazer teatro na escola”. Com essa frase, a subsecretária Geral, Bete Mendes ? substituindo o filósofo e escritor Gerd Bornheim ? abriu seu depoimento, reiterando que o teatro sobreviveu à globalização pela qualidade, pelo talento e pela liberdade. Vicente Frota, que falou sobre o Circo no lugar de Marcos Frota, ressaltou a necessidade de dar-se oportunidades aos “velhos” profissionais, no sentido de ensinarem sua experiência à nova geração. O músico e compositor de música clássica, Ronaldo Miranda, classificou a música como sendo uma atividade artística que deveria estar presente em todas as atividades culturais do País.Encerrando a tarde do primeiro dia, falaram também o cineasta Orlando Senna, destacando o cinema como uma expressão de arte considerada a maior indústria do século XXI e a especialista em Marketing Cultural, Daniela Pedras, que acredita na viabilização do desenvolvimento do turismo cultural através do enfoque econômico e social.

Mais investimentos
No segundo dia do Encontro, o subsecretário adjunto para o Interior, Adair Rocha, coordenou a mesa sobre “Autonomia e Integração da Política Cultural do Estado”. Os representantes da Comissão Estadual de Gestores da Cultura, também presentes, cobraram do Estado a continuidade dos projetos e mais investimento para os municípios. Em seguida, Jorge Cardoso, superintendente da Baixada, ao lembrar que a região conta hoje com 3 milhões 350 mil habitantes, ressaltou: “É o momento da Baixada invisível se encontrar com a Baixada que quer ser vista”.

Frederico Góes, do Conselho Estadual de Cultura, fez uma exposição sobre o Forum Cultura Arte e Tradições Fluminenses, que irá acontecer na Casa França-Brasil. Será um evento grandioso e visa reverter a descaracterização da nossa cultura popular. Em seguida, Luana Maia e Rowilson Silva, do Sesc, mostraram como o órgão vem trabalhando para fomentar a cultura no interior fluminense.

Acervos do Rio
À tarde, o evento iniciou-se com uma mesa de debates. A diretora do Museu da Imagem e do Som (MIS), Marília Barboza, sintetizou o Encontro afirmando tratar-se da concretização de uma necessidade do Estado de interagir com os municípios e numa aproximação das pessoas que, efetivamente, são detentoras dos conhecimentos das manifestações culturais que não chegam por aqui. Lucia Fidalgo, diretora das Bibliotecas Públicas do Estado do Rio de Janeiro, Dalva Lazaroni, diretora da Casa França-Brasil, Ginaldo de Souza, presidente da Funarj, Maria Luísa Noronha, diretora da Escola de Dança Maria Olenewa e José Maria Corrêa Braga, diretor da Escola de Música Villa-Lobos, compartilham da mesma opinião de Marília Barboza. Após um breve intervalo, foi a vez de Vitor Manuel Marques da Fonseca, coordenador do Projeto Faperj, comentar sobre o programa. “Nosso objetivo é colocar à disposição do público, via Internet e por meio de publicações o máximo de informações a respeito dos acervos do Estado do Rio de Janeiro”. Encerrando o Encontro, o coordenador geral da Caravana Cultural, Antônio Gilberto, que enfatizou a necessidade do fomento e da criação das manifestações artísticas próprias de cada cidade.

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