Nesta quinta-feira (19/9), o Ministério da Cultura divulga o nome do filme brasileiro que vai disputar uma vaga na categoria “Melhor Filme Estrangeiro” no Oscar 2013. Entre os pré-selecionados estão produções cuja bilheteria alcançou os milhares de espectadores, como “O Palhaço”, de Selton Mello, e “Paraísos Artificiais”, de Marcos Prado, e outras ainda nem lançadas no circuito comercial, caso de “Colegas“, escrito e dirigido por Marcelo Galvão.
“Lembro com alegria quando ele ia passar as férias com a gente. Era sempre muito divertido e alto astral quando ele chegava. Por isso, decidi escrever um roteiro que mostrasse a beleza e o brilho da alma dessas pessoas, mas sem falar da deficiência”, conta o realizador. As prerrogativas para a escolha do filme são ótimas. “Colegas” levou o prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Paulínia, em 2008, e ficou com o Kikito de Ouro na categoria Melhor Filme na edição deste ano do Festival de Gramado.
A produção ainda é inédita nas salas de cinema do país – estreia prevista para 9 de novembro – e fazê-lo rodar pelo Brasil tem sido o maior desafio para a equipe da Gatafilmes Produções, responsável pela obra. “São muitos filmes e poucas salas, além da concorrência desleal com relação aos filmes blockbusters que são lançados com uma super verba de mídia”, explica Galvão que, desde 2004, já produziu cinco longas-metragens.
O relato do diretor é uma demanda conhecida de quem produz filmes no Brasil. A distribuição de filmes concentrada em poucas empresas e o número reduzidos de salas de cinema no país, em geral concentradas no eixo Sul-Sudeste, prejudica tanto a circulação das produções no mercado doméstico que, no ano passado, sócios-fundadores de sete produtoras brasileiras juntaram-se para formar a NOSSA Produtora, com a intenção de dar uma opção às produtoras audiovisuais do país, geralmente reféns de grande distribuidoras.
Em entrevista ao portal UOL na época do lançamento, o diretor José Padilha explicou que a NOSSA considera a distribuição como um serviço. “A NOSSA Distribuidora vai fazer o planejamento de marketing para lançar os filmes e toda a operação de distribuição, cobrança dos exibidores, e o dinheiro vai direto para a conta do produtor. Agora o produtor vai ter que comparar o potencial do filme se gera lucro e quanto o filme custa para calcular se vale a pena fazer esse filme ou não.”
Alternativa diferente foi a encontrada por Galvão. “Colegas” tem projeto em captação via financiamento coletivo. A ideia é que, arrecadada a meta de R$ 100 mil, o filme possa ser exibido em larga escala nas salas brasileiras. “Buscamos os caminhos tradicionais, através de captação de recursos de leis de incentivo à cultura, patrocínios convencionais, mas também precisamos estar atentos a formas alternativas de nos capitalizarmos”, declara.
Exterior – E não é só no Brasil que os cineastas utilizam o crowdfunding para driblar as grandes distribuidoras. Está no ar pelo Kickstarter, maior plataforma de financiamento coletivo do mundo, o projeto de distribuição do filme “Hotel Noir“. Produzido de forma independente, mas com artistas de renome no elenco, como Danny Devito e Rosario Dawson, o filme aborda a história de um detetive jurado de morte, que aguarda seus algozes num quarto de hotel.
A obra é dirigida por Sebastian Gutierrez e rodada em preto e branco, para reconstruir a atmosfera dos filmes noir. Com os US$ 50 mil que estão sendo pedidos, o realizador pretende “quebrar o código de distribuição dos filmes indies”, segundo sua descrição na página do projeto. Ele relata que a receita com visualizações do filmes em plataforma online geralmente são revertidos para os patrocinadores iniciais da obras. Os artista e realizadores não chegam a ver cor do dinheiro, segundo ele.
“A menos que você ganhe na loteria e seja escolhido entre os milhares de concorrentes no Festival de Sundance (evento que reúne filmes independentes), você está diante de um cenário ‘areia movediça’ em que a maior parte da receita vem do Video On Demand”, protesta no chamado para o financiamento. Com a arrecadação, o filme será exibido em salas de Los Angeles e Nova Iorque, além de ter uma versão para internet.
Mas a intenção é ainda mais ambiciosa, tornar o modelo da distribuição financiada pelo público uma alternativa confiável para que os filmes independentes ocupem salas de cinema pelo país. “Quero que os artistas sejam capazes de produzir conteúdo comercial e sejam pagos por isso”, completa Gutierrez.
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