Como forma de enfrentar o cenário de retração, EMI quer comprar grande parte das ações da Warner Music. Valor estimado está entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões Deborah Rocha
25/02/2003
A união faz a força
Em meio ao deficitiário período de queda nas vendas de discos, pirataria em expansão e crise econômica, a EMI, segundo noticiou o Folha de S. Paulo hoje, está estudando a possibilidade de se unir ao setor fonográfico da AOL Time Warner, a Warner Music. Outra possibilidade é a fusão com a também rival BMG. Porém, segundo o Wall Street Journal, a gigante – única entre as cinco grandes da indústria fonográfica que não faz parte de um conglomerado de mídia – não quer ser vendida, mas sim comprar uma grande fatia da Warner Music por um valor estimado entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões.
De acordo com a Folha, a EMI recusou-se a comentar os rumores e representantes da Warner Music não estavam disponíveis. “O fato de que a EMI esteja gastando dinheiro quando todo mundo no setor está com problemas e as vendas de discos estão em baixa não é uma medida inteligente”, disse ao jornal um analista de mercado.
Impérios em queda
A queda de 10% nas vendas de disco no ano passado deve se repetir neste ano numa cifra de aproximadamente 6%. As cinco grandes gravadoras – Universal, Sony, EMI, Warner e BMG – estão demitindo pessoal e artistas para compensar as perdas.
Durante a primeira metade de 2002, nos Estados Unidos, os ganhos das gravadoras caíram 6,8%, no Japão a queda foi de 14,2%, e na Europa ocidental, menos 7,5%. A França manteve balanço positivo nas vendas de discos, gerando um aumento de 5,2% para os ganhos da indústria fonográfica. O país desbancou a Alemanha na quarta posição do mercado mundial de música. Na Ásia, o total obtido pelas gravadoras no período pesquisado caiu 15,6% em relação ao primeiro semestre de 2001.
Brasil
No Brasil, pesquisa realizada em setembro de 2002 pela ABPD, Associação Brasileira de Produtores de Discos, constatou uma queda no faturamento da indústria de aproximadamente 24,8% em relação ao ano de 2000. A pirataria é mais uma vez apontada como a principal causa da retração, responsável por 53% da vendas de CDs no país e pela perda de US$ 215 milhões, o que coloca o Brasil em 3º lugar no ranking da venda ilegal.
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