Há muito que a Fundação Solomon R. Guggenheim é conhecida por criar museus inovadores – do quartel-general de 1959, de Frank Lloyd Wright, na Quinta Avenida, ao titã ondulante de 1997, de Frank Gehry, para o Guggenheim Bilbao, na Espanha. Mas, na semana passada, foi inaugurado um tipo muito diferente de estrutura, um súbito ponto de encontro em uma área da prefeitura, no East Village, que até pouco tempo atrás era “só ratos e escombros”, nas palavras de um funcionário do Guggenheim.
Chamado de BMW Guggenheim Lab, o espaço é parte think tank, parte fórum ao ar livre, parte centro comunitário, tudo isso num terreno baldio entre dois prédios de apartamentos. O objetivo é engajar os nova-iorquinos num debate sobre as formas de se viver numa cidade.
Nos últimos anos, lojas surgiram e desapareceram em Nova York, dando ao mercado imobiliário uma solução temporária à falta de ocupação e aos varejistas a chance de testar conceitos ou marcas sem longos compromissos. Mas o projeto do Guggenheim é tido como o primeiro exemplo de um grande museu de Nova York que se envolveu na ação.
“Quando as pessoas dizem que estamos indo para as ruas, nós estamos literalmente fazendo isso. Esperamos que isso seja um celeiro de ideias para os futuros governantes. Mas isso não é nenhuma versão glamourosa de um templo grego”, disse Richard Armstrong, diretor da Fundação Guggenheim.
O abandonado terreno em forma de T, de 2 mil metros quadrados, entre a Houston Street e a East First Street, a leste da Segunda Avenida, foi totalmente limpo e transformado pela criação de uma estrutura de dois andares com uma armação de fibra de carbono preta – normalmente usada para se fabricar raquetes de tênis, mas, até agora, dizem os arquitetos, não como material de construção – e pontuado por um par de telas eletrônicas de vídeo suspensas, na frente e atrás. O design, da firma de arquitetura Atelier Bow-Wow, de Tóquio, é ilusoriamente simples, com um espaço aberto no nível da rua que pode acomodar confortavelmente cerca de 300 pessoas.
Mas é na parte superior, embrulhado em duas camadas de malha de fibra de carbono preta, que está todo o necessário para que o espaço funcione. Uma arquibancada modular de madeira, especialmente projetada, e cadeiras dobráveis em tons pastéis podem ser ocultadas em contêineres de metal e então levantadas ou abaixadas. Tudo, incluindo os ralos de fibra de carbono, foi projetado para ser facilmente carregado.
Nova York será a primeira parada para o laboratório numa turnê mundial que vai incluir Berlim e Mumbai. Eventualmente, haverá três laboratórios, cada um com sua própria estrutura móvel projetada por um diferente arquiteto, e cada um lidando com um tema diferente relacionado à vida urbana – no caso do laboratório que abriu na semana passada, “Confrontando o conforto”.
Os três viajarão por cidades ao longo do mundo, num projeto que deve durar seis anos. Em cada cidade, os curadores convidarão autoridades em arquitetura, arte, tecnologia, educação e ciência para participar de programas: palestras, workshops, jogos, performances e exibições de filmes. Todos os eventos serão gratuitos.
Os laboratórios são uma invenção de dois curadores do Guggenheim de trinta e poucos anos de idade, David van der Leer e Maria Nicanor, que garantem não ser este um tipo efêmero de museu. “É um novo híbrido, um lugar onde podemos aprender uns com os outros”, diz van der Leer.
Da mesma forma, os curadores não planejaram os laboratórios como santuários de refinamento estético, como o pavilhão projetado por Zaha Hadid para a Chanel que apareceu no Central Park três anos atrás. “Nós queríamos que os laboratórios Guggenheim ficassem num ambiente urbano, onde as pessoas vivessem, trabalhassem e se divertissem.”
O museu está pagando ao Departamento de Parques e Recreação de Nova York a quantia de US$ 25 mil pelo uso do terreno, uma taxa reduzida porque o Guggenheim e o patrocinador investiram mais de US$ 250 mil para melhorar o local, que fica próximo a um parque infantil público. Mais de 100 eventos e atividades estão programados para o local, que funcionará até o dia 16 de outubro, todos eles centrados no tema “Confrontando o conforto” que, segundo Van der Leer, envolve o desafio de se ganhar qualidade de vida na cidade.
*Fonte: O Globo Online
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