Categories: PONTOS DE VISTA

MinC/Ecad x Banda Larga

“A criação é o elo mais fraco e fácil de se neutralizar com o irônico discurso de ‘democratização do acesso’”. (Ana de Hollanda – Blog do Antonio Grassi).

No corpo e no espírito do Ecad que agora encontra a fala solidária da Ministra da Cultura, a tendência é o MinC seguir os artifícios hegemônicos de uma “produção de cultura racional”.

Hoje, dentro do MinC, esta racionalidade dominante deriva da técnica com objetivos mergulhados obedientemente nos imperativos do mercado. Assim fica mais fácil simplificar os novos possuidores e os não possuidores da readaptação que construirá um círculo vicioso na rotina da cultura institucional do Brasil.

Há uma nova ideia de cultura artística saída do ventre do novo MinC e, a partir dela estão sendo abertos novos espaços para um verdadeiro e receptivo totalitarismo, a cultura como prestadora de serviço, incorporando assim nas ditas produções racionais uma produção limitada aonde a sociedade entra com investimento público no início da cadeia e como consumidora contumaz no final da mesma para coroar esse círculo da teoria do medalhão.

É nítido que com o objetivo avassalador de chamar “às falas” os pontos de cultura e jogar purpurina no “criador”, o MinC, ao invés de consagrar a multiplicação das fontes criativas, na realidade permite apenas a cultura como metamorfose do “trabalho”. Tudo logicamente baseado no “enriquecimento do movimento intelectual brasileiro do oráculo dos deuses do mercado”.

Com isso tem-se, já agora, a certeza de que cada dia é dia de escassez de pensamento crítico dentro do MinC, sobretudo quando a fração de seu território condena o movimento determinante para uma extraordinária difusão e criação de novos atores da arena brasileira singularizadas pelo projeto Banda Larga do governo federal.

O MinC, de forma resolutamente boçal, tenta a todo custo encontrar freios para segurar o vulcão de autenticidade, de expansão da transformação em marcha crucial para a vida do Brasil, que é a democratização do acesso a todas as formas de conhecimento e de participação dos movimentos sociais. O comportamento do MinC hoje é, todavia, imaginar um outro cenário para o Brasil, aonde o espaço seja curto e os fluxos de conhecimento da sociedade fiquem subordinados não só ao Ecad, mas à realização da cultura do dinheiro, aumentando a capacidade de servir à plenitude do neoliberalismo cultural. Portanto, para o MinC não basta o simples escambo, mas o lucro como valor representativo da produção cultural.

Nessa marafunda de conceitos a ideia de povo, de nação e de Estado nacional fica restrita à cultura pela invenção do dinheiro. Assim, o MinC entra numa queda de braço com um dos principais projetos do governo federal, o Banda Larga. Se o governo federal, através do Banda Larga quer construir um conjunto de sistemas naturais a partir do território, do chão da população brasileira e sua identidade como base de suas políticas, os novos conteúdos demográficos, sobretudo os econômicos, agora no território do MinC estão subordinados aos processos da globalização cultural que não é outra coisa senão a definição de pobreza cultural a partir da marginalização da sociedade como protagonista do processo econômico através da divisão da riqueza e do trabalho.

Neste caso pinçado pelo MinC de Ana de Hollanda, a sociedade é admitida apenas como um mecenas compulsório e um consumidor voluntário de bens e serviços da chamada indústria criativa que não é outra coisa que não as fórmulas e formas de relacionamento entre artista e sociedade extraídas da costela do neoliberalismo industrial de cultura, ou seja, uma sociedade dócil e passiva diante da sabedoria imperativa dos donos da verdade absoluta.

Podemos afirmar então, em última análise, que está instalada uma contradição a partir da incompatibilidade ética entre o projeto majoritário do governo Dilma, de educação e cultura, o Banda Larga, e a política fracionada e miúda do Ministério da Cultura de Ana de Hollanda.

Se no governo Lula, simultaneamente, Gil e Juca cantaram e lutaram pela ampliação da comunicação dando ao Brasil, através do Banda Larga, o verdadeiro sentido de aldeia e do nascer de um país do século XXI, Ana de Hollanda, por sua vez, sonha com um mundo só, o mesmo que está nas mãos do mercado global e suas relações da arte alicerçadas no dinheiro em estado puro, fazendo do MinC não um ministério da cultura, mas um marchand, um regulador de mercado que atende à velocidade do dinheiro e não à realização do sonho da democratização do acesso a todas as formas de conhecimento e, consequentemente aos inúmeros efeitos no espaço e no tempo do Brasil Banda Larga.

“Quando vivemos a autenticidade exigida pela prática de ensinar-aprender participamos de uma experiência total, diretiva, política, ideológica, gnosiológica, pedagógica, estética e ética em que a boniteza deve achar-se de mãos dadas com a decência e com a seriedade”. (Paulo Freire – Pedagogia da autonomia)

Carlos Henrique Machado Freitas

Bandolinista, compositor e pesquisador.

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  • Que você goste de divagar tudo bem.Mas divagar sempre no mesmo bordão, amontoando inverdades na vã tentativa de colar idéias e ações na pessoa da Ministra Ana de Hollanda, aí já está chamando atenção mesmo.
    Você simplesmente repete o discurso de certos movimentos de ativistas digitais,dos interessados em vender gadgets,que certamente tinham como objetivo emplacar um outro nome para o MinC.
    Aprenda a conviver com a realidade.Comece a desconfiar que as informações correm e as máscaras já estão ao chão.

  • Você entra aqui de forma genérica fazendo saudação ao sobrenatural de almeida. Tudo o que falei está linkado. Você chegou com ares de Hitchcock, fazendo espuma com sabão de sebo. Mas numa coisa você tem razão, as informações correm e as máscaras já estão ao chão. Veja a agenda da Ministra no dia 18 passado e passe os olhos também nesta matéria abaixo publicada ontem no blog do Luis Nassif. E se tiver um pouquinho mais de tempo, leia o artigo de Sergio Amadeu no blog do Zé Dirceu. Detalhe, a convite de Dirceu para a entrevista do mês. Isso te diz alguma coisa?

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    A visita de Obama e o Minc
    Enviado por luisnassif, seg, 21/03/2011 - 11:20
    Do Estadão

    Quem tem medo da mudança?

    Por Redação Link

    * Por Tatiana de Mello Dias e Rafael Cabral

    Entre discursos, reuniões bilaterais e possíveis acordos comerciais, um ponto da agenda da comitiva americana que acompanha Barack Obama em sua visita ao País chama atenção. O Secretário de Comércio dos EUA, Gary Locke, se reuniu na sexta-feira passada, 18, com a ministra da Cultura, Ana de Hollanda. O pedido, em forma de "visita de cortesia", partiu do governo americano e tinha como pauta um tema quente para o Ministério no começo de 2011: propriedade intelectual.

    A pauta oficial falava em Ano Interamericano da Cultura e a Convenção da Unesco para a Diversidade. Mas, no pedido da embaixada norte-americana (ao qual o Link teve acesso), fica claro: o secretário de Comércio dos EUA queria falar sobre direitos autorais. E é difícil discutir isso com Ana de Hollanda sem passar pela Reforma da Lei de Direitos Autorais. Marcia Regina Barbosa, a nova responsável pela área no Ministério (leia entrevista na pág. 2), participou do encontro e confirmou o tema: "Ele sabe que estamos passando por um processo de reformulação do projeto de lei e mencionou que se coloca à disposição para ajudar".

    sde o começo do mandato da compositora, o MinC tomou a contramão. Logo em janeiro, a ministra desvinculou o selo Creative Commons do conteúdo do site e fez elogios ao Escritório Nacional de Arrecadação (Ecad), criticado pela falta de transparência no repasse de direitos autorais de músicas e principal adversário da reforma, que criaria um órgão governamental para fiscalizá-lo. Em entrevistas, apesar de afirmar que ainda não lera o texto, Ana deixou claro que compartilhava os mesmos pontos de vista das entidades que tanto se opuseram a ele.

    A equipe que tocava a reforma saiu do Ministério. A Diretoria de Direitos Intelectuais foi ocupada por Marcia Regina Barbosa, que integrou o Conselho Nacional de Direito Autoral (CNDA) e já escreveu um artigo com o advogado Hidelbrando Pontes, conhecido defensor do copyright e ligado ao Ecad.

    "Ganhamos a guerra, pode ter absoluta certeza", garante Roberto Mello, presidente da Associação Brasileira dos Músicos (Abramus), um opositor da política anterior do Ministério que se diz "bastante satisfeito" com a nova gestão. "Pode esquecer esses ativistas que estão protestando, eles já eram. O Ministério foi completamente desaparelhado", afirma.

    Ruptura. O que ainda se discute é o porquê de uma mudança tão radical em um governo de continuidade. "Tem sido feita muita pressão para que o Brasil adote uma linha mais amigável aos interesses dos EUA e para que siga suas recomendações em relação aos direitos autorais. A escolha de Ana de Hollanda e suas primeiras ações a esse respeito refletem isso", afirma o sociólogo Joe Karaganis, pesquisador do Social Science Research Council que chefiou um estudo de três anos sobre a pirataria em países emergentes (leia mais sobre a pesquisa na pág. 2).

    Com os norte-americanos insatisfeitos, o Brasil poderia começar a sofrer retaliações comerciais. Por isso, o novo MinC teria decidido se alinhar à cartilha dos grandes conglomerados da música e do cinema. "As pequenas ações da ministra apontam basicamente para a realização da agenda da indústria cultural", afirma Pablo Ortellado, do Grupo de Políticas Públicas para o Acesso à Informação da USP.

    O que Ana de Hollanda está fazendo – e dizendo – vai na direção do que quer a Aliança Internacional de Propriedade Intelectual (IIPA, na singla em inglês), entidade que reúne órgãos como a MPAA, associação que representa os estúdios cinematográficos, e a RIAA, representante o mercado fonográfico.
    Em relatório divulgado da semana passada, a associação recomenda que o País endureça a legislação antipirataria. O Brasil foi classificado com um dos 40 países do mundo a se "prestar atenção". A entidade diz que a flexibilização da legislação é "inconsistente com um equilíbrio viável entre proteções e exceções", além de "desnecessária".

    O estudo poderia ser só um retrato do que são os países na visão das indústrias que combatem a troca de arquivos e cópias ilegais, mas sua importância é bem maior e tem ligação até com a visita de Gary Locke a Ana de Hollanda na última sexta-feira.

    A IIPA envia as informações ao Escritório de Comércio, que as usa na elaboração do Special 301, uma lista anual dos países que não colaboram com a propriedade intelectual e que é usada como pressão em acordos comerciais bilaterais. Os EUA têm um mecanismo para ajudar países em desenvolvimento com a isenção de impostos na exportação de produtos, mas atrela o benefício justamente à maneira como eles cuidam dos direitos autorais. Quem desagradar perde o benefício.

    Ortellado teme que, por medo, o governo brasileiro siga à risca as recomendações da indústria e evolua para políticas repressoras como a do "three strikes", que permite a retirada de conteúdo ou mesmo a suspensão da conexão de usuários acusados de infrações de copyright. O cenário catastrófico ainda não se anuncia, mas o pesquisador já arrisca um ponto final ao menos para o projeto formulado no ano passado: "A ministra vai sentar em cima da reforma. A posição da indústria é não mudar a lei".

  • O problema é que alguns não admitem que vivemos no regime capitalista, onde o lucro é legítimo. O problema é que alguns querem se apropriar de segmentos da sociedade na sua luta contra o capitalismo e a Cultura é um prato feito por aqui. Ninguém é muito culto, ninguém está muito interessado em cultura, então...olha o que acontece. A Cultura entregue aos partidos nanicos ou "movimentos" minoritários olha no que dá. Deu nisso, nessa derrota retumbante e nesse falatório deletério.
    A Cultura tem que se inserir no sistema nacional, no capitalismo brasileiro e avançar, democraticamente. A democracia no Brasil tem feito suas escolhas e tem se desenvolvido, o aparelho de Estado tem que caminhar junto. O atraso do discurso e do pensamento da Cultura no Brasil é consequência do abandono, da utilização desse espaço para o pacto político, importante, mas a relevância da Cultura no mundo contemporâneo exige novos comprometimentos. É nesse sentido que Dilma se movimenta, dando continuidade aos governos anteriores recentes, mas indo adiante. Continuar não significa ficar no mesmo lugar, continuar é ir adiante. Adiante!

  • Parabéns pela reflexão Carlos, como sempre ação provocadora caracteristicas dos que estão bem informados.
    Novamente uma vaia pros que tentam transformar o erro em fantasia, pessoalizando a questão, afirmando que na verdade tudo não passaria de um golpe contra a ministra. No fundo temos que admitir que o golpe existe e é interncional dos organismos de direitos autorais, pegou de assalto a sociedade brasileira, e ai ou a ministra esta desinformada ou o pior pode ser verdade!

    Abraço

    Manoel (membro da música no Conselho Nacional de Políticas Culturais)

  • Pois é Manoel, essa fulanização está custando a cabeça da Bethânia. Durante os últimos anos, como se pode ver abaixo no post "O Estado Contra a Lei", o tucanato culto vestiu a fantasia do anonimato para tentar queimar Gil e Juca em praça pública. De lá pra cá a defesa de seus jogos de sorte, nunca de azar, envolvendo políticos e empresários do PSDB/Dem o pelotão corporatcrata de fuzilamento a Juca se inspirou em FHC, uniu-se a Sayad para fazer um churrasquinho de ministro no auditório da Folha em rede nacional. E aí, pra quem tem boa memorização, lembra que Juca deu um sapeca iaiá no bufão do Sayad. A rapaziada do bico longo partiu para entrar no jogo de Dilmagate, chamá-la de poste e Juca de fascista pra baixo, porque ele estava demonizando a Lei Rouanet, comprando um monte de "Zé Boquinha"stalinista ou "petismo hipnotizando", com seu turbante de Herculano na cabeça.

    Mas agora existe twitter e blogs a dar com o pau e a sociedade está entendendo melhor como funciona o golpe tributário chamado Lei Rouanet, viu que é a sociedade quem paga a conta, então a história da Bethânia no twitter virar um "cala a boca Galvão!" em quantindade. Ou seja, a Lei Rouanet foi parar na boca do povo, nos butecos, biroscas,na boca maldita nos bilhares. Antes não, ficava tudo ali aonde o tucanato gosta de fazer revolução, no american bar.

    Massacrado nas urnas, os ex-serristas estão aí chamando a nossa presidente de Mãe Dilma, pois estão órfãos e desesperados, já que Alckimim está fazendo a fila andar botando os marcatistas que fizeram a história mais suja das eleições caçarem seus rumos.

    Na verdade Ana é a última chance dos corporatocratas demotucanos agora tão solícitos ao PT, só que a militância do PT sente-se traída pelo casamento MinC/Ecad e fortalece cada dia mais o coro dentro do partido, fazendo os principais quadros do partido assumirem o compromisso de estar do lado dela.

    Quem quiser fechar os olhos para a informação abaixo, que feche. Além é lógico da sócia do Hildebrando do Ecad ser hoje o braço direito de Ana de Hollanda. Já já o twitter vai cantar o que Ana não quer ouvir.

    16h00 -Reunião com o Ministro de Comércio dos Estados Unidos da América, Gary Locke e Anne Driscoll, Diretora de Comércio Exterior para a América do Sul, Danny Devito, Ministro Conselheiro para Assuntos Comerciais, Julie Walden, Assessora Especial, Diretora do Escritório de Ligação de Negócios, Maria Cameron, Assessora Especial (Country Desk), e Devin Rambo, Conselheiro para Assuntos Comerciais.
    Acompanham: Sr. Vitor Ortiz/SE; Sr. Marcelo Dantas/DRI, Sra. Marcia Regina Barbosa/DDI e Nei Bomfim/Ascom.

    sss://www.cultura.gov.br/site/2011/03/17/18-de-marco/

  • Vi hoje que o MINC finalmente resolveu divulgar o projeto para a revisão da lei de direitos autorais finalizado pela gestão Juca Ferreira. Tomara que isso sirva pra acalmar os ânimos e trazer um pouco de racionalidade pro debate, tão cheio de falsas polarizações (proteção x acesso, flexibilizar x combater pirataria, etc.). Li muito rapidamente o texto, mas não vi nada demais. Parece uma tentativa de satisfazer a gregos e troianos, o que pode gerar mais pancada dos grupos mais extremados (turma do ECAD x turma do "libera geral"). Posso estar enganado, mas não vi solução para as questões da internet, o que é preocupante. A sobrevivência econômica da cultura depende disso. Tá certo, vivemos no capitalismo, ainda não inventaram outra ordem. Os economistas clássicos dizem que cabe ao Estado garantir o direito de propriedade e estimular a livre iniciativa. Mas isso não funciona se não houver também a garantia da concorrência. O problema é que em Pindorama ninguém quer saber disso. Creio que essa é uma das razões da economia da cultura no Brasil não decolar. Quem chega primeiro no banquete fecha a porta pra não deixar entrar mais ninguém. Pior que isso: quer impedir que os que ficaram de fora organizem o seu próprio banquete em outro restaurante. Escrevi aqui outro dia: além de barrar a entrada, querem impedir que quem ficou de fora faça seu churrasquinho na laje, que montem sua barraquinha de cachorro-quente. É essa postura mesquinha que embaça os debates de revisão das leis de incentivo, dos direitos autorais, do jabá, dos pontos de cultura. Daí fabricam falsas polarizações. Milhares de negócios vão a falência anualmente nos EUA, e isso não causa a menor espécie por lá, a pátria do pleno capitalismo. Aqui não. Dizem:"- meu restaurante é o modelo que dá certo, tô em crise, mas me dá uma verbinha pública aí que logo volto ao sucesso, não gasta dinheiro com esses donos de boteco aí que fazem pão de queijo e não alta gastronomia...". Preferem ignorar que muitos restaurantes de sucesso começaram como uma birosca modesta.Esse é o triste pano de fundo do debate. Teve um texto aqui no C&M entitulado "modernos, mas sem ser otários". Mas bem que poderia ser "contemporâneos, mas sem ser mesquinhos". Fico meio pessimista. Ainda precisamos de uma mudança cultural profunda nas mentalidades. O MINC do Gilberto Gil estava nesse caminho. Agora tá ficando mais difícil...

  • Parabéns Carlos, sempre abrilhantando este portal. Tenho levado seus textos para encontros do movimento, debates na academia, chats online.

    É preciso entender de uma vez que as novas liberdades e modos de produzir não foram avanços tecnológicos, mas um movimento social.

    A cópia livre foi afirmada pela sociedade. Ela não só a aceita, mas a concretiza e dissemina. A cultura livre é resultado do trabalho anônimo e difuso dos muitos, de todo uma afirmação de direitos. Estão sendo criados direitos que não existiam (a internet, o download, a quebra de patentes...), o estado só vem num segundo momento para reconhecê-los (como sói ocorrer no funcionamento do poder constituinte).

    Esse comunismo das redes se diferencia dentro do próprio capitalismo, menos rompendo com ele, do que dele desertando. Outro mundo não só é possível, como já existe.

    Existe sim um antagonismo entre cultura proprietária e partilha, e isso vai além de uma sintaxe poético-política de polemização e mobilização. Está posto um embate do século 21, entre os que se apascentam dos privilégios e capturas do modo antigo, e quem cria e afirma e se movimenta num novo mundo compartilhado, multitudinário, enxameante, uma revolução 2.0 que tanto explica o nosso tempo.

    Menos do que modernice, isto favorece sobretudo os pobres, que mais precisam de xérox, download, remix, remédio. Por isso toda essa política foi tão central no governo Lula, pois inserida num projeto de empoderamento da multidão.

    Nesse sentido, esse novo MinC com Ana de Hollanda, Grassi, representa o que de mais atrasado e reacionário de todo o governo Dilma. Trata-se de uma guinada radical e abrupta, um rompimento direto com todo o movimento social que construiu e afirmou e formulou as políticas culturais (os novos modos de criar e produzir) pelo menos nos últimos 5 anos.

    Não a toa, tanta resistência venha sofrendo, mesmo porque a Cultura Viva mantém interlocução direta com 8 milhões de brasileiros pelo país todo (dados do IPEA).

  • JC, se levarmos em consideração que os rumos do debate político sobre toda a questão que envolve o Ministério da Cultura e que ganhou caráter nacional, se deu a partir da resolução aberta pela Ministra Ana de Hollanda que estava estreitamente vinculada aos interesses miúdos do Ecad, podemos afirmar que, por inadvertência ou ignorância, quem levantou as armas políticas foi a própria Ministra que hoje, numa campanha de auto-vitimização, diz que a crise foi fabricada. Foi fabricada sim, mas por ela própria. E essa situação tende a se agravar dia a dia, comprometendo basilarmente o destino de nossas políticas públicas de cultura.

    Ana de Hollanda, quando criou a ideia de um comitê central simpático ao Ecad que é uma obra nascente do sentido contrário aos verdadeiros interesses da esmagadora maioria de compositores e músicos brasileiros, ela determinou a filosofia política que caracterizaria o seu cosmopolitismo ameaçador. E aí, o inevitável acirramento político foi levado ao extremo. E por que foi levado ao extremo? Porque a Ministra com o artifício celebralista e com sua filosofia, quis importar a expressão característica que move o princípio ativo do remédio amargo que o Ecad quer impor ao conjunto da sociedade brasileira.

    O hermetismo a que estamos assistindo, o charlatanismo técnico em forma de ciência que o Ecad usa para sufocar o talento dos criadores brasileiros, recebe agora desgraçadamente o apoio e a simpatia da Ministra Ana de Hollanda, desorientando por completo a ideia de um ministério com responsabilidade não só com a imensa maioria dos compositores e músicos brasileiros e as novas gerações de criadores da arte musical, a orientação atual da Ministra diante do seu povo é que é absolutamente esquizofrênica e degenerada, porque ignora e despreza a índole da sociedade brasileira que criou condições peculiares de disseminar a sua música através de suas livres manifestções, sobretudo nos espaços públicos.

    Se afinal de contas a Ministra pretende se divorciar do sentimento coletivo da sociedade, buscando o acervo original do Ecad para servir de cópia dos seus documentos como forma de política pública de cultura, a Ministra Ana de Hollanda inapelavelmente escreveu uma carta de guerra logo na primeira divulgação de sua filosofia parcial diante da imprensa.

    O que eles tentam passar é que na vitimização da Ministra há um dito folheto paranóico com características de grupos que perderam boquinhas no Ministério da Cultura e que, portanto, estão atacando os sentimentos patrióticos da Ministra quando retirou brutalmente o selo do CC do site do MinC. Não tarda a Ministra terá que divulgar o resultado de sua obra. Numa breve introdução, a sua foto se transformou num fórum, só que a sociedade não admite mais ser informada por um simples recorte de jornal, ela quer a abertura completa do debate para a construção de um importante documento que diz respeito ao futuro do Brasil.

    Uma nota aqui, outra acolá, um silêncio sobre o futuro do MinC é que está nutrindo a repulsa da sociedade à sorrateira forma de construir política pública de cultura. Até agora a Ministra destinou suas falas apenas a nutrir expectativas de uma requintada economia criativa. No entanto, nenhuma direção foi apresentada, pois a conta não fecha e a tendência deformadora desse pensamento já está envenenadada nas raizes desse solo cansado do qual a cultura corporativa se lambuzou para sustentar a Lei Rouanet como o seio das civilizações que têm a cultura como forma de construir moedas. Ou seja, JC, todo esse arranjo não é social, muito menos de mercado, ele despreza tanto a essência liberal da livre iniciativa quanto está longe de ser dotado de caráter público essencilmente humanista.

    Mas vamos esperar a ginga da Ministra. Por enquanto, o seu próprio pé de ferro é que está esmagando qualquer boa expectativa que possamos ter do novo MinC. Sinceramente, nunca torci tanto para estar rigorosamente errado. Prefiro a minha cabeça na guilhotina, contanto que tudo isso que é arquitetado no MinC nos revele um grande projeto nacional.

    Obs. O blog do Luis Nassif está convocando a sociedade para debater a LDA. Vale a pena você dar a sua fundamental contribuição também lá.

    Grande abraço.

  • isso é matar a cultura, e criar escravos na base para produzir os aspectos e a linguagem que irar ser compilado por um desses quase artistas no topo da pirâmide que só terá o trabalho de juntar as peças, aposto que junto a isso vem a adesão submissa ao ACTA, e mais vampirização cultural ainda (VTNC!)

    discordo que isto não podia ser vislumbrado desde o governo anterior...

  • Carlos

    Vc tem cereza que vc é músico, compositor e pesquisador?

    Que energia hemmmm....Tinha lido uma vez algo que escreveste e achei agressivo e pedante e longe da realidade real do dia-a-dia, de quem vc tanto defende, que aliás, nunca fica claro: o que? quem? para que? para quem?

    Esse aí acima e todas as respostas subsequentes é novamente: agressivo, pedante e detonante.

    Lhe digo: seu estilo não resolve, não ilumina, não evolui..

    Vc tem certeza que é músico?

    E já lhe adianto: não precisa agredir, pois com certeza não o lerei mais, pois por ter vivido na prática muita coisa do que vc tenta discutir, eu lhe afirmo categoricamente: vc não sabe nada.

    Bye

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