A história começou como muitas que já ouvimos. “O Movere veio da nossa vontade de mudar a vida em direção a coisas que tivessem mais a ver com a gente. E cada um dos sócios foi entrando aos poucos nessa história”, conta Vanessa Oliveira.
Bruno Pereira queria abrir uma editora, diferente do padrão encontrado, onde as pessoas decidiriam se o livro seria ou não publicado. Por conta disso, começou a fazer pesquisas sobre modelos de negócio, ali pelo final de 2009. Foi quando percebeu o crowdfunding dando sinais no mundo inteiro.
De início, ele pensou em encaixar a editora em algum site de crowdfunding já existente, mesmo sabendo que uma língua estrangeira poderia limitar seu alcance no Brasil. Mas depois, batendo papo com amigos no bar veio a pergunta: “Por que não fazer a sua própria plataforma? Isso poderia ser uma oportunidade de negócios incrível para o nosso país”. Foi o suficiente para que a editora tomasse um novo rumo.
Dali pra frente, Vanessa, Bernardo Tausz e Enzo Motta foram se envolvendo no projeto. Todos trabalhavam na mesma empresa de tecnologia, no Rio de Janeiro. “Então começamos a estudar sobre crowdfunding, o mercado internacional, e pensamos sobre como adequá-lo para a cultura brasileira, dando forma para o que seria, enfim, o Movere”, lembra Vanessa.
Para ela, o site demorou mais do que devia para entrar no ar, já que todos faziam jornada de trabalho dupla e nem sempre tomavam as decisões mais certeiras e rápidas. “Começamos a conversar no final de 2009 e só colocamos o site no ar em 2011. Demoramos muito tempo pesquisando e buscando o site ideal, sem necessidade! Se pudéssemos voltar no tempo, acho que seríamos menos perfeccionistas e mais práticos”, diz Vanessa. Hoje, os quatro se dedicam exclusivamente ao Movere.
Passado e futuro – No começo, eles contaram com uma assessoria de imprensa, a Usina de Comunicação, que foi importante na divulgação do financiamento coletivo nas mídias tradicionais. Também participaram de muitos eventos, em diversos estados do Brasil, e entraram nas redes sociais. “Nesta nova fase, nossa estratégia de divulgação estará focada, principalmente, na internet: parceiros em blogs, sites, ações de marketing digital e as redes sociais. Além disso, manteremos as viagens para palestras, workshops e outros eventos. Até porque o ao vivo continua sendo fundamental”, explica Vanessa.
Além dos quatro sócios, que trazem expertises diversas – desenvolvimento, design, comunicação e business – o Movere hoje conta também com uma produtora cultural e um especialista em marketing digital.
Também conseguiram uma aprovação no Rio Criativo, primeira incubadora de Economia Criativa da América Latina.
“Pela frente, ainda temos como obstáculo a falta de conhecimento das pessoas em relação ao financiamento coletivo: o que é, como incentivar um projeto e, o principal, como fazer um projeto de sucesso nesse modelo de negócio. Além do receio brasileiro em fazer compras online. Não adianta apenas falar com os early adopters. É preciso que todos consigam entender o processo para que muitos projetos sejam, de fato, realizados no Brasil.”
Novo site – Nesta terça-feira (17/1) entra no ar um novo Movere, com novo layout, novas métricas e funcionalidades – e um presente para o internauta baixar no Facebook (www.facebook.com/movere.me).
Enzo Motta, responsável pelo desenvolvimento do site, conta que, depois de 10 meses no ar, era preciso fazer um upgrade tecnológico no Movere, para crescer. “Queremos que o serviço seja utilizado por qualquer um. E por isso, deixamos o site mais intuitivo e amigável”, completa o designer Bernardo Tausz.
Algumas das novidades são:
– Pré-Projeto: o autor poderá testar sua campanha e recompensas em sua rede de contatos, antes mesmo de iniciar a captação;
– Busca por projetos: melhoria no sistema de busca;
– Formulário de envio de projeto: o autor formata seu projeto ao enviar, diminuindo o prazo para publicacação;
– Relatórios automáticos: mais controle sobre o andamento do projeto;
– Selo de Qualidade Site Blindado: auditoria confirmando a segurança do site;
– Fluxo facilitado de pagamento: ficou mais fácil de incentivar um projeto;
– Maior visibilidade para o autor: estratégias de SEO, URL amigável, widget do projeto e mais integrações com redes sociais.
“No primeiro semestre, ainda teremos página especial para curadores, fluxo de pagamento completo no movere, área de administração e blog do projeto”, revela Bruno Pereira, “o homem do dinheiro”, como eles mesmos brincam.
Segundo ele, essa é definitivamente uma nova fase da empresa. “Estamos abrindo outras frentes e queremos testar, neste ano, formas diferentes de se fazer crowdfunding”.
Como funciona – No Movere, Autor é aquele que tem uma ideia legal, mas não tem o dinheiro suficiente para realizá-la. É o artista, o empreendedor, o pesquisador, o ser criativo que não sabe nem se existe público para a sua iniciativa. Já o incentivador é aquele que adora novidades, que gosta de ter opções e que acredita nas pessoas e na realização de ideias legais.
O site usa um sistema de pagamento transparente e justo de “tudo ou nada”: o autor cria um projeto, diz a quantia necessária para concretizá-lo, o tempo que acha que conseguirá esse dinheiro, e busca incentivadores (contatos e redes sociais). Cada um participa com o valor que quiser, sendo que cada cota de preço corresponde a uma recompensa específica, como CDs, DVDs, ingressos, fotos, jantares, serenatas e o que mais o autor quiser oferecer como presente especial e exclusivo.
Se o autor atingir 100% da meta no prazo estipulado, o dinheiro acumulado será repassado para ele, e recompensas serão destinadas para os que se moveram a seu favor. Do contrário, ele não recebe nada e o dinheiro volta para quem incentivou.
E não são só projetos na área de cultura que podem ser apoiados. O Movere acredita que ideias legais não são estáticas e podem vir de diversas outras áreas, como comunicação, tecnologia, gastronomia, design, moda, jogos, saúde, esporte, educação etc.
Entre os projetos já realizados através do site estão: CD do Sururu na Roda; filme Africanas, de Eliza Capai; videoclipe da banda Ganeshas; zine para iPad do Studio Baleia – que não conseguiu atingir a meta, mas chamou tanta atenção que ganhou o serviço de um fornecedor – e o livro de RPG Violentina, de Eduardo Caetano – que bateu a meta em 2h30.
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