O mercado brasileiro dá os seus primeiros passos no complexo mundo do entretenimento global. O crescimento vivido nos últimos 20 anos de leis de incentivo, financiamento do setor público e privado e no amadurecimento dos agentes do setor só nos trazem otimismo diante de um mercado mundialmente promissor. Entretanto, algumas questões estão em nossa frente para serem enfrentadas.
Segundo, é importante conhecer como outros países estruturam sua industria de entretenimento. O modelo é similar ao “real estate” (mercado imobiliário), muito simples: planeja-se um determinado filme a ser lançado (shopping center), que contará com a presença de atores e/ou diretor de muito sucesso (lojas “âncora”), que precisa levantar um determinado dinheiro no mercado com investidores (fundo imobiliário ou investidores avulsos), operação garantida por um seguro chamado Completion-Bond (seguro de que cumpridos os requisitos do contrato, o shopping será construído) e com garantias lastreadas na pré-venda do filme em vários mercados – valores mínimos garantidos por distribuidores pelo mundo afora (que equivale à previsão de receita futura de locação das lojas do shopping). Essa visão vale para todos os segmentos do entretenimento: do show ao filme. Precisamos dessa visão comercial no modelo brasileiro: olhar o entretenimento como negocio bom e lucrativo.
Terceiro, muito além de entender um padrão, esse mercado tem suas fontes de financiamento baseadas na criatividade, inventando novos modelos a cada nova produção. Exemplo: os produtores do seriado americano “Veronica Mars” lançaram mão da ferramenta do crowdfunding (sistema de captação, no geral via portal de Internet, que busca financiamento direto do publico baseado no espírito doador, de investimento ou de pré-venda de produto) para financiar o longa metragem da série. Esperavam levantar US$ 2 milhões para financiar: acabaram por captar quase US$ 6 milhões. É dinheiro vindo do publico que curtia a serie e resolveu financiar o filme. Tal como existe o crowdfunding, há uma infinidade de novos modelos sendo inventados todo dia. Outra ideia inovadora e’ o Flattr, que monetiza a lógica de curtir das redes sociais.
Quarto, a audiência não espera mais conteúdo pronto e imposto. A audiência está com o poder de escolher o que consome e fará isso cada vez mais. Sucesso como o dos seriados do Netflix, por exemplo, como “House of cards”, construído na medida do desejo da audiência, fazem parte de um caminho de sucesso imbatível e sem volta. Quem tiver as ferramentas para conhecer melhor o seu publico produzirá os conteúdos mais atrativos na nova indústria do entretenimento. Esse efeito está sendo mais poderoso que as ferramentas de CRM do mercado de varejo, que são impressionantes: uma grande cadeia global americana anteviu casos de gravidez das consumidoras pela sensível mudança no habito de consumo, conhecendo muitas vezes a gravidez antes mesmo da cliente. Diga-se de passagem, uma conferencia recente realizada no Rio de Janeiro, a www foi um exemplo excelente desse olhar.
Pra fazer face a esses desafios o mercado brasileiro precisa urgentemente se qualificar, cada vez mais. E formação não é um assunto que se resolve da noite pro dia. Isso é fundamental para todos os profissionais: produtores, roteiristas, advogados, atores, diretores etc. Parafraseando o amigo professor americano Dov Siemens, os agentes tem que entender que operam no “show business” e não no “show art“.
*Publicado originalmente na edição de junho da Revista Tela Viva
A Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo abriu uma…
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) lançou a página Aldir Blanc Patrimônio,…
Estão abertas, até 5 de maio, as inscrições para a Seleção TV Brasil. A iniciativa…
Estão abertas, até 30 de abril, as inscrições para o edital edital Transformando Energia em Cultura,…
Na noite de ontem (20), em votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) no Congresso…
A Fundação Nacional de Artes - Funarte está com inscrições abertas para duas chamadas do…