O convite de Maria Vlachou para escrever no seu blog, assim como do ICOM para participar no próximo encontro de Museus no Rio de Janeiro, é para mim uma oportunidade para começar a organizar algumas ideias que têm motivado grande parte da minha reflexão como gestor, educador e ativista nos museus da região de Antioquia (Colômbia) nos últimos sete anos.
Do seu lado, o Museo de Arte Moderno de Medellín (MAMM) – reinstalado, há quatro anos, numa antiga oficina de fundição de metais – tem sido consolidado como um lugar estratégico no país, pela sua programação expositiva, mas sobretudo educativa e cultural. É um lugar propício para formular as seguintes perguntas:
Quais são as linhas orientadoras deste trabalho? Quais são os elementos para começar a criar uma nova institucionalidade e definição para o que historicamente temos chamado Museu?
A procura de respostas para estas perguntas leva-me a propor a construção de confiança como um dos princípios orientadores: um exercício fino, perseverante e delicado de tecido e relacionamento comunitário que se desenvolve a par com o trabalho colaborativo e em rede, o qual se pode ver desenhado na cartografia de uma cena cultural cada vez mais expandida. O projeto LABSURLAB é apenas um exemplo de como uma iniciativa que surgiu no MAMM se converteu numa rede mundial de ativistas que trabalham em torno das noções de arte, ciência, tecnologia e comunidades com um enfoque biopolítico.
Através da construção de mapas dos projetos que se desenvolvem no território, estamos a criar relações de sentido entre os atores da cultura na cidade, na região, no continente e no mundo, procurando vincular cada vez mais grupos sociais, identitários, profissionais, assim como instituições, universidades, empreendimentos, projetos e comunidades, para a mobilização de ideais. A cartografia dos projetos culturais é um instrumento fundamental nos processos de criação cultural contemporânea.
Uma outra linha de ação é dirigida à exploração de novas definições para o que normalmente chamamos gestão cultural, procurando conferir-lhe todo o poder criativo que alberga, a partir de modelos abertos que permitem reinventar as relações de criação, circulação e apropriação; reconhecendo que – assim como acontece com as práticas artísticas– nos projetos culturais boa parte do trabalho radica na mesma gestão. Necessariamente, esta situação faz-nos também repensar os papéis e as relações – entre quem cria, quem recebe, quem educa, quem exibe e quem gere –, ao mesmo tempo que ocorre uma transformação dos campos disciplinares.
Há mais um elemento que vincula o trabalho como ativistas culturais às tecnologias, para além dos aspectos meramente técnicos: as ferramentas que nos proporcionam este momento albergam novos formatos para a criação colaborativa, a educação, a gestão de projetos, o ativismo, a reorganização do trabalho e a produção dos bens comuns. Os processos culturais e artísticos ligados à cultura digital são hoje territórios de limite, fronteira e de intercâmbio, e o museu é um lugar estratégico a partir do qual se podem ativar estes processos.
Uma linha adicional tem sido orientada para gerar diálogos criativos a partir do museu como instituição com os movimentos e iniciativas independentes, que podem ir desde residências artísticas, circuitos de música e bares a espaços não convencionais de educação não formal, com o objetivo de realizar projetos desde a cooperação e o mutualismo. O propósito tem sido gerar ambientes de diálogo, de cocriação e de oportunidades para ambas as esferas (instituições e movimentos).
A partir desta perspectiva, a função do museu é global e, ao mesmo tempo, local, proporcionando um lugar de encontro entre as múltiplas camadas e ofícios da criação contemporânea e potenciando o desenvolvimento das subjetividades. Um lugar de encontro, trabalho, produção e investigação, para além de exposição e divulgação, onde todos os elementos se misturam, se alimentam e desde o qual poderia surgir uma nova institucionalidade e espaço que proponho que se chame provisoriamente ‘Useo’.
*Publicado originalmente no site www.musingonculture-pt.blogspot.com
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