Conheça a série que apresentará as propostas de gestão e curadoria dos novos diretores do MAM-SP, MAM-Bahia, Mamam, do Recife, Museu Paulista e da Casa Porto.
O site Cores Primárias, cooperador do 100Canais (núcleo editorial do Cultura e Mercado), ouviu, em entrevistas exclusivas, as propostas de gestão e curadoria dos novos diretores do MAM-SP, do MAM-Bahia, do Mamam, no Recife, do Museu Paulista e da Casa Porto e pretende dar continuidade a esse trabalho, conversando com curadores de outros estados, e tecendo uma rede de diálogos e experiências proveitosos para todos que possuam essa preocupação.
Solange Farkas, Cristiana Tejo e Felipe Chaimovitch: nenhum deles caiu de pára-quedas nos museus de arte da Bahia, de Recife ou de São Paulo, onde assumiram recentemente postos de direção; nem foram agraciados por parentescos políticos para chegarem aonde estão: Felipe Chaimovitch já atuava no MAM de São Paulo desde 1997, como conselheiro e curador; a baiana Solange Farkas, produtora cultural e curadora da Videobrasil, já havia realizado curadorias em museus da Bahia, especialmente no Mam, para onde se transferiu desde 26 de fevereiro; e Cristiana Tejo membro da Sociedade de Amigos do Mamam, de Recife, durante 4 anos, já mantinha vínculos de trabalho com o museu que assumiu através da Fundação Joaquim Nabuco.
Eles usam uma mesma linguagem para apresentar projetos semelhantes e viabilizar uma nova prática museológica. Pensam em um museu que reflita sobre seu papel na contemporaneidade e que não fique posando de vitrine de “verdades absolutas da arte” – que não existem. Um museu que se abra para uma sociedade universalizada, em transformação, e que ao mesmo tempo atenda com cuidado públicos diversificados e excluídos dos meios culturais. Uma instituição que repense a história de seus acervos e de seus artistas, e que, fundamentalmente, ultrapasse as suas próprias fronteiras geográficas e culturais e misture-se à sociedade numa troca cultural transformadora.
Ainda que haja intenções comuns em cada uma destas instituições, vários são os pontos em que divergem: o MAM SP, por exemplo, demonstra a preocupação com a nacionalização de seu acervo, enquanto o Mamam Recife buscará fortalecer o acervo com obras de artistas locais.
Redirecionar as atividades curatoriais e educativas , bem como reconstruir equívocos que fazem parte da memória oficial é o grande desafio do Museu Paulista pertencente à Universidade de São Paulo. Paulo Garcez, docente do museu e curador da mostra Imagens Recriam a História conta como os livros didáticos, desde Taunay, contribuíram para a construção de um imaginário que considera as grandes telas históricas como fiéis registros do passado, por exemplo o quadro Fundação da Cidade de São Paulo, de 1909, pintado por Oscar Pereira da Silva.
Em Vitória, Espírito Santo, a Casa Porto das Artes Plásticas, antiga sede da Capitania dos Portos também carrega uma tradição histórica com a qual Samira Margotto procura estabelecer vínculos sem deixar de olhar para as mudanças que se impõem. Diretora do museu desde 2005, Samira centra suas ações em reformas emergenciais e em políticas culturais que agreguem o público às atividades. Em 1999, foi criado o Salão do Mar, a atividade artística de maior visibilidade no Estado que passou, em 2005, a ter dimensão nacional. Essa modificação levanta a discussão de confronto e entendimento entre a produção artística regional e a nacional.
Estas e outras semelhanças e diferenças poderão ser acompanhadas nas entrevistas que publicaremos durante as próximas semanas, como resultado do trabalho do site Cores Primárias, cooperador do 100canais (núcleo editorial do Cultura e Mercado), que já ouviu as propostas de gestão e curadoria dos novos diretores do MAM-SP, do MAM-Bahia, do Mamam, no Recife, do Museu Paulista e da Casa do Porto e pretende dar continuidade a esse trabalho, conversando com curadores de outros estados, e tecendo uma rede de diálogos e experiências proveitosos para todos que possuam essa preocupação.
A partir da próxima semana, Cultura e Mercado publicará estas entrevistas na íntegra, começando com a de Felipe Chaimovitch.
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(*) Margarida Nepomuceno é editora do site de jornalismo especializado em história das Artes Visuais, Cores Primária, parceiro do 100canais, núcleo editorial do Cultura e Mercado.(visite aqui).
Margarida Nepomuceno