O Google promoveu nesta quinta-feira (1/3) a maior mudança em sua política de privacidade desde a criação da companhia, em setembro de 1998. Os termos de uso de mais de 60 serviços estão sendo substituídos por um único texto. Caso o usuário não concorde com o modelo, não há alternativa: será obrigado a desativar ou abandonar os serviços do gigante de buscas.
Segundo reportagem da Veja Online, com a unificação, Gmail, YouTube e Google Maps, entre outros, obedecerão a um único conjunto de regras. Quatro produtos ficarão de fora: o navegador e o sistema operacional Chrome e os serviços Books e Wallet
O Google vai combinar informações sobre usuários proveniente dos serviços: com mais dados à disposição, vai dirigir, com mais precisão, os anúncios exibidos a cada pessoa. A mudança influenciará também as buscas feitas nos serviços: a tendência é que elas apresentem resultados mais afinados com os interesses do usuário.
Informações fornecidas pelo usuário, como nome, endereço de e-mail, número de telefone ou cartão de crédito, serão recolhidas e armazenadas pelo site, que garante que não compartilha informações privadas, exceto: 1) com consentimento do usuário; 2) para processamento de dados: nesse caso, as informações poderão ser repassadas a companhias afiliadas ou parceiras; e 3) por razões legais: para cumprir leis e atender a investigações, detectar fraudes e zelar pela segurança dos próprios serviços.
O usuário terá condições de optar por: autorizar terceiros ou sites a acessar dados do perfil; visualizar, editar e desativar anúncios personalizados; controlar quais conteúdos são compartilhados na rede de contatos.
Polêmica – Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, Larry Page, cofundador e principal executivo do Google, recebeu na semana passada uma carta de 39 procuradores federais dos EUA. Nela, afirmam que a nova política “invade a privacidade ao compartilhar informações pessoais automaticamente em outros serviços, quando o usuário insere a informação em um serviço específico”.
Nesta semana, a Comissão Nacional para Computação e Liberdades Civis da França disse que a nova política é contrária aos padrões europeus de proteção de dados. Ontem, decidiu iniciar investigação sobre as normas.
Nos EUA, a preocupação relativa à privacidade on-line é grande, dadas as recentes descobertas de quantos dados pessoais podem ser coletados sem o cliente saber, como agendas telefônicas.
O governo americano concluiu estudo sobre como regular a coleta on-line de dados do consumidor, fixando um rol de sete direitos básicos. E pressiona o Congresso a aprovar rapidamente lei de direito à privacidade. Enquanto isso, as grandes empresas de internet contratam advogados e lobistas, se unem para desenvolver a autorregulamentação e argumentam que qualquer lei é nociva à liberdade.
*Com informações da Veja Online e da Folha de S. Paulo