A mesma empolgação demonstrada pelo brasileiro na Copa do Mundo pode ser repassada para a política nacional quando o assunto é cultura?
Fim de Copa, início de período eleitoral. A cada jogo, hino nacional e gol da nossa seleção, ouvia uma profusão de rojões, gritos e declarações de amor ao Brasil. E ficava torcendo não só para que o Brasil ganhasse o jogo, mas para que esse espírito nacionalista, essa garra de discutir detalhadamente qual seria a melhor equipe e de proferir broncas e elogios embasados à equipe dirigente perdurassem até as eleições. O que poderia ser mais positivo ao processo democrático brasileiro, do que ter esse mesmo contingente de torcedores convertido em eleitores igualmente conscientes e apaixonados?
Pouco a pouco, saem as bandeirolas e flâmulas verdes e amarelas que coloriam as ruas e casas do Brasil (e, pasmem senhores, de tantos outros países, fiéis aos nossos Canarinhos. Passei pela Jamaica e pelo Panamá, na semana dos jogos de oitavas de final – pelas cores nas ruas, pensei estar no Brasil). Em seu lugar, entram as faixas vermelhas e azuis, tucanos e estrelas. Sai a união, entra a divisão. Fico triste ao imaginar que, observando de modo neutro, os discursos dos partidos não são voltados às suas propostas para a nação – mas sim a provar que são menos piores do que os outros partidos. Meios ou fins, uma discussão complexa. Mas, quem sabe, esteja enganada e os partidos, finalmente, estejam contando mais com a validade de seus programas, do que com a fraqueza das propostas e atos consumados dos outros? Determinada a exercer meu direito democrático, recorri a um dos primeiros pontos de referência de um cidadão interessado: os sites dos partidos. Afinal, estamos ou não estamos a apenas três meses do primeiro turno das eleições de maior visibilidade do país? 90 dias de jogo, seguidos de mais 30 de prorrogação, desembocando em uma decisão que só voltará a ser discutida quatro anos depois.
Comecei pelo site do PT – afinal, já que hoje é situação, deve ser quase automático propor o que vem dando certo, repropor o que foi prometido e não concretizado e consertar o que deu errado. Fiquei animadíssima ao me deparar com a rubrica “Programa de Governo de 2006”. O entusiasmo durou pouco. Nela, encontrei de fato um programa de governo da campanha – mas de Genoíno ao governo de São Paulo, em 2002. O único artigo de 2006 fala sobre crise de valores, os outros documentos são da safra de 2004. Respirei fundo. Voltei-me ao site do PSDB. Ali também o programa proposto é o das eleições passadas, sem sombra de plataforma que nos apresente as propostas tucanas para um eventual próximo governo. Cristovam Buarque? Nada. Heloísa Helena? Site em construção.
Não pude deixar de me perguntar: será que, para nossos candidatos, nada parece ter mudado nestes quatro anos, no que diz respeito à cultura (ou, aliás, a qualquer outro tema)? Será que a nova configuração geopolítica que alinhava os acordos multilaterais de negociações, os afunilamentos dos fluxos de bens e serviços culturais, as megatendências na economia criativa, o crescente reconhecimento da importância da diversidade cultural e da cultura local como base da estratégia de desenvolvimento nacional, nada disso foi decantado nos debates internos dos nossos partidos? Ou foi, mas não parece ser relevante divulgá-los aos eleitores? Fico na dúvida sobre a resposta que me pareceria menos estarrecedora. Ouço as declarações da Fifa quanto à próxima Copa, os preparativos da CBF para o Campeonato Brasileiro de 2007 e penso que, infelizmente, é muito mais fácil ser uma torcedora consciente, do que uma eleitora informada.
Ana Carla Fonseca Reis
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