Em três semanas, nosso país viu a realização de três seminários internacionais de primeira linha, tratando de um mesmo tema: a economia criativa. Conceito charmoso, mas cujos contornos merecem ser burilados para se adequar ao nosso contexto brasileiro, não por menos foi exatamente este o objetivo central dos três eventos: debater o que é essa tal de economia criativa e mostrar, com exemplos muito práticos, a oportunidade que temos de promover o potencial socioeconômico de nossa criatividade.
Para alguns, é sincronicidade. Para os mais céticos, é o resultado da busca de modelos alternativos de desenvolvimento. Seja como for, o fato é que em três semanas nosso país viu a realização de três seminários internacionais de primeira linha, tratando de um mesmo tema: a economia criativa. Conceito charmoso, mas cujos contornos merecem ser burilados para se adequar ao nosso contexto brasileiro, não por menos foi exatamente este o objetivo central dos três eventos: debater o que é essa tal de economia criativa e mostrar, com exemplos muito práticos, a oportunidade que temos de promover o potencial socioeconômico de nossa criatividade.
O que gera certa curiosidade, por mostrar a que ponto nossas lideranças públicas e privadas estão empenhadas em buscar novos paradigmas de desenvolvimento, é a gênese desses encontros. O primeiro deles, ocorrido em Fortaleza, de 26 a 28 de novembro, foi obra e graça da Via de Comunicação, empresa de produção cultural cearense, já notória por ter concebido e encampado projetos que mostram a possibilidade do impossível, como o Festival de Jazz e Blues de Guaramiranga. Como resistir a ser a curadora de um encontro tão desafiador? Pois bem, se de economia se trata, nada melhor do que organizar o seminário, ao longo de seus três dias, na FIEC, a sede das indústrias cearenses. Com bela repercussão na mídia, um corpo de palestrantes gabaritados e a presença de alguns dos maiores expoentes do Estado na platéia, o seminário desfraldou um portal de oportunidades promissoras para a cultura e a economia cearenses e foi encerrado com a promessa que servirá de estopim a outros projetos.
Na semana seguinte foi a vez de São Paulo levar a cabo outro seminário de três dias, que organizei também no quartel-general das indústrias do Estado, a FIESP – galardonado com uma mesa de abertura de peso, para dizer o mínimo. Iniciativa das Secretarias de Estado da Cultura e do Desenvolvimento (casamento, mais do que promissor, simplesmente fundamental), em parceria com o Comitê de Desenvolvimento do Município de São Paulo e as Nações Unidas, o seminário teve um padrinho de peso (a própria FIESP) e dois patrocinadores escolhidos a dedo: o BNDES, dada sua ação lapidar no desenvolvimento da economia da cultura e o SEBRAE SP, tendo em vista o perfil dos nossos produtores culturais e criativos. Com vinte peritos de onze países, o Fórum mobilizou 24 horas de ricos debates, 300 pessoas, 500 internautas (sim, houve transmissão em tempo real de todas as palestras) e 70 avatares (que marcaram presença via Second Life). A própria inscrição foi criativa, já que feita pela doação, por site de livraria, de pelo menos R$30 em livros para bibliotecas públicas paulistas. Para quem perdeu a oportunidade e para quem quiser um repeteco, todos os vídeos das palestras de 4 a 6 de dezembro estão disponíveis para download gratuito no site que desenvolvi especificamente para o seminário, www.economiacriativa.sp.gov.br, que traz ainda uma variada base de documentos e referências sobre o tema. E para mostrar que não se tratou apenas de um evento, mas sim do marco zero de uma fascinante trajetória, foi lançada no último dia do seminário a cátedra de Economia do Audiovisual, na Escola de Comunicação e Artes da USP.
Fechando essa tríade com chave de ouro, o Espírito Santo teve seu seminário encetado por uma ação conjunta da Secretaria da Cultura e do SEBRAE ES, organizado por Lala Deheinzelin e apresentou aqui também uma particularidade mais do que oportuna. Ao longo das semanas que o precederam, foram mapeadas todas as regiões do Estado, por meio de dezenas de oficinas que revelaram um sem-fim de talentos criativos e oportunidades locais. E, uma vez mais, ficou a promessa, por parte dos realizadores do evento, de que o seminário foi o começo e não o fim de um programa de economia criativa voltado ao desenvolvimento do Estado.
Resta agora torcer para que esses três seminários marquem também o início de vários outros momentos de debate e conscientização para concretizarmos o que nossa sabedoria popular sempre intuiu. Se a necessidade é a mãe da invenção, a criatividade tem não só valor, como preço. E é justamente nesse recurso único, de enorme valor agregado, que repousa uma de nossas maiores vantagens competitivas no jogo econômico mundial.
Ana Carla Fonseca Reis
A Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo abriu uma…
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) lançou a página Aldir Blanc Patrimônio,…
Estão abertas, até 5 de maio, as inscrições para a Seleção TV Brasil. A iniciativa…
Estão abertas, até 30 de abril, as inscrições para o edital edital Transformando Energia em Cultura,…
Na noite de ontem (20), em votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) no Congresso…
A Fundação Nacional de Artes - Funarte está com inscrições abertas para duas chamadas do…