12 anos depois: o retorno da TEIA Nacional de Pontos de Cultura

A afirmação de uma política de força nacional que nasce nos municípios

 

O último encontro Nacional de Pontos de Cultura foi há 12 anos. Foi antes da pandemia de Covid 19 que ceifou mais de 600 mil vidas no Brasil e deixou, no início, o setor cultural desamparado por precisar se reinventar sem o encontro presencial. Foi antes de termos o Ministério da Cultura destituído de seu lugar de representação máxima executiva, com documentos destruídos e políticas descontinuadas. Foi antes de um mundo muito mais conectado e interligado aos smartfones e Inteligência Artificial. Faz tempo…foi há mais de 1 década atrás.

E, agora, em Aracruz, Espírito Santo, viu-se que esse hiato deixou mesmo um buraco que precisava ser fechado. E isso porque só por meio do reencontro olho no olho que é possível reconhecer-se e reconhecer o outro: sua trajetória, suas qualidades, seus aprendizados e firmar novas estruturas de trabalho e convivência.

A 6ª Teia Nacional veio para isso. Para curar, por meio da acolhida de mais de 3 mil Pontos de Cultura e 4.5 mil pessoas presentes, as feridas que estavam abertas para podermos seguir.

fotos do histórico das TEIAS

Afirmo isso porque esteve presente no discurso de cada representante do governo, em cada ponteiro e ponteira, em cada representante estadual a contextualização do que foi vivido nesses últimos 12 anos, para então poder seguir.

Particularmente acompanhei as rodas de conversa e fóruns de debate com o poder público: gestores/executores da política na ponta, nos municípios e estados e gestores públicos do governo federal. E isso porque o meu interesse genuíno é entender o que está surgindo de melhorias e encaminhamentos para a continuidade da Política Nacional Cultura Viva. E aqui os 7 principais pontos que puder observar:

  1. Há problemáticas de acesso às informações e, portanto, ao financiamento para municípios menores (5 mil, 10mil habitantes), e com muitas áreas rurais. A exclusão digital é uma realidade muito bem vivida pelas ponteiras e ponteiros Brasil afora;
  2. As obrigatoriedades de execução de porcentagens dos valores recebidos em formação são bem-vindas, contudo, quando o orçamento é pequeno (R$ 25mil, por exemplo), fica praticamente inviável realizar, pois essa execução de formações realmente tira dinheiro das realizações culturais, prejudicando todo o planejamento;
  3. O reconhecimento da profissão e validação dos profissionais pareceristas é cada vez mais imperativo. E isso para seguir legitimando que quem deve avaliar a área cultural é quem trabalha com cultura, e não burocratas estranhos à realidade cultural e artística, principalmente estranhos aos territórios;
  4. Como muitos pontos de Cultura tem espaços próprios, as soluções e liberações orçamentárias para aquisição de bens e melhorias/reformas precisa existir e ser constantemente melhorada;
  5. As celebrações, festas cortejos e outros tipos de Festivais, por não estarem especificamente contemplados, ficaram de fora, e isso foi um erro, do ponto de vista de completude do que era necessário financiar com a verba oferecida; ***

*** o que pode começar a se alterar positivamente a partir da Portaria de Programa Festejos Populares do Brasil assinada pelo Presidente Lula no dia 20/05/2026

  1. A questão do transporte para fruição e realização das ações nos e dos Pontos de Cultura segue como eixo primordial, pois, como política pública cultural focada na base comunitária, a transposição das dificuldades de mobilidade da população precisa ser resolvida;
  2. A Política Nacional Aldir Blanc é a principal aliada da Política Nacional Cultura Viva, e a interligação e retroalimentação entre as duas é notória. E os aprendizados de uma são e devem ser aplicados na outra.

E, finalizando minhas observações, a principal pauta da TEIA foi a necessidade de fortalecimento da Política Nacional Cultura Vivia nos municípios. Essa foi a chave que foi virada nessa TEIA para o crescimento e continuidade de execução com excelência dessa política. Com certeza esse é um movimento difícil e desafiador, pois, de certa forma ele vem “de cima para baixo”, com o Governo Federal dando o 1º passo do reconhecimento e o financiamento, e os estados e municípios tendo que acatar essa validação e orçamento. Assim, nota-se que o Governo Federal tem como principal desafio ter maior capacidade de articulação com os governos estaduais e municipais para a real compreensão da potência e importância da Cultura Viva no cotidiano e economia das cidades. Então, o trabalho é árduo pela frente, e, de certa forma, de formiguinha, trabalhando na base. E, como trabalhadoras e trabalhadores da área da Cultura são conhecidos pela garra e por conseguirem driblar os mais perversos cenários, haverá muita evolução e conquistas!

Que venha a 7ª TEIA ano que vem! Com certeza estarei presente!

Larissa Biasoli

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