Em 2012 o Museu da Pessoa completa 20 anos de existência no Brasil. Olho para mais de 20 anos atrás e me vejo com uma ideia na cabeça e uma obsessão: construir uma rede global de histórias de vida que pudesse transformar as pessoas e a sociedade.  Naquele momento, nada me parecia mais importante e revolucionário!

Lembro-me claramente que, naquele tempo, a ideia, o nome, os objetivos e tudo o que envolvia a iniciativa do Museu da Pessoa era algo muito difícil de ser compreendido. Não havia internet, não havia blogs, ainda não tínhamos sido assolados (para o bem e para o mal) pela enorme quantidade de conteúdos produzidos por aqueles que, até então, eram apenas… o público! O Brasil saía da década perdida dos anos 80 e Collor estava no poder. Os problemas nacionais eram enormes e falar em memória, em história de vida de pessoas comuns era realmente um pouco fora de lugar.

Como começar? Por onde começar? Data deste tempo minha convicção de que, quando queremos realizar algo – se de fato queremos –, não importa por onde começamos e sim que temos mesmo é que começar. Por qualquer lugar. O movimento da ideia, como um novelo de lã, leva a outro movimento, que leva a outro, e assim por diante. E assim aconteceu durante esses anos. Tantas pessoas foram fundamentais para que o Museu da Pessoa existisse. Pessoas que abraçaram a ideia, que construíram, inovaram, acreditaram e por aí vai.

E o Museu, hoje com mais de 200 projetos realizados, 50 publicações, 48 exposições entre outros produtos, possui cerca de 15 mil histórias em seu acervo (que incluem narrativas de pessoas que contam, sob suas perspectivas, a história de empresas, instituições, sindicatos, comunidades e cidades). Olho para isso e penso: “É, este acervo é certamente um patrimônio nacional”.

Para finalizar, gostaria de chamar a atenção para algo em particular: o Museu da Pessoa, hoje é uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), nasceu, cresceu, consolidou-se e é uma instituição totalmente auto-sustentável no Brasil. Isso significa que a ideia foi aceita por muitos, patrocinada, comprada, multiplicada e viabilizada por muitos outros. Esta atitude demonstra, a meu ver, o quanto estamos em uma sociedade que se abre para o poder do empreendedorismo e da inovação. É só acreditar. E brigar pela ideia. E o que vem em seguida faz parte do caminho.

PS: se você tiver interesse em ler as 12 histórias marcantes do livro “20 anos de Museu da Pessoa no Brasil”, solicite o PDF pelo e-mail [email protected]


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Graduada em História pela Universidade Federal Fluminense (RJ), com mestrado em Lingüística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. É fundadora do Museu da Pessoa, um museu virtual de histórias de vida.

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