O ano de 2020 teve início com a demissão do secretário especial de Cultura do governo Jair Bolsonaro, Roberto Alvim, após divulgar um vídeo fazendo referências explícitas ao nazismo. Ele viria a ser substituído em março pela atriz Regina Duarte, que também se envolveu em diversas polêmicas nos meses seguintes, poucos dias antes da pandemia do novo coronavírus chegar ao Brasil.
Os cancelamentos dos eventos culturais fizeram com que o governo tomasse decisões como a MP 948, que trazia orientações sobre os procedimentos nesses casos, e instruções normativas com regras específicas para projetos incentivados pela Lei de Incentivo à Cultura impactados pela pandemia e procedimentos extraordinários referentes aos parcelamentos de débitos. Enquanto isso, o Escritório de Arrecadação e Distribuição (Ecad) anunciava uma medida emergencial de antecipação de pagamento de direitos autorais para artistas e compositores de baixa renda.
Em maio, a Câmara dos Deputados aprovava a Lei de Emergência Cultural, batizada de Lei Aldir Blanc, aprovada logo depois pelo Senado e sancionada por Bolsonaro em junho, quando a Secretaria Especial de Cultura passou a integrar oficialmente o Ministério do Turismo. Pouco antes, Regina Duarte anunciava sua saída, sendo substituída por Mário Frias, que logo deu início a uma série de demissões na pasta.
Em São Paulo, funcionários da Cinemateca se mobilizavam em prol da instituição, após interrupção no repasse dos mais de R$12 milhões anuais do governo federal. A prefeitura de São Paulo, por meio da Spcine e com o apoio da câmara de vereadores, decidiu ajudar no pagamento das contas atrasadas e, consequentemente, no retorno às atividades.
Em agosto, a Lei Aldir Blanc foi regulamentada. E em setembro, o Ministério do Turismo iniciou os repasses para estados e municípios dos recursos previstos.
Ainda em agosto, deputados e senadores derrubaram veto do presidente Jair Bolsonaro ao projeto de lei que prorrogava a vigência do Regime Especial de Tributação para Desenvolvimento da Atividade de Exibição Cinematográfica (Recine) e dos benefícios fiscais previstos na Lei do Audiovisual.
Em dezembro, a diretoria colegiada da Agência Nacional de Cinema (Ancine) decidiu cancelar os saldos de diversas chamadas públicas, enquanto produtores denunciavam atraso em aprovações da Lei Rouanet.
No dia 30 de dezembro, o governo federal anunciou medida provisória que prorrogava a execução dos recursos da Lei Aldir Blanc ao longo de 2021.
Como destaque do ano de 2020, republicamos matéria que abordou pesquisa feita pelo Itaú Cultural e Datafolha sobre os hábitos culturais do brasileiro durante a pandemia.
Itaú Cultural e Datafolha divulgam pesquisa sobre hábitos da cultura na web durante a pandemia
Por Redação CeM
Publicado originalmente em 21/10/2020
O Itaú Cultural e o Instituto de Pesquisas Datafolha divulgaram na última terça (20/10), uma pesquisa sobre os hábitos culturais na web durante a pandemia.
Por telefone, foram ouvidos 1.521 indivíduos, de 16 a 65 anos, em todas as regiões do país, entre os dias 5 e 14 de setembro. A pesquisa tem margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O levantamento indica que 57% dos brasileiros passaram a usar mais a rede, 36% mantiveram o padrão de acesso desde o início da suspensão social e 7% reduziram suas atividades virtuais. Além disso, 71% declararam acessar a web todos os dias, enquanto 29% estão no grupo dos que nunca acessam ou o fazem com pouca frequência.
De acordo com os dados apurados, 7% dos brasileiros não têm acesso algum à internet. A região Norte é a que tem o maior índice de desconectados no país, com 42% entre os que não acessam ou acessam pouco a web e seus conteúdos.
As regiões metropolitanas são, por sua vez, os recortes geográficos mais conectados do país, respectivamente, com 49% de indivíduos que declararam estar sempre ou quase sempre conectados. No interior o índice é de 41%.
O levantamento investigou também os hábitos de consumo cultural na web. Entre os que acessam a internet, 84% dizem ouvir música na rede, 73% declaram assistir filmes e séries e 60% dizem assistir shows no ambiente virtual.
A leitura de livros digitais foi mencionada por 38% do estrato dos que acessam a rede, mesmo índice dos que mencionaram cursos livres como atividade realizada no período.
Jogos eletrônicos foram apontados 34%, seguidos por webinars (32%), atividades infantis (28%), podcasts (26%), espetáculos de teatro (21%) e visitas a museus e exposições (17%). 5% não responderam.
“A pesquisa Itaú Cultural/Datafolha deixa evidente como o mundo cultural acolheu virtualmente as pessoas neste momento tão difícil para todos, como também o quanto os brasileiros estão usufruindo intensamente de conteúdos culturais neste território da web. O fenômeno só não foi mais vigoroso em virtude da desigualdade digital, que precisa ser vencida o mais rápido e amplamente o possível”, avalia Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural.
A intenção de continuar a fazer estas atividades virtuais após a pandemia cai ligeiramente em todos grupos. Mas entre os que assistem shows (60%) a queda é maior. A intenção de manter a prática cai para 53% após a pandemia (7 pontos percentuais de perda de adesão).
Assistir filmes e séries na web também perderá adeptos. 73% dizem adotar a prática neste momento de suspensão social, mas 69% pretendem continuar a realizar este tipo de atividade quando a crise for superada (uma retração de 4 pontos percentuais).
O consumo de atividades culturais na web é maior entre os indivíduos que frequentaram atividades presencias do gênero nos 12 meses anteriores à realização da pesquisa. Entre os que foram ao cinema neste intervalo, 87% declararam assistir filmes e séries na web (14 pontos percentuais a mais que os 73% da amostra geral que disseram praticar a atividade virtualmente).
Entre os que foram a shows, o consumo virtual da atividade alcança 72% (12 pontos percentuais a mais que o total dos 60% que declararam ter visto este tipo de espetáculo na internet durante a pandemia).
No caso de atividades infantis, a distância é ainda maior (42% contra 28%), fenômeno que se repete no caso de museus e exposições, segmento em que o consumo virtual é maior entre aqueles que vivenciaram atividades presenciais nos 12 meses anterior (36%) do que entre a amostra geral (17%).
Os brasileiros que realizaram atividades culturais durante a pandemia avaliam positivamente os impactos da prática para a saúde mental e a convivência social.
Para 58% dos entrevistados, o consumo de programação cultural na web provocou uma melhora no relacionamento com as outras pessoas da casa. O fenômeno foi especialmente impactante para os indivíduos entre 45 e 65 anos (segmento no qual o índice chegou a 66%) e para os indivíduos com menor escolaridade, estrato em que 65% declaram melhora no relacionamento doméstico. Os benefícios para o convívio em casa foram mais percebidos pelos homens (63%) do que pelas mulheres (54%).
De acordo com a pesquisa, 54%, declararam que as atividades culturais na web ajudaram a diminuir a sensação de solidão e 45% apontaram redução do estresse e da ansiedade. Para 44% o consumo de cultura virtual na pandemia contribuiu para melhorar a qualidade de vida de forma geral.
Os brasileiros também viram nas atividades virtuais um salto no acesso a cultura. 67% dos entrevistados apontaram melhora na democratização do acesso a conteúdo do gênero nas redes. Com este impacto positivo, 56% declararam ter ficado mais interessados no consumo de atividades culturais na web.
A pesquisa aferiu também o interesse dos brasileiros em participar de atividades online daqui para a frente. 57% dos internautas disseram ter interesse em acompanhar programas ao vivo com a participação de artistas, pensadores criativos e outros convidados discutindo arte, problemáticas atuais e ideias.
Vídeos pré-gravados com dicas para fazer ou produzir arte interessam a 48% dos entrevistados. Visitar exposições e museus online e acompanhar oficinas de criação para crianças é foco de interesse, em ambos os casos, de 47% das pessoas ouvidas.
Outras atividades culturais que despertam o interesse dos usuários são assistir a vídeos gravados que ensinam a observar arte (41%) e aulas de dança gravadas (39%). Ainda, 37% dos entrevistados manifestaram interesse em participar de projetos artísticos guiados e ao vivo. Conversas gravadas sobre música com especialistas são objeto de busca de 32% deles e 28% pretendem acompanhar aulas de teatro gravadas. Somente 20% dos entrevistados disseram não ter interesse em nenhuma das atividades mencionadas.
O levantamento também investigou quais as outras atividades online foram realizadas pelos internautas durante a pandemia. 81% dos entrevistados disseram ter usado a web para conversas e confraternização com amigos e família. Acessar cultos de diversas religiões foi apontado como atividade realizada por 48% da amostra.
Já 39% usaram a web para acompanhamento das atividades escolares com os filhos. Outros 35% usaram a web na pandemia para realizar doações e atividades voluntárias, entre outras ações do gênero. 34% acompanharam aulas online do curso regular do colégio e/ou faculdade em que estudam. Meditação online foi realizada por 23% dos usuários e 19% realizaram consultas por telemedicina.
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