Por mais de cem dias, a cultura brasileira estará na Bélgica, em Luxemburgo, na França, na Alemanha e na Holanda. Serão 130 shows, 60 apresentações de dança e 40 de teatro, 20 exposições de artes visuais e 80 conferências literárias.
É o Festival Europalia, realizado a cada dois anos na Bélgica, com extensão da programação para os países vizinhos (França, Alemanha, Países Baixos e Luxemburgo), que celebra a herança cultural de um país convidado, nesta 23ª edição, o Brasil.
A programação cultural do Festival é organizada pelo Ministério da Cultura (MinC), com investimento de cerca de R$ 30 milhões. Os recursos foram alocados no orçamento próprio do ministério e com incentivos da Renúncia Fiscal, tendo o patrocínio de grandes grupos empresariais brasileiros. Também apoiam o evento parceiros institucionais como o Ministério das Relações Exteriores (MRE), a Embaixada do Brasil em Bruxelas, a Fundação Nacional de Artes (Funarte), o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Cinemateca Brasileira, entre outros.
Em entrevista à Agência Brasil, a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, disse que a expectativa é que mais de 2 milhões de pessoas participem dos eventos.
Como estão as expectativas em torno do 23º Europalia?
Ana de Hollanda – Com certeza, a expectativa é muito grande. É que agora eles [os europeus] decidiram escolher entre os homenageados os Brics [grupo formado pelo Brasil, a Rússia, Índia, China e África do Sul]. O Brasil é uma país que está superando a crise [econômica internacional] e as dificuldades. O europeu está olhando para o Brasil e quer conhecer esse país que tem toda uma diversidade étnica e cultural.
A senhora, então, percebe mudanças na forma como o europeu olha para o Brasil?
Ana de Hollanda – Sim, claro. O europeu está olhando para nós e pensando: ‘Que país é esse?’ E os europeus estão pensando assim: ‘Vamos conhecer esse país’. A expectativa é que mais de 2 milhões de pessoas ou até mais participem da programação porque pega não só a Bélgica, mas vários países da Europa.
A presidente Dilma está emocionada de abrir o maior festival da Europa?
Ana de Hollanda – A presidenta está muito contente e fascinada com o que vai ser apresentado aqui. Temos [uma programação com] pensadores e todas as linguagens. Os europeus estão agora com interesse de conhecer o brasileiro, quem é esse brasileiro e conhecer o nosso povo.
A programação é bastante ampla para este festival, não é?
Ana de Hollanda – A gente quis mostrar a imagem não estereotipada do Brasil. É gente que faz um trabalho excelente e que a Europa não conhece. São 1.500 obras que vêm desde o Aleijadinho, passando pela primeira missa no país. É um retrato do Brasil que nunca foi mostrado aqui, até os dias de hoje, com os contemporâneos.
Como foi a escolha para 130 shows, 60 apresentações de dança e 40 de teatro, 20 exposições de artes visuais e 80 conferências literárias?
Ana de Hollanda – Há muita gente boa, que nem sempre são os artistas mais famosos, a gente se preocupou em não ficar naquela mesmice. Quando a gente buscou artistas, quis trazer quem faz um trabalho excelente e que nem sempre a Europa conhece. [Porque há uma tendência em ver o Brasil com uma visão] estereotipada. E o Brasil é um país indecifrável.
O Brasil teve de investir R$ 30 milhões, foi difícil?
Ana de Hollanda – Conseguimos com muito apoio e deu certo. Não foi fácil. Mas houve apoio do Ministério das Relações Exteriores, da Lei Rouanet [que institui políticas públicas para a cultura] e da iniciativa privada, além da reorganização do orçamento [do próprio ministério].
Confira aqui a programação completa do festival.
*Com informações do site do MinC e da Agência Brasil