A universidade brasileira debruça-se multidisciplinarmente sobre a cultura, numa perspectiva antropológica, para estabelcer uma troca de saberes com a sociedade que poderá representar uma aplicação real e prática de seu acervo teórico.
O Estado brasileiro tem uma longa história de relação com a cultura. A elaboração de políticas para o setor, com um caráter perene, entretanto, datam apenas de 1930. Depois disso, um longo período de silenciamento militar a partir da década de 60. Imperou, nos anos 80 e 90, o silêncio do mercado e com ele o não-diálogo sobre políticas culturais.
Segundo o antropólogo mexicano, Eduardo Nivón Bolán, a política cultural como uma ação global e organizada é algo que surge no período pós-guerra, por volta da década de 1950. Até então, o que se verificava eram relações, de tensão ou não, entre o campo político, cultural e o artístico em geral, gerando atos isolados. A institucionalização da política cultural constitui, portanto, uma característica dos tempos atuais.
Somente recentemente, talvez como fruto de uma nova perspectiva de propostas públicas para o setor, com políticas culturais que cotemplam a propositura de assumir a centralidade da Cultura em processos de desenvolvimento social, econômico, educacional e turístico, a academia brasileira, finalmente, debruça-se sobre as transformações culturais contemporâneas e abre espaço para estudos multidisciplinares que dêem conta de assimilar, em uma perspectiva antropológica, as transformações que acontecem informal e rapidamente na sociedade.
Deste deslocamento sutil do eixo de percepção e do aumento da receptividade, a universidade brasileira pode extrair uma nova qualidade de saber mais próprio à resolução de problemas reais, por meio de pesquisas que compartilham o conhecimento de como lidar com as novas tecnologias sociais que estes próprios estudos revelam.
Ao empenhar-se em tal jornada, a academia necessariamente ampliará o debate sobre as pautas culturais emergentes e pungentes, já que represedas por tantas décadas de enclausuramento. Pautas que, se apropriadas pelos estudantes e por todo o entorno social da universidade, serão protagonistas da condução do país à “mobilização do sentimento, da imaginação, da compreensão da nossa relação com o mundo, os outros e a natureza, prazer estético, reconhecimento social e econômico”, como nos lembra o Ministro Gilberto Gil.
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