A atual situação da Cidade da Música

Reportagem do jornal O Globo publicada neste domingo (30/1) mostrou que paralisações da obra e altos custos com materiais importados são os principais fatores que dificultam a finalização da Cidade da Música, no Rio de Janeiro.

Dois anos após o concerto de “inauguração” do prédio inabadado, no fim do governo Cesar Maia, ainda há 500 operários trabalhando para terminar a obra, iniciada há quase uma década. De acordo com relatório do Tribunal de Contas do Município (TCM) ao qual o Globo teve acesso, a demora deve-se a exageros no projeto e a mais de mil dias de paralisação.

Após a mudança de gestão, o prefeito Eduardo Paes interrompeu a obra durante um ano e meio, com o argumento de que era necessário uma auditoria sobre o que havia sido feito.

Muitas críticas foram feitas à construção da Cidade da Música, entre elas a questão da localização – na Barra da Tijuca, bairro distante do Centro do Rio e ainda sem estação de metrô – e o custo elevado da obra. Em 2002, o então secretário municipal de Cultura, Ricardo Macieira, disse que custaria R$ 80 milhões. O orçamento final do projeto passa de R$ 500 milhões.

Antônio Carlos Flores de Moraes, conselheiro do TCM responsável pelo relatório de inspeção extraordinária na Cidade da Música, concluído em dezembro, afirmou que a CPI da Câmara dos Vereadores não encontrou irregularidades. “O que houve foi exagero no material e muitas mudanças no projeto, que encareceram e atrasaram a obra”, explicou, citando como exemplo um lustre importado que estava orçado em R$ 2 milhões, mas que será substituído por um similar nacional de R$ 200 mil.

A prefeitura afirma que em julho será inaugurada a Cidade da Música. Mas Flores de Moraes acredita que isso só deve acontecer no final do ano, pois muita coisa está sendo refeita, inclusive a parte acústica.

O secretário municipal de Obras, Alexandre Pinto, concorda que houve um excesso de materiais importados no projeto, mas afirmou que não pode dizer se os gastos do governo anterior foram bem ou mal efetuados.

A equipe do Globo visitou as dependências da Cidade da Música. De acordo com a reportagem, as áreas externas necessitam apenas de limpeza e poucos acabamentos. Mas, todos os espaços para espetáculos e ensaios ainda estão inacabados. Na Grande Sala de Concertos, as 1.800 poltronas foram retiradas e levadas para depósitos enquanto são feitos ajustes nos tetos, e só devem voltar em abril. Na Sala de Música de Câmara, com 800 lugares, o revestimento das paredes começou a ser colocado recentemente, mas o teto e o palco giratório ainda não foram instalados. Enquanto isso, operários vêm preparando a madeira que vai servir de isolamento acústico na sala de ensaio de orquestra, uma das sete da Cidade da Música.

O espaço terá ainda uma Sala Eletroacústica, dez salas de aula, três salas de cinema, lojas, uma midiateca, um restaurante e uma cafeteria. Nada está pronto para uso. Os cinemas, o restaurante, as lojas e a cafeteria ainda passarão por um edital para uso dos espaços por empresas privadas.

*Com informações do jornal O Globo

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