
Embora os efeitos econômicos da crise sejam os mais alarmados e comentados pela mídia, precisamos nos dedicar um pouco do nosso olhar para as suas reais causas, de natureza ética e cultural.
Vivemos mecanicamente num mundo onde o capital e a especulação sobre os recursos naturais e a subjetividade humana se sobrepõem a qualquer outra necessidade. O lucro tornou-se um objetivo em si. O bem estar social, a igualdade e a solidariedade cristalizaram-se nos livros de história. Em nome da liberdade de todos, promovemos os interesses de um número cada vez menor de pessoas.
Mas se a crise é cultural e ética, por que então movemos todos os esforços para resolver as questões econômicas que, em última análise, desencadearam a angústia e o deusdará? Simplesmente por que nos desconectamos por completo da dimensão ética e cultural da vida em sociedade.
O Brasil vive um momento histórico importantíssimo. Conquista, passo-a-passo, avanços sociais internos e, ao mesmo tempo, insere-se de maneira definitiva na arena global, com voz e gesto. Não existe melhor oportunidade para retomarmos valores e princípios em nossa sociedade diversa, pacífica e sustentável.
À sociedade civil, que vive os efeitos da crise, mas não sofre as pressões políticas de lobbies e defesas de interesses, cabe o reconhecimento dos esforços governamentais e o diálogo. Mas precisa fazer barulho para sobrepor os grandes interesses da nação sobre as miudezas.
Por isso, a importância da proposta de articulação nacional iniciada pelo Instituto Pensarte. Precisamos deixar as diferenças de lado e criar um laço de união entre todos os agentes envolvidos com a questão cultural.
É agora ou nunca!