
Encarregado de proteger o patrimônio material e imaterial da sociedade, o acervo dos seus criadores, a produção dos seus artistas consagrados e dos seus artistas emergentes, o MinC, entregue por Lula à Bahia em Ministério, Fundação Palmares, Biblioteca Nacional, Secretaria de Audiovisual e quejandos acertou pouco e se perdeu no principal.
A demanda era enorme. E centenária. Os centros históricos brasileiros estavam infestados de cupins e crack. Continuam. A memória escrita, visual e iconográfica do País estava perdida, se perdendo ou ameaçando se perder. Continuam. A Lei Rouanet era imprópria à democratização cultural que os ministros Gil e Juca prometeram. Continua em vigor no penúltimo ano do ministério. E o vale-cultura sofre de pequenez intelectual.
O MinC fez blábláblá, palavra de ordem e congresso de Ibiúna em excesso, muito discurso e pouquíssimas ações numa Aldeia Global onde ação e discurso estão inseparáveis e onde cultura é marcação de território com urina. Investiu horrores em cinema, mas nada nos teatros que formatam os atores que o cinema precisa, e coisa nenhuma na leitura que formata espectadores de cinema, de teatro e de brasileiros menos violentos, ignorantes e consumistas.
Para além do blábláblá, fez os pontos de cultura, sua melhor idéia, ousada, moderna, capaz de tornar o Brasil intelectualmente maior e geograficamente menor, quando funcionar… Para que funcionem, os pontos precisam de artistas e pensadores que os recheem de conteúdo, porque sem conteúdo eles não servem pra nada… Além disso, o MinC não pode ser acusado de nepotismo porque Salvador, criadora de culturas originais, por natureza, capital ou terra natal dos gestores que passaram ou estão no Ministério, encontra-se em estado de penúria criativa.