Promovida por editoras médias e pequenas, a feira é uma oportunidade sadia de os editores apresentarem o perfil de suas empresas em um ambiente que os recebe dentro de suas expectativas.Priscila Beltrame
O mercado editorial se agitou nos últimos dias com eventos como a Primavera de Livros, promovida por 56 pequenas e médias editoras cariocas, paulistas e mineiras. Trata-se de um mercado crescente e que tem atraído atenções em vista do potencial do público brasileiro, mas que necessita de implementações para recepcionar iniciativas de editoras pequenas e médias que buscam tornar seus livros conhecidos ao grande público. Exemplo disso são as grandes feiras de livros que acontecem nas principais cidades do país, com destaque notável às bienais organizadas pela Câmara Brasileira do Livro, como eventos de grande porte onde os eventos paralelos desviam os olhares da estrela maior do evento, o livro.
Entretanto, neste ano a iniciativa da Primavera de Livros demonstrou um poder de organização e de qualidade dos livros, com um expressivo resultado de vendas (14 mil exemplares). Esta feira adotou conceitos que igualavam sua exposição, dando destaque distintivo para os livros expostos. Ao contrário das bienais, não se esperou criar divisões de espaços que reduzissem a visibilidade das pequenas editoras.
As 56 editoras que participaram da Primavera de Livros compartilham dificuldades e elegem caminhos semelhantes para seus compromissos com a divulgação da cultura. Também optaram por uma programação paralela conjunta, realizada em espaços separados dos stands das editoras, para fruição do público em geral e não de uma empresa específica.
Não se trata de um confronto direto com as grandes editoras, mas de uma oportunidade sadia de os editores apresentarem o perfil de suas empresas em um ambiente que os recebe dentro de suas expectativas.
Foi de grande valia os apoios que a Primavera de Livros recebeu da prefeitura do Rio de Janeiro e da RioArte, e de empresas, como o Bradesco, a Gráfica Donnelley e o Jockey Club do Rio de Janeiro. Estes apoios viabilizaram o evento ao mesmo tempo em que creditaram seus apoios na realização de uma proposta séria e diferenciada do que o mercado tem visto. Graças a força encontrada, a feira conseguiu entrar no calendário cultural da cidade.
Em 2002 o evento deverá ocorrer em São Paulo, buscando apoios também por aqui.
Mais uma vez o ideal de democracia fala por todos e, em um conceito simples e homogêneo, a agitação do mercado editorial continuará a fervilhar uma produção cultural responsável e competente.