Professor titular da UFBA e pesquisador, ele está por trás da RedeCult, que objetiva aproximar profissionais e instituições que se dedicam ao estudo da cultura.
Professor titular da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), pesquisador do CNPq e coordenador do Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura da UFBA, em sua trajetória Albino Rubim vem estudando questões como comunicação e política (é autor de “Mídia e Política no Brasil”), Idade Mídia e as relações contemporâneas da cultura com a sociabilidade.
Ele está agora por trás da RedeCult, uma Rede de Estudos em Cultura que objetiva possibilitar e estimular o intercâmbio de informações, conhecimentos, estudos, publicações e agendas e também a cooperação entre pessoas e instituições que atuam nos estudos da cultura.
O Professor conta que a idéia da Rede nasceu em dois encontros ocorridos em Salvador em 2005: o I Encontro de Estudos Multidisciplinares da Cultura e o IV Campus Euroamericano de Cooperação Cultural. Segundo ele, a tentativa é de articular profissionais e instituições voltadas ao estudo (acadêmico ou não) da cultura e fazer circular informações acerca da cultura e principalmente de seus estudos. “Nesta angulação, não me parece que a RedeCult se confunda com outras redes existentes na área da cultura, que em sua maior parte aglutinam gestores públicos e privados, produtores, artistas, intelectuais, profissionais etc e têm focos de atuação distintos”.
A conclusão é reforçada por uma pesquisa realizada em 2004 para a Catedral Andrés Bello – UFBA, e que foi publicada em livro na Colômbia este ano. “Constatamos ao estudar as Políticas e Redes de Intercâmbio e Cooperação em Cultura no Âmbito Iberoamericano que poucas redes em nosso região se dedicavam especificamente aos estudos em cultura”.
Albino explica que a RedeCult foi criada “porque um dos componentes relevantes para o desenvolvimento pleno da cultura é, sem dúvida, a existência de uma forte e qualificada área de estudos, pesquisas, críticas, reflexões, investigações e cooperação em cultura. Tal área é imprescindível para a formação em cultura; para a construção de políticas culturais mais consistentes; e para o fortalecimento da cultura, através do conhecimento e debate crítico de sua produção. Enfim, sem estudos em cultura o próprio desenvolvimento cultural está em questão e, até mesmo, pode entrar em colapso.”
Contando atualmente com mais de 400 participantes no Brasil e exterior, especialmente na Iberoamerica, a RedeCult pretende colaborar para o desenvolvimento cultural brasileiro, juntamente com outras redes e instituições já existentes na sociedade civil. Albino deixa claro que a Rede não tem como objetivo articular a “classe cultural” no país. “Isto seria por demais pretensioso e, mais grave, desconheceria a diversidade e a complexidade que caracterizam e devem constituir necessariamente o campo cultural no Brasil.”
Ele é reticente quanto à visão da internet como sendo um reduto onde a tão desejada democratização da comunicação pode se processar. “Penso que uma nova tecnologia vem sempre acompanhada por mitos de democratização imanentes. Em sua emergência inicial as tecnologias podem trazer inúmeras possibilidades e potencialidades democratizantes. Mas a sua captura pelos interesses capitalistas e de mercado já reduziram muitas destas potencialidades e possibilidades. Os portais, as grandes empresas da área da internet já controlam muito do espaço eletrônico”. Ainda assim, entende que a internet tem alguns dispositivos que oferecem potencial para uma comunicação e uma cultura mais independentes e democráticas.
Rubim diz esperar que a RedeCult possa ajudar a aglutinar e consolidar uma qualificada e consistente área de estudos em cultura no Brasil e internacionalmente. “Esperamos que todos aqueles que desejam participar de tal empreendimento possam utilizar a rede da melhor maneira possível e que ela sirva para dar contornos rigorosos, inclusive institucionalmente, a uma área multidisciplinar de estudos e conhecimento em cultura.”
s://www.listas.ufba.br/cgi-bin/mailman/listinfo/redecult-l
André Fonseca