Ana de Hollanda nega que vá deixar Ministério da Cultura

Em encontro de cerca de três horas com artistas e entidades do setor cultural, nesta terça-feira (10/5), na Assembleia Legislativa de São Paulo, a ministra Ana de Hollanda negou que vá deixar o cargo. A informação é da Folha de S. Paulo.

O ministério foi duramente criticado pelo atraso no pagamento de convênios e contratos e por não ter ainda lançado novos editais nas diferentes áreas da cultura – marca da gestão do ex-ministro Juca Ferreira.

Os ataques mais contundentes, no entanto, vieram na forma de uma carta à presidente Dilma Rousseff, redigida pelo movimento Mobiliza Cultura – organização ligada à cultura digital – e lida em voz alta no auditório. “Ao bloquear o processo de reforma da Lei dos Direitos Autorais, ignorando as manifestações recebidas durante seis anos de debates, 150 reuniões realizadas em todo o país, nove seminários nacionais e internacionais, 75 dias de consulta pública através da internet que receberam 7.863 contribuições, a ministra afronta todo um enorme esforço democrático”, dizia o documento.

Ana, que comentou cada uma das críticas apontadas à gestão do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), ao atraso nos pagamentos e à burocratização dos processos do ministério, disse que não iria falar sobre a carta por ser esta “dirigida à presidenta”.

Apesar do clima de hostilidade, não havia um movimento organizado pedindo a saída da ministra. Ao deixar o auditório, o diretor teatral Zé Celso Martinez Corrêa disse que “não quer que ela saia”, mas ressaltou que “ela não pode ignorar as reivindicações expressas na carta”.

“Não adianta nada ela cair e continuar a mesma coisa. O pecado capital desse ministério foi não ter reagido ao corte de Orçamento. Essa é a hora em que a ministra precisa convocar a classe artística e dizer “não vamos aceitar isso”. Ela ficou calada e vem tomando medidas solitárias”, disse o diretor.

A cineasta Tata Amaral, vencedora de um edital no fim do ano passado, reclamou de ainda não ter sido paga. “Quando vão honrar o compromisso?”

Segundo Ana, contratos milionários assinados pela gestão anterior comprometeram o orçamento deste ano. Embora muitos tenham declarado ter “simpatia” pela figura da ministra, circulava na plateia a ideia de que ela não dialoga o suficiente com o meio.

“Tenho muitos amigos que passam dificuldades vivendo de arte. Quando a presidenta Dilma me chamou ela conhecia meu currículo. Ela sabe que eu não ando com a elite. Vou da elite à periferia”, declarou ela.

Ana deixou o auditório sem falar com a imprensa, escoltada pela Polícia Militar.

*Com informações da Folha de S. Paulo

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