Bartolomeu Campos de Queirós, com o livro “Vermelho Amargo”, e Suzana Montoro, com “Os hungareses”, são os grandes vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura 2012.
Morto em janeiro deste ano, Bartolomeu foi o vencedor in memoriam da categoria Melhor Livro do Ano, com uma obra considerada “inesquecível” pelo júri. Já Suzana Montoro recebeu o prêmio da categoria Melhor Livro do Ano – Autor Estreante, com um texto que se destacou pela linguagem fluente e sensível. Os nomes foram revelados nesta segunda-feira (24/9) em cerimônia no Museu da Língua Portuguesa.
O Prêmio São Paulo de Literatura é promovido pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo desde 2008. Inspirado no britânico Booker Prize, é focado especificamente em romances e aberto a autores de todo o país – neste ano concorreram romancistas de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná e Bahia.
Cada vencedor recebe R$ 200 mil. Atendendo ao regulamento, o prêmio destinado a Bartolomeu Campos de Queirós será entregue a seus herdeiros legais.
Os dois vencedores foram escolhidos a partir da lista de 20 finalistas – 10 em cada categoria – por um júri final composto por cinco profissionais ligados ao meio literário: a professora Helena Bonito Couto Pereira (Letras/Mackenzie), o escritor e professor Fernando Augusto Magalhães Paixão (USP), o livreiro Lucio Claudio Zaccara, o crítico literário Fábio Lucas Gomes (membro da Academia Paulista de Letras) e o bibliotecário Djair Rodrigues de Souza.
Na justificativa pela escolha de “Vermelho Amargo” (Editora Cosac Naify) como o Melhor Livro do Ano, o júri considerou que o texto tem “intensa qualidade poética” e que, apesar de curto, “expressa com densidade reflexiva a vivência subjetiva do personagem principal”. No romance de Bartolomeu Campos de Queirós, um narrador em primeira pessoa revisita a dolorosa infância, marcada pela ausência da mãe e a convivência com uma madrasta indiferente, que leva o personagem e seus irmãos a desenvolver comportamentos estranhos para suprir a ausência de afeto.
Já “Os hungareses” (Ofício das Palavras) foi apontado como o Melhor Livro do Ano de autor estreante pelo “texto fluente e sensível, capaz de articular diferentes histórias sem perder a unidade”, segundo justificativa do júri. O romance de Suzana Montoro recupera a saga de um grupo de imigrantes húngaros tentando se estabelecer no interior de São Paulo; um dos temas centrais do livro é o processo cultural de mudança de nacionalidade. Os hungareses foi publicado com apoio do Programa de Ação Cultural (ProAC), mantido pela Secretaria de Estado da Cultura, tendo sido selecionado no edital para apoio à publicação de livros de 2010.
*Com informações do site da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo