
Em carta aberta,11 integrantes do Conselho Nacional de Política Cultural cobram vagas para profissionais das artes nos quadros do MinC. Segundo eles, a importância do conhecimento artístico para a compreensão e o manejo do patrimônio cultural é menosprezada pelo IPHAN e IBRAM, cujos concursos recentes foram direcionados exclusivamente às ciências humanas e sociais.
Quem quiser aderir ao manifesto (abaixo), pode acessar: s://www.petitiononline.com/ib10/petition.html (224 assinaturas até 2/3 ao meio-dia).
“Os artistas abaixo assinados, integrantes do Conselho Nacional de Política Cultural -(CNPC), como representantes dos segmentos artísticos da sociedade civil, manifestam seu repúdio ao EDITAL Nº 1 do INSTITUTO BRASILEIRO DE MUSEUS-IBRAM, solicitando ao Exmo. Sr. Ministro da Cultura que ordene sua imediata suspensão e reformulação.
Não bastava o Ministério da Educação, através de suas Universidades Federais, manter longe de seus quadros profissionais de diversas artes formados por elas próprias, por conta de seu equivocado Plano de Carreira (Lei 11.091/2005), conforme já denunciado por nós, em moção entregue em mãos ao Ministro Haddad.
Agora é o próprio Ministério da Cultura que ignora solenemente as artes!
Em 2009, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) já realizou concurso para 26 técnicos nas áreas de Arquitetura e Urbanismo, Arqueologia, Antropologia, Arquivologia, Biblioteconomia, Conservação-Restauração de Bens Culturais Móveis e Integrados, Educação, Engenharia Civil, História e Museologia. Nada contra, mas por que apenas 1 com formação em História da Arte?
Agora é o recém-criado IBRAM, cujo edital, com inscrições encerradas dia 23/2/2010, oferece 184 vagas para candidatos graduados em Administração, Economia, Análise de Sistemas, Contabilidade, Engenharia, Psicologia, Comunicação, Relações Internacionais, Arquivologia, Antropologia, Arqueologia, Arquitetura, Biblioteconomia, História, Museologia e Sociologia. Outras 47 poderão ser preenchidas por diplomados em “quaisquer ciências humanas e sociais”. Àqueles que se dedicaram ao estudo das diversas artes, restam eventualmente as 6 vagas de “Analista I”, para graduados “em qualquer especialidade”!
Pergunta-se: onde os saberes artísticos encontrarão reconhecimento? Quando a “gestão cultural” federal sentirá necessidade deles? Que patrimônio cultural é este, que exclui gravações musicais, indumentárias e registros de danças populares e de literatura oral? Que museus são estes, que não abrigam em seus acervos pinturas, esculturas, partituras? Publicações, vídeos e todo o tipo de documentos sobre teatro e circo?
Na certa não são os museus brasileiros, os existentes ou os que pretendemos construir.
Não podemos ficar calados diante deste erro grave, de consequências duradouras, cometido em pleno nascimento de uma instituição tão importante, sonhada e festejada por todos nós militantes da cultura e das artes.
Com a palavra, o Sr. Ministro.”