O ator espanhol Javier Bardem e vários cineastas fizeram um apelo aos internautas nesta terça-feira (19/7), a apoiar os setores de produção cultural criativa que lutam para sobreviver à era da pirataria digital, evitando fazer downloads ilegais de filmes e música gratuitos.
O diretor de cinema Iain Smith, o produtor egípcio Esaad Younis e o produtor e diretor indiano Bobby Bedi se uniram a Bardem para lançar um pedido por um novo tratado global para proteger os direitos dos atores e criadores de conteúdos audiovisuais.
Bardem, premiado com o Oscar e visto atualmente nos cinemas em “Biutiful”, disse sobre a indústria do cinema: “Mais de 90 por cento das pessoas que trabalham no setor enfrentam problemas sérios para pagar seus aluguéis, suas contas e até mesmo comer. A remuneração é crucial, não para mim, mas para os 90 por cento que enfrentam problemas sérios para ganhar a vida.”
Bardem disse em coletiva de imprensa que, diferentemente do que acontece com diretores, roteiristas e músicos, os direitos dos atores não são protegidos pelas leis internacionais atuais de direitos autorais. “Nós, atores, contribuímos com outra coisa. Em certo sentido, somos autores.”
Aludindo às pessoas que descarregam filmes na Internet sem pagar, ele falou: “As pessoas pensam que estão prejudicando o produtor que viaja de jatinho particular ou tem cinco piscinas ou o ator de Hollywood com três mansões em cada cidade. Elas se enganam. Estão prejudicando pessoas que mal conseguem ganhar a vida.”
Graças à tecnologia digital, tornou-se fácil e barato descarregar novas obras culturais instantaneamente em qualquer parte do mundo. “Isso permite o roubo de nosso produto de alta qualidade. Só que isso não é visto como sendo roubo”, disse Bardem.
Iain Smith, produtor nascido na Escócia cujas obras incluem “Sete Anos no Tibete”, disse que o sonho de Hollywood se tornou um “pesadelo de Hollywood”. “A pirataria é uma ameaça enorme. Ela já provocou uma perda maciça de receita à indústria cinematográfica americana e a outras”, afirmou ele, estimando que apenas a indústria do cinema dos EUA perdeu 25 bilhões de dólares no ano passado.
“Avatar” já foi descarregado ilegalmente 16,5 milhões de vezes, seguido por “Kick Ass – Quebrando Tudo” (11,4 milhões de vezes), ao mesmo tempo em que a venda de ingressos para o cinema vem caindo, disse Smith. “O público quer magia, mas a magia tem um preço. É preciso que haja um contrato entre o dinheiro e a arte, o investimento e a criação.”
Bobby Bedi disse que a tecnologia digital oferece uma oportunidade de desenvolvimento para o cinema. “Mas, se for mal utilizada, pode ser um problema imenso para nós. A pirataria é a maior maldição de meu setor”, disse ele.
*Com informações de O Globo Online