Divulgado pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, relatório aponta evolução do setor nos seis anos da gestão. Dos R$ 646, apenas R$ 75 milhões vieram do governo
Cinema na era FHC
Matéria publicada hoje, dia 29 de novembro, no O Estado de S. Paulo, divulga o balanço do cinema na gestão de Fernando Henrique Cardoso feito pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura. O relatório, coordenado pelo secretário José Álvaro Moisés, tem 89 páginas, gráficos e anexos e considera o período entre 1995 e outubro de 2002.
Processo de retomada
Segundo a matéria, no período, visto como o da “retomada” do cinema nacional, o governo estima que ajudou a produzir 1.199 filmes: 190 longas-metragens, 669 curtas-metragens e 340 documentários. Em oito anos, investiu R$ 646 milhões nessa produção, um aporte de recursos que também teria possibilitado o surgimento de “cerca de 60 novos cineastas e a conquista de mais de 200 prêmios em festivais nacionais e internacionais”.
Renúncia fiscal
Desses R$ 646 milhões, porém, apenas R$ 75 milhões (cerca de 12% do total) saíram diretamente dos bolsos do governo. O restante veio da renúncia fiscal, sistema amparado em duas leis (Lei Rouanet e Lei do Audiovisual). Dos 190 longas relacionados, 3 foram indicados para o Oscar de melhor filme estrangeiro. Para o governo, o porcentual de filmes lançados quintuplicou entre 1995 e 2002, passando de 5,4% para 26,9%.
Acesso à tela grande
Outro resultado apresentado como positivo pela matéria foi o aumento do público brasileiro nas salas de cinema para assistir a filmes nacionais. De 36 mil espectadores em 1992, o Brasil passou para quase 7 milhões de espectadores em 2001. Houve também significativo aumento do volume de investimentos em projetos audiovisuais cinematográficos, crescendo de R$ 27 milhões, em 1995, para R$ 112 milhões em 2001. Somente nos três primeiros anos do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso foram investidos mais de R$ 230 milhões no setor e, nos oito anos de governo, o total de R$ 646 milhões investidos representou um aumento de mais 50% (comparando-se com os recursos investidos em 12 anos de existência pela Embrafilme).
Mercado exibidor
De acordo com o jornal, os anos mais generosos com o cinema brasileiro foram 1997 e 1998. Neste último ano, o filme ?O Que É Isso, Companheiro??, de Bruno Barreto, foi indicado para o Oscar, e Coração Iluminado, de Hector Babenco, foi concorrente no Festival de Cannes. De 1995 a 2002, o Ministério da Cultura empenhou-se, através da ação de sua Secretaria do Audiovisual, no fomento e na difusão do audiovisual e do cinema no País. Para tanto, definiu-se, em primeiro lugar, a meta prioritária de elevar a participação do produto brasileiro no mercado de exibição nacional de 0,05%, em 1992, para 20%, em 2003, meta ultrapassada se for levado em conta o número de filmes nacionais lançados no período em relação ao número de lançamentos estrangeiros.
Balanço positivo
Em suas ponderações finais, o relatório considera que a atuação do governo Fernando Henrique Cardoso mudou significativamente a situação do setor cinematográfico no País. “Cresceu a produção de filmes brasileiros, aumentou a sua visibilidade e melhorou a sua qualidade. Foi uma história de êxito, que, em conseqüência, trouxe novas realidades, inclusive, a percepção de novos problemas – a exemplo da questão da distribuição dos filmes nacionais -, e isso, entre outras coisas, mostrou que era necessário o estabelecimento de uma nova relação entre o Estado, o cinema e a iniciativa privada.”
Ancine
Segundo a secretaria informou ao jornal, a conseqüência disso foi a criação, em 2001, da Agência Nacional do Cinema – Ancine, levando a uma nova definição de papéis dos órgãos do Estado dedicadas ao cinema. Na verdade, a criação da Ancine decorre de uma reivindicação organizada dos produtores e cineastas, que pressionaram o governo para a instituição da agência. “Nesta nova divisão de papéis, cabe à Secretaria do Audiovisual a responsabilidade pela dimensão propriamente cultural da atividade audiovisual no País”, conclui o texto.
Copyright 2002. Cultura e Mercado. Todos os direitos reservados.