O empresário Manoel Pires da Costa, novo presidente da Fundação Bienal, fala ao Cultura e Mercado sobre a linha administrativa que pretende seguir e as dificuldades de fechar patrocínios. Conheça a história da instituiçãoEntrevista a Sílvio Crespo
A Fundação Bienal de São Paulo elegeu no dia 16 de julho o seu novo presidente, o empresário Manoel Francisco Pires da Costa, único candidato para a sucessão do arquiteto Carlos Bratke.O empresário foi indicado por alguns ex-presidentes da Fundação Bienal, e tem o apoio de importantes conselheiros da Bienal, como Julio Landmann, Edemar Cid Ferreira e Roberto Muylaert. O próprio Carlos Bratke participará da nova diretoria. Apesar disso, Pires da Costa afirma que sua administração não será apenas uma continuidade da anterior. Leia entrevista exclusiva ao Cultura e Mercado, da qual também participou o vice-presidente da instituição, Pedro Paulo Sena Madureira.
Conheça a história da Bienal de São Paulo
O seu nome foi indicado por alguns ex-presidentes da Bienal, inclusive Carlos Bratke, o último presidente, que participará da nova diretoria. O senhor, portanto, pretende dar continuidade à linha de administração que vem sendo tomada?
Continuidade no sentido de espírito, de objetivo. Para mim, é um honra ter o ex-presidente na atual diretoria. Mas cada presidente é um presidente, e tem a sua personalidade. O último presidente teve o bom-senso e a coragem de fazer um rompimento com o passado, e uma adaptação à realidade. Uma decisão inteligente da última administração da Bienal foi não tomar o espaço dos grandes museus. Há 50 anos, quando foi fundada a Bienal, não existiam o Masp, a Pinacoteca, a FAAP, o MAM, a Oca…
Então, as Bienais, de agora em diante, por várias razões, inclusive pela questão do custo, não apresentarão o núcleo histórico. Porque isso já é apresentado todos os dias por todos os museus. Disseram que, sem o núcleo histórico, haveria menos público. Ao contrário, tivemos o recorde de presença na história das Bienais: 670 mil pessoas. O núcleo histórico é importante, mas como vários museus já trabalham com isso, o foco da Bienal é o contemporâneo. Atualmente, nenhuma bienal do mundo tem núcleo histórico. Hoje, as bienais são a possibilidade de se projetar artistas contemporâneos para que eles sejam o núcleo histórico de amanhã.
Além disso, há o motivo financeiro: o custo de seguro, transporte etc para as obras históricas é um absurdo. Então, não se trata de continuidade da administração. Só não podemos abandonar as idéias fantásticas dos ex-presidentes. É uma tese vitoriosa e nós vamos dar seqüência a esse modelo.
Como sobrevive uma Fundação como a Bienal, que tem altos custos de manutenção? Que parcerias estão sendo formadas para manter a instituição?
Não temos uma parceria fixa. A Bienal acontece de dois em dois anos, e cada vez fechamos patrocínios com as empresas interessadas. Eu não gostaria de citar nomes porque todo mundo sabe que é uma gama muito grande de patrocinadores das 25 Bienais.
Acredito que seja honroso, para o patrocinador, dizer que patrocinou a Bienal. Mas tudo isso depende da época, do momento, da oportunidade. E sempre tivemos uma participação muito grande tanto do setor privado como do setor público. Os governos municipal, estadual e federal foram sempre grandes incentivadores da Bienal.
Na sua última edição, a Bienal teve uma certa dificuldade de fechar patrocínios. A que o senhor atribui isso?
Patrocínio é muito difícil sempre. Mas, quando se tem um bom produto, quando se trabalha bem, ele surge, como surgiu: a Bienal está fechando com superávit. Mas não é só isso. Nós tivemos muitos eventos importantes entre as Bienais, e os recursos não são infinitos.
Pedro Paulo Sena Madureira (vice-presidente): Tivemos boa e saudável concorrência de outros eventos importantíssimos, além dos eventos da Fundação Bienal, que merecidamente obtiveram bons patrocínio. No Rio de Janeiro, o Museu de Belas-Artes, o MAM. Há também outras iniciativas fora do eixo Rio-São Paulo, por exemplo a Bienal do Mercosul, importantíssima.
Manoel Pires: então esses foram os motivos. Mas assim mesmo, a Bienal fecha com superávit.
Grande parte do público da Bienal é de estudantes. Vocês têm um plano de política específica para esse público?
Nós tivemos uma participação das escolas de ensino médio de mais de 200 mil alunos. A grande presença das escolas é um fato que já vem acontecendo há muito tempo. Mas nesta última Bienal houve um trabalho muito bem estruturado, com condução, monitoria específica etc. A ajuda do governo foi fundamental.
Curriculum Vitae
Manoel Francisco Pires da Costa, formado em advocacia pela Faculdade Católica de Direito e Pós-graduado em administração de empresas pela FGV/SP, foi sócio-diretor e fundador do Banco e Corretora Patente em 1972.
O empresário foi também presidente da Bovespa e da BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros) e, até ser escolhido presidente da Bienal, atuava como conselheiro da instituição e também como diretor do Masp (Museu de Arte de São Paulo).
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