Brasil e Benin fazem acordo de cooperação cultural

O Brasil mudou a sua postura em relação à conservação e documentação do patrimônio cultural brasileiro, segundo reportagem do jornal Brasil Econômico publicada nesta quarta-feira (4/5).

Até pouco tempo atrás, o país dependia de ajuda externa para resgatar a sua própria história, mas agora o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), com o apoio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), está exportando o seu conhecimento.

A novidade será benéfica tanto para os países parceiros quanto para o próprio Brasil, que conhecerá mais a sua história e poderá gerenciar de perto os documentos e relíquias com traços da identidade brasileira. “Não queremos ser apenas receptores de cooperações. Temos capacidade técnica para sermos provedores de projetos de cooperação, por causa da nossa experiência acumulada”, afirma Marcelo Brito, assessor de relações internacionais do Iphan.

Segundo ele, esse novo posicionamento veio de um pedido do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva de aumentar a parceria entre países do Hemisfério Sul. “A prioridade é dada a países que têm culturas próximas às nossas”, acrescenta.

Este é o caso do Benim. Mesmo estando do outro lado do Atlântico e sendo pouco conhecido no Brasil, o país possui manifestações culturais e bens históricos que carregam traços da identidade brasileira. O famoso acarajé, que é uma comida tipicamente baiana, só se difere do prato feito no país do noroeste da África pela grafia, pois lá se chama “carajé”. Já o estilo barroco das igrejas mineiras acabou sendo incorporado pelas mesquitas do Benim.

Todas essas semelhanças se devem à antiga relação entre os dois países. Na época da escravidão, inúmeros beninenses vieram trabalhar nas minas de ouro e nas lavouras de café, e, quando a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, em 1888, libertando os escravos, eles voltaram para a sua terra natal. Mas as suas raízes culturais já tinham se misturado com as brasileiras.

Não é de se espantar, portanto, que os beninenses que viveram no Brasil passaram a ser chamados na África de brasileiros (ou agudais, no idioma local). É por isso que o Iphan fez uma parceria com o governo do Benim para, juntos, produzirem um inventário dos bens materiais – edifícios, igrejas, etc – e imateriais – manifestações culturais – relacionados aos agudais.

O projeto de cooperação consiste na transferência tecnológica e capacitação de funcionários do governo que serão responsáveis por toda a documentação do patrimônio. “É um projeto muito bonito, porque não é só um lado que está ganhando. Os dois vão conhecer melhor a sua história”, afirma.

Estão sendo investidos pelo governo brasileiro US$ 576 mil no projeto, informa Brito. A primeira missão brasileira viajou para a África no mês passado.

Durante a ida dos representantes do Ministério da Cultura e do presidente do Iphan, dez colaboradores do governo foram capacitados para, em seguida, servir como multiplicadores do conhecimento. “Eles foram selecionados para tal função.”

Além do Benim, o Iphan está estudando fazer um projeto de cooperação com o Cabo Verde.

*Com informações do jornal Brasil Econômico

Acessar o conteúdo