Brasil é número 1 em pirataria - Cultura e Mercado

Brasil é número 1 em pirataria

Pesquisa da Apdif identifica 14.300 sites brasileiros colaborando com a distribuição ilegal de músicas. No mundo, a indústria fonográfica deixa de ganhar US$ 3 milhões por dia devido à pirataria na InternetPor Sílvio Crespo

A Associação Protetora dos Direitos Intelectuais Fonográficos divulgou pesquisa apontando o Brasil como líder mundial em pirataria de músicas. De acordo com a entidade, 40% do mercado fonográfico brasileiro é de CDs falsificados. A Internet aparece como a principal fonte fomentadora de pirataria, com cerca de 14.300 sites facilitando a violação do direito autoral. A pesquisa revela uma queda, em relação ao ano passado, de 5% nas vendas de CD em todo o mundo. Com isso, as gravadoras perderam R$ 33,6 bilhões no ano.

Esses números mostram que a indústria fonográfica não tem conseguido se adaptar ao avanço tecnológico no setor. Algumas gravadoras tentam tirar proveito da tecnologia, mas evidentemente não têm conseguido oferecer mais vantagens do que os sites de distribuição gratuita.

Esforços das gravadoras
A Maverick Records e a Vivendi Universal, por exemplo, colocam músicas on line, em formato MP3, nos sites mantidos pela Universal Net USA (incluindo o MP3.com, o RollingStone.com, o GetMusic.com e o MP4.com). O internauta pode gravar o arquivo musical por US$ 0,99.

Há, também, a possibilidade de “montar na Internet o repertório de um CD e recebê-lo em casa em uma semana”, afirma o vice-presidente do site iMusica, Cláudio Campos, em notícia divulgada pela Reuters. O preço do CD fica entre R$ 20 e R$ 25, com a “vantagem” de se poder escolher o que será escrito na capa. Trata-se de uma parceria entre o iMúsica e a fabricante de CDs Microservice, em que as músicas disponíveis para a montagem do CD personalizado estão restritas ao conteúdo nacional das gravadoras parceiras: Abril Music, Trama e Indie Records.

Assinatura de sites
Uma terceira tentativa de atrair o consumidor para a compra legal de músicas é a assinatura de sites especializados em distribuição de músicas, caso dos norte-americanos MusicNet e PressPlay. O primeiro (www.musicnet.com) tem apenas um plano de assinatura, por US$ 9,95, que oferece, por mês, 100 streams (música tocada no site sem poder ser gravada para o computador) e 100 downloads temporários, em que as músicas expiram em 30 dias.

O PressPlay (www.pressplay.com) amplia um pouco o leque de vantagens: oferece quatro planos de assinatura, variando de US$ 9.95 a US$ 24,95. O download só expira quando a assinatura é cancelada e, dependendo do plano, pode-se baixar de 10 a 20 músicas por mês.

Uma desvantagem dos sites pagos é a pequena variedade de músicas que podem ser encontradas, limitadas ao repretório de suas gravadoras parceiras – Sony Music e Universal, no caso do PressPlay, e AOL Timer Warner, EMI, Bertelsmann (empresa da mídia alemâ que comprou a Napster) e a RealNetworks, parceiras do MusicNet.

Enquanto isso, o compartilhamento ilegal de músicas pela Internet, além de oferecer produtos gratuitos, coloca à disposição do internauta uma imensa variedade de canções, muito superior ao patrimônio das maiores gravadoras do mundo. Resta saber quando a indústria fonográfica apresentará uma arma à altura de se combater a pirataria.

Copyright 2002. Cultura e Mercado. Todos os direitos reservados.

Acessar o conteúdo