O setor de TV por assinatura brasileiro superou o México em número de assinantes e é hoje o maior mercado da América Latina, fechando o primeiro semestre com presença em 11,1 milhões de domicílios, segundo informou a ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura) nesta segunda-feira (1/8).
A TV por assinatura no Brasil registrou um crescimento de, em média, 19% ao ano desde 2006, e a associação do setor espera fechar 2011 com um total de 12,5 milhões de assinantes. Segundo o presidente da ABTA, Alexandre Annenberg, o crescimento expressivo visto pelo setor se deve ao maior poder aquisitivo da classe C, que até então não tinha meios para ter o serviço. Há também uma tendência no mercado para um aumento da concorrência, o que deve gerar preços e serviços mais competitivos, de acordo com o executivo.
Para a base de assinantes de TV paga, a ABTA projeta crescimento de 27,5% neste ano, somando um total de 12,5 milhões de usuários. Annenberg destacou que o Nordeste vem impulsionado o crescimento deste mercado, com alta em junho de 55% da base de assinantes em relação ao mesmo mês do ano passado, seguido do Norte (+42%), Centro-Oeste (+33%), Sudeste (+30%) e Sul (+25%).
O faturamento do setor foi de R$3,6 bilhões no segundo trimestre de 2011, e espera-se encerrar o ano com um total de R$14,6 bilhões, ante R$12,3 bilhões registrados ano passado. O faturamento bruto do mercado de TV por assinatura, que inclui receita com publicidade, deverá atingir R$ 14,6 bilhões este ano, o que significa um crescimento de 18,6% em comparação ao desempenho do ano passado.
O crescimento das operadoras DTH, que transmitem seu sinal por satélite, também contribuiu para o boom no mercado. Enquanto que as operadoras de TV a cabo têm cobertura limitada, devido à necessidade de infraestrutura física e de licença aprovada pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), o serviço por satélite não tem limitações, segundo Annenberg, e pode cobrir todo o território brasileiro. A tecnologia DTH hoje supera o serviço a cabo no Brasil, com 51% de participação de mercado em número de assinantes.
“O crescimento do DTH é um bom sinal, porque demonstra que a demanda por TV por assinatura está forte no Brasil inteiro. Há mais de 10 anos não temos outorgas de licenças de TV a cabo. E, com isso, o DTH encontra um terreno propício de crescimento”, afirmou Annenberg. Segundo dados Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a tecnologia DTH representa atualmente 51% da base de assinantes no País, a TV a cabo, 47%, e a via micro-ondas (MMDS), 3%.
Sobre a aprovação do PLC 116, que além de permitir a entrada das teles no mercado de TV a cabo, elimina restrições ao capital estrangeiro e impõe cotas de conteúdo nacional, Annenberg avaliou que a proposta “vai acabar sendo aprovada” pelo Congresso. “A entrada de novos ”players” é necessária, o quanto antes. Mas, sinceramente, não sei quando sai”, disse.
Banda larga – Já a base de assinantes de banda larga na tecnologia de cabo (cable modem) deve avançar 16,2% este ano em relação a 2010, somando 4,3 milhões de usuários, projeta a ABTA. Em junho, a tecnologia de cabo para banda larga estava presente em 258 municípios, com um total de 3,9 milhões de assinantes, enquanto o mesmo serviço prestado pelas empresas de telefonia fixa atingiu 5,5 mil municípios, com 9,3 milhões de assinantes.
Segundo ele, a TV a cabo será um dos parceiros do governo no Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). “As empresas de cabo serão importantes para a massificação da banda larga, que é um dos maiores desafios para os próximos anos. Agora, com a Copa do Mundo e as Olimpíadas, temos pouco tempo para implementar a infraestrutura de banda larga”, disse.
Annenberg informou ainda que a associação pretende implementar, ainda este ano, pesquisas sobre a percepção da qualidade dos serviços pelos consumidores. “Não será no curto prazo, mas isso poderá trazer uma autorregulamentação do setor. Ainda não temos total clareza de quais são as principais reclamações dos clientes.”
*Com informações do Estadão.com e da Tele Síntese