Capital da esperança - Cultura e Mercado

Capital da esperança

Globalização, cultura e terceiro setor são aparições freqüentes em nosso imaginário verbal. O que tudo isso que lemos, vivemos e temos em mãos pode fazer pela vida que a gente quer? É claro que a cultura é a única resposta possível. Mas qual é mesmo a pergunta?

Globalização, cultura e terceiro setor são aparições freqüentes em nosso imaginário verbal.

Permita-me então estender aqui três artigos, um a cada tema, que se seguirão nas edições do Cultura e Mercado não necessariamente naquela ordem.

Mais do que conceitos, conversas e notícias, o que precisamos no mundo de hoje para vivermos bem é de mais interpretação. Menos roteiro e mais ação.

O que tudo isso que lemos, vivemos e temos em mãos pode fazer pela vida que a gente quer? É claro que a cultura é a única resposta possível. Mas qual é mesmo a pergunta?

Enquanto o mundo parece ser mesmo esse caos inapreensível e incontornável, não podemos nos contentar com menos. A vida será sempre esse teatro que não tem ensaio.

Achar meios de provocar a consciência e articular a nossas formas de expressão, é o mínimo que podemos fazer.

A cultura é nossa língua. E não me refiro apenas à comunidade dos países de língua portuguesa, à qual pertencemos, mesmo porque nesse caso nos falta o poder de escolha. Pela língua da cultura falamos do que há por trás dos conteúdos, do que está por trás das codificações.

Os historiadores  ensinam que mudanças qualitativas na história dos estados nações resultam de um complexo conjunto de fatores. Correto. 

O que ninguém ainda teve a coragem de assumir e jogar todas fichas é dizer que esse conjunto de fatores determinantes deve ser tratado, exatamente, como um capital, o capital cultural. É este capital –e não o outro mais corriqueiro- que verdadeiramente permite o ingresso das nações em sucessivos patamares do desenvolvimento.

Senhores, o capital cultural é que faz o mundo girar. Para que ele exista é necessária a articulação. O que nos leva a concluir que o tatibitate da diversidade cultural é que faz aumentar o poderio da nação.

Não se pode pensar num projeto de desenvolvimento de longo prazo para um país sem dar prioridade à cultura. A cultura é o capital de que necessitamos para adquirir a vida e a afirmação social.

Óbvio que a cultura sozinha nada pode. Ela não é o fator isolado que turbina o crescimento, mas parece ser o próprio combustível de que todos os outros fatores se alimentam.

O motor da história, portanto, não está na economia apenas, ou na educação e na saúde, mas na interação destes fatores, o que nos leva à conclusão mais óbvia ainda de que o desenvolvimento só pode realmente ocorrer quando por trás está a cultura, que é o crochê formado por todos os setores da atividade humana.

A sedimentação do desenvolvimento social é dada pelos degraus da cultura, que se sobe um a um. Fora dessa escadaria, qualquer avanço não está livre de ser seguido de descidas maiores ainda e recuos imprevistos.

Assim como, graças a Unesco, a saúde não é definida mais como ausência de doença, mas sim como o estado geral de bem-estar; a cultura passa a ser o estado geral de acesso pleno a valores e conhecimentos. Não necessariamente a bagagem, mas o desfrute dela. Não o destino, mas onde se está. Daí aquela necessidade de mais interpretação, a partir da qual talvez possamos chegar ao mesmo tempo na pergunta e na resposta.

Porque hoje temos a consciência de poder afirmar que quando respiramos, quando trabalhamos, quando guerreamos ou amamos, todos os seres humanos produzimos cultura, mesmo quando esmagada ou interferida por outras – mais afetas aos donos dos meios de comunicação, mesmo quando o que fazemos não se transforma em objeto concreto ou em produto comercializável.

Ainda assim, dizemos, a cultura será sempre a alma do negócio e o capital da transformação.

Neste sentido, todo ponto final é início.

Px Silveira

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