Central Park, de Nova Iorque, deve proibir músicos e artistas de rua

Poucos instrumentos podem ser mais delicados do que a harpa, mas autoridades do Central Park de Nova York decidiram considerar músicos de rua, como a harpista Meta Epstein, 59, perturbadores da ordem pública, e pretendem retirá-los do parque.

Uma nova campanha para instaurar oito “zonas silenciosas”, sendo algumas delas localizadas nos mais tradicionais pontos para artistas de rua, estão transformando virtuosos como Epstein em fora-da-lei.

A harpista afirmou que a guarda do parque acusou-a de destruir a grama onde se sentava, e ordenou que mudasse de lugar. “Eles dizem que somos responsáveis pelos pontos onde a grama está danificada, mas nunca vi fazerem nada quando jogam futebol usando chuteiras nesses mesmos gramados. Foram um tanto desagradáveis, e não estou acostumada com intimidação policial. Estão acabando com nosso trabalho”.

Representantes do parque dizem não ter nada contra os músicos. Eles só não querem que eles fiquem nas “zonas silenciosas”, agora designadas com novas e brilhantes placas de cor branca e verde.

Vickie Karp, porta-voz do Central Park, informou que as zonas incluem as áreas da “Bethesda Fountain”, do Jardim Shakespeare e do “Strawberry Fields”, monumento erguido em homenagem ao lendário Beatle John Lennon, assassinado nas imediações do local. “Para cada manifestante que apoia a música ou o barulho sem limites, existem milhares de visitantes do parque que vem ao local procurando paz e silêncio. Parques estão entre os poucos lugares onde você pode ouvir os tranquilizadores sons da natureza: canções dos pássaros, água corrente, o vento nas folhas, conversações entre humanos”, afirmou Karp por e-mail.

Ela apontou que as performances musicais na “Bethesda Fountain” chegam a atrair centenas de pessoas, e em alguns finais de semanas o som reverbera através da lagoa até a área cuidadosamente preservada e de vegetação mais densa conhecida como “The Ramble”. “Não somos contra a música. Somos a favor do silêncio”, reforçou Karp.

Na última semana, os músicas de rua ganharam uma ajuda de alto calibre. Norman Siegel, um proeminente advogado dos direitos civis, aderiu à causa e pretende lutar para que os artistas não sejam punidos. Geoffrey Croft, fundador do “NYC Park Advocates”, que apoia e defende os parques da cidade, também entrou no barco, chamando o debate em questão de “absurdo”.

A repressão pareceu mistificar os turistas, dado que alguns vêm à “Bethesda Fountain” especificamente para ouvir, gratuitamente, os concertos improvisados. Zita Misley, turista e mãe de três, declarou ter notado a placa que indicava a “zona silenciosa”, mas sua interpretação foi um pouco diferente: “Ah, eu achei que eles as ‘zonas silenciosas’ eram para que possamos ouvir melhor as músicas!”.

*Com informações do Estadão.com

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