Cidade do Rio de Janeiro vira galeria a céu aberto

Quem circulou pela Enseada de Botafogo nos últimos dias reparou em Awilda, uma cabeça com 12 metros de altura, flutuante e coberta por tinta branca. Às vésperas da segunda edição da Art Rio, feira internacional que começa nesta quinta-feira (13/9) no Pier Mauá, outro grande evento movimenta a cidade: a OiR – Outras ideias para o Rio.

Além de Botafogo, participam do circuito os Arcos da Lapa, o Cais do Porto, o Parque Madureira, a Praia do Diabo e a Cinelândia. Concebido para acontecer de dois em dois anos até as Olimpíadas de 2016, o projeto de exposição em áreas abertas, uma das maiores mostras de arte pública já realizada no Brasil, tem curadoria de Marcello Dantas. A temática central da iniciativa é “O Meio” – em todas as possibilidades de ser transformado.

Para por a mão na massa, foram convidados seis artistas de diferentes nacionalidades com experiência de trabalho em zonas urbanas. São eles: os ingleses Andy Goldsworthy e Brian Eno, o espanhol Jaume Plensa, o americano Robert Morris, o japonês Ryoju Ikeda e Henrique Oliveira, único brasileiro escalado. Incitados a pensar o território do Rio, eles desembarcaram na cidade, nas etapas iniciais do projeto, com a tarefa de estruturar uma proposta poética específica e “flertar” com um cenário representativo.

“Eles chegaram a referências como ‘água’, ‘ícones arquitetônicos’ ou ‘espaços inusitados’, e a curadoria sugeriu os endereços da cidade ideais”, explica Dantas, considerado um dos grandes responsáveis por inovar o conceito de museologia no país. “Selecionamos nomes importantes no cenário de arte mundial, que estivessem acostumados a fazer intervenções em grandes escalas, trabalhassem em suportes diversos e que nunca tivessem exposto no Rio”.

A obra mais monumental do conjunto é certamente Awilda, a cabeça flutuante de Plensa, um dos mais conhecidos artistas de arte pública do mundo. A escultura, que brinca com a perspectiva de “quem vê” e de “onde se vê”, foi inteiramente desenvolvida no Brasil, assim como a plataforma especial para sustentá-la na praia de Botafogo. Já o veterano Morris constroi na Cinelândia, em frente à Câmara dos Vereadores, um labirinto de vidro triangular aberto para visitação gratuita.

Goldsworthy, por sua vez, cria um enorme domo de argila, penetrável, que causa estranhamento em quem observá-lo na parede do Centro Cultural da Ação da Cidadania, no Cais do Porto. Músico e artista plástico, Eno desenvolve um ousado sistema de projeção digital, mapeado exclusivamente para os Arcos da Lapa, o local mais movimentado da cena noturna da cidade. O inglês projeta nas paredes brancas do antigo aqueduto 77 milhões de pinturas virtuais.

Para a OiR, Oliveira, paulista de Ourinhos, ocupa um trecho do recém-inaugurado Parque Madureira com uma de suas grandiosas esculturas de madeira. Único oriental da lista, Ikeda  promove um espetáculo audiovisual na Praia do Diabo, no Arpoador, onde um sistema de projeção suspenso por uma torre de cerca de 15 metros de altura transforma as areias em uma grande tela.

Segundo Dantas, o principal desafio da manifestação artística realizada fora dos domínios dos museus e galerias é provocar. “A intervenção pública precisa agradar e desagradar as pessoas. Tem que despertar a reflexão tanto do espaço como da sociedade. A ideia da OiR é ser uma plataforma que traga novas ideias para a cidade, ressignificada a partir da arte”, observa o curador, que ainda lembra que, em 2014, novos artistas ocupam novos pontos da cidade.

Confira os endereços de todas as obras no site www.oir.art.br.

*Com informações do site da Secretaria de Estado da Cultura do Rio de Janeiro

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