Aconteceu na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, nesta quarta-feira (15/8), um debate sobre as dificuldades do cinema brasileiro, com três nomes importantes das produções nacionais: Beto Brant, Toni Venturi e André Klotzel.
De acordo com informações do jornal Folha de S. Paulo, Toni Venturi, que dirigiu “Cabra-Cega” e “Estamos Juntos”, comentou que as leis de incentivo criadas desde o início de 1990, assim como o surgimento da Ancine (Agência Nacional do Cinema) em 2001, tornaram o cinema mais profissional. Por outro lado, aumentaram a burocracia. “Além disso, o cineasta é visto com preconceito, como um perdulário, alguém que não tem competência para gerir o orçamento”, ressaltou. O diretor completou dizendo que os filmes nacionais têm pouco espaço nas telas do cinema e da televisão.
Respondendo ao próprio mediador, que no começo do debate fez um comentário relacionado ao fato de que os diretores brasileiros não freqüentam muito cinema, Klotzel brincou dizendo que vai muito. “Ontem mesmo vi o filme do Beto [“Eu Receberia…”]. Não é um bom filme, é um puta filme. O problema é que os filmes não acontecem. A gente fica preso numa barreira”, afirmou.
Diretor de longas premiados como “A Marvada Carne” (1987) e “Memórias Póstumas” (2001), ele também reclamou das dificuldades para produzir e lançar filmes: “Meu último trabalho, “Reflexões de um Liquidificador” (2010), foi uma batalha. Dois anos para captar o orçamento, um ano fazendo e um ano e tanto para conseguir levar ao público. E você só consegue estrear a duras penas.”
Brant comentou a influência literária dentro dos seus filmes, especialmente por conta da parceria com o escritor Marçal Aquino, seu amigo desde 1990. Ambos trabalharam juntos nos roteiros de “Os Matadores” (1997), “Ação Entre Amigos” (1998), “O Invasor” (2002) e “Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios” (2012). “A literatura me mostra um caminho, me incendeia”, disse.
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*Com informações da Folha de S. Paulo