Dos 27 longas-metragens contemplados pela nova edição do Programa Petrobrás Cultural, 16 são do Rio de Janeiro e 3 de São PauloOs projetos contemplados pelo Programa Petrobrás Cultural, cuja edição 2005/2006 teve os resultados anunciados na semana passada, provocou uma reação negativa nos cineastas paulistas. Dos 27 longa-metragens que serão patrocinados pela empresa, em um investimento total de R$19, 6 milhões, 16 são do Rio de Janeiro e 3 de São Paulo.
Os cineastas paulistas enviaram uma carta à empresa, onde afirmam, entre outras coisas, que o resultado “terá um efeito devastador, no nível de emprego e em todos os setores da atividade cinematográfica de nosso Estado, em 2007”. Conseguiram assim uma reunião com a Petrobrás, que será realizada hoje.
O grupo acusa a empresa de não seguir critérios de distribuição regional de recursos, como vem sendo praticado e pedido pelo Ministério da Cultura. Mas Eliane Costa, Gerente de Patrocínio Cultural da Petrobrás, afirma que a empresa nunca seguiu uma política de cotas regionais. “O que há é uma preocupação em conseguir uma participação mais expressiva, mas justamente fora do eixo Rio-São Paulo”, declarou ao jornal O Estado de S. Paulo. Ela ainda afirmou que o resultado foi um reflexo da grande participação do Rio de Janeiro nas inscrições de projetos de longa-metragem, representando 48% do total.
Os cineastas ainda argumentam que não havia ninguém de São Paulo na comissão julgadora, e apontam para algumas particularidades nos três projetos paulistas selecionados: “O Passado”, de Hector Babenco, será parcialmente rodado na Argentina; “Cidade dos Homens”, de Paulo Morelli, será filmado no Rio, com equipe local; e “Dores, Amores e Assemelhados” será dirigido por Ricardo Pinto e Silva, que tem empresa em São Paulo mas reside no Rio.
A Petrobrás ainda convidou três cineastas para receberem recursos, sendo que dois deles são cariocas, assim como os dois nomes homenageados na área de cinema e que receberão R$1 milhão cada: Luiz Carlos Barreto e Domingos de Oliveira.
Os investimentos da Petrobrás em cinema correspondem a cerca de 40% dos recursos aplicados na área em todo o Brasil, razão pela qual os resultados de seus editais são ansiosamente aguardados pelo setor cinematográfico.
A preocupação aumenta este ano pelo fato de os recursos para a área que virão do PAC (Programa de Ação Cultural) da Secretaria de Estado da Cultura serem modestos. O edital público para longas-metragens investirá um total de R$700.000, em oito projetos. E a recém-criada Lei Estadual de Incentivo à Cultura terá disponíveis R$600.000 para a área de audiovisual.