Cinema popular democratiza acesso à cultura no Rio

O sucesso da gestão de Gilberto Gil no Ministério da Cultura mostrou que, em um país ainda caracterizado pela desigualdade e pela exclusão, uma política de cultura contemporânea e transformadora deve priorizar programas consistentes de ampliação do grau de acesso da população à fruição e à produção de bens culturais.

Em outras palavras, a ação do poder público no campo da cultura tem que se pautar sobretudo pela democratização do acesso, de modo que mais e mais cidadãos, de todas as classes sociais e regiões, possam expandir seus repertórios simbólicos e dispor de meios para expressar e compartilhar valores, ideias e criações.

Nos últimos anos, esta foi também a marca da política de cultura da prefeitura do Rio. As Arenas Culturais da Pavuna e da Penha, o Parque de Madureira e as Naves do Conhecimento de Santa Cruz e Padre Miguel são exemplos de iniciativas que estimulam o acesso à cultura em áreas tradicionalmente esquecidas da cidade.
Outro exemplo significativo é o CineCarioca Nova Brasília, no Complexo do Alemão, o primeiro cinema 3D instalado em uma favela no Brasil. Como as melhores salas da Zona Sul e da Barra, tem elevado padrão de conforto e programação focada em lançamentos nacionais e estrangeiros. Com uma diferença: o ingresso custa R$ 4.

Criado pela prefeitura e operado por uma empresa privada de exibição, escolhida pela RioFilme mediante licitação, o CineCarioca Nova Brasília demonstra que é possível ampliar o acesso ao cinema no Brasil, desde que três obstáculos sejam superados: preço elevado, dificuldade de deslocamento e falta de informação e estímulo.

O CineCarioca Nova Brasília recebeu, no primeiro ano de funcionamento, cerca de 74 mil pessoas, com 47% de ocupação. Uma pesquisa independente realizada nos meses iniciais revelou que 91% do público jamais havia ido a um cinema antes. As escolas da região levam seus alunos para ver filmes e participar de oficinas de produção audiovisual.

Não por acaso, o CineCarioca Nova Brasília ganhou o mundo. Foi objeto de reportagens em revistas como Variety e Screen, especializadas na indústria audiovisual. Passou a ser disputado por mostras e festivais. Tornou-se ponto obrigatório de pré-estreias. Recebeu astros e estrelas como Anne Hathaway, Jesse Eisenberg e Eriberto Leão.

Acima de tudo, virou o grande emblema da pacificação do Complexo do Alemão. E da democratização do acesso à cultura no Rio. Trata-se de um projeto piloto, que será replicado. O próximo cinema popular está prestes a abrir: é o CineCarioca Méier, no antigo Imperator. E outros virão, tornando a experiência de ver e fazer cinema acessível a todos os cariocas.

*Publicado originalmente no jornal O Dia

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