A experiência do Festival de Dança de Joinville, o maior do mundo, que assegura patrocinadores um ano antes, oferece cursos para 2.000 pessoas e movimenta a economia do município
Com 55 anos, o relações públicas Ely Diniz, diretor executivo do Instituto Festival de Dança, tem em suas mãos a organização do maior festival do mundo, reconhecimento obtido em 2005 pelo Guiness Book. Anualmente em 11 dias, em julho, Joinville, cidade catarinense localizada a 180 quilômetros ao norte de Florianópolis, muda radicalmente o seu eixo para sediar o Festival de Dança que, em 2006, recebeu cerca de 4,5 mil bailarinos de 12 Estados brasileiros, integrantes dos 219 grupos participantes da mostra competitiva e dos palcos abertos, cinco companhias para a Mostra de Dança Contemporânea e duas como atrações principais, uma brasileira e outra internacional. Nos cursos, a oferta alcançou 1.930 vagas distribuídas entre 42 disciplinas ministradas por 31 professores. O evento, orçado em R$2,2 milhões, oferece 180 empregos diretos e cerca de 500 indiretos. O público estimado é de 200 mil pessoas, sendo 50 mil nos espetáculos do Centreventos Cau Hansen e no Teatro Juarez Machado.
Com experiência e serenidade, Ely transformou-se num ícone do evento que se prepara para comemorar 25 anos de existência em 2007, com a tranqüilidade antecipada de já ter assegurado os patrocionadores. A visibilidade e a credibilidade, segundo Diniz, é que asseguram esse conforto. Mas nem tudo é cor-de-rosa no trabalho de coordenação, há momentos em que dá para perder o sono, sobretudo com eventuais atrasos no repasse de verbas, que segundo ele, poderiam ser melhorados com ajustes nas lei de incentivo cultural.
O Festival de Dança de Joinville é uma iniciativa de sucesso. Como é que se constrói e consolida um evento deste porte?
Ely – Não existe uma receita, existe sim junção de determinados valores, pessoas, fatores. Muitas vezes já me perguntaram porque o festival é um sucesso. É na realidade uma soma de fatores que vem de pessoas. Joinville teve uma sorte imensa com as pessoas que começaram o projeto, que deram de si, num momento em que não havia praticamente nenhum festival de dança pelo Brasil. Hoje tem mais de 200. Houve uma conjunção de fatores favoráveis, como por exemplo, colocá-lo no meio de julho, que é um mês de férias. A cidade assimilou e aceitou, não se sabe muito bem porque, mas os moradores aceitaram, gostaram, apoiaram. As autoridades também, de uma forma ou de outra, por um motivo ou outro, sempre deram apoio. Acredito que é uma soma extremamente feliz de fatores, de junção de pessoas muito interessadas, de políticos que viram isso e de uma comunidade que abraçou. Não tem uma explicação maior.
Não tem um ponto que é fundamental neste processo, uma mudança estratégica?
Ely – A mudança estratégica foi no sentido de dar um pulo principalmente em termos de qualidade e aceitação da crítica. Até não muito tempo atrás a crítica especializada olhava para o festival de uma forma muito enviezada, porque há aquela velha discussão: até onde tem de se colocar, catalogar e pôr a dança em disputa, em concursos? É uma discussão que realmente vai longe, porque há festivais de cinema, de teatro, mostras e essa competição do homem é inerente ao ser humano, faz com que o homem avance. Agora, o festival ganhou o respeito da crítica e do mundo da dança quando ele colocou a mostra competitiva como um dos elementos deste guarda-chuva chamado Festival de Dança de Joinville, quando abrimos espaço digno e com público para a Mostra de Dança Contemporânea, para grupos com dificuldade para apresentar seus trabalhos, trazendo novas linguagens, novos trabalhos. Isso ocorreu a partir de 2000 com a criação do Instituto Festival de Dança.
Antes disso, há um outro aspecto, que é a criação das leis de incentivo à cultura, o que permitiu a internacionalização do evento. Como foi isso?
Ely – Quando foi criado o instituto, ficou acertado com o município – o verdadeiro dono do festival, a cidade é a dona – que o festival deveria andar com as próprias pernas. A prefeitura não iria mais colocar verba porque se entendia que o festival já tinha um nome, uma marca que dava condições de ir ao mercado buscar patrocínios, como ocorria com vários outros eventos artísticos. Então, desde 1999 nós não recebemos mais nenhuma verba do município, nada!
Você dirige o Instituto desde então?
Ely – Sou o diretor-executivo desde 99, porque sempre ficou acertado que o presidente da Fundação Cultural de Joinville (FCJ) é o presidente do Instituto. Só desta vez que não é, porque o Rodrigo Bornhold também é vice-prefeito, presidente da FCJ e ele disse ser cargo demais, então veio o José Francisco Payão. É extremamente importante essa ligação da fundação cultural com o Instituto para que ele tenha sempre esse caráter, que tenha uma gestão privatizada mas com um compromisso público. Não sou dono, nenhuma empresa e nunca ninguém será dono do festival. A partir da hora em que se separou, a FCJ deixou de ter a preocupação de colocar os seus funcionários para fazer isso. A classe artística da cidade cobrava que a Fundação ficava o tempo todo só pensando no festival e até o seu pouco orçamento ia quase todo para o evento. A mudança deu à FCJ a oportunidade de cuidar das outras atividades artísticas, deu condições para implementar uma experiência baseada naquilo que a gente faz normalmente em nossas empresas. Em 98, o festival custou R$2,9 mil, a prefeitura colocou perto de R$1,1 mil. A partir de 99, foi para R$1,5 mil mais ou menos, claro que cortamos não apenas gordura, eliminamos músculos até e quase serramos alguns ossos. Foi aquela coisa de Maquiavel, “vai fazer, já faz tudo de ruim de uma vez só”. A partir destes cortes totais caiu pela metade o orçamento. É aquele negócio, eu tinha um compromisso com o prefeito e não ia bater na porta para pedir dinheiro. Ah é? Então tá bom, então vai ser do tamanho do que nós temos em caixa. A partir daí buscamos qualificar e ampliar o evento, melhorar os cursos. Como é que era até então? Os grupos selecionados chegavam aqui e se inscreviam para os cursos. Hoje, em março, normalmente sai a lista de cursos, os professores e tudo é feito pela internet. Ao chegar, eles já sabem o que vão fazer e em que sala, nós sabemos quantos alunos temos. Em 2006, temos quase 2 mil vagas de cursos. Mais de mil alunos vêm – não só alunos, também professores, porque oferecemos cursos a eles -, só para fazer curso, assistir aos espetáculos e ficar aí, conhecendo as pessoas, revendo, virou um ponto de encontro para o mundo da dança. Enfim, algumas coisas fomos acertando e, antes de mais nada, já em 99, criamos um conselho. Eu e as pessoas da organização entendemos de fazer o evento, modéstia à parte a gente sabe fazer bem. Eu não entendo nada de dança, a gente conhece o assunto pelas pessoas que estão conosco, os críticos, os professores, mas não vivenciamos a dança. Então o que se faz quando não sabe? Juntam-se as pessoas que sabem! A idéia era ter um curador, mas acabamos criando um conselho curador que não é perpétuo. Ele muda, cada conselheiro tem dois anos de mandato. Anualmente saem dois, entram dois, dois continuam mais um ano. Dois sempre entram com idéias novas, oxigenados, trazendo informações. Dois já conhecem o festival para passar aos outros e dizem “não vem aqui querendo trocar tudo porque não é bem assim”.
Com todas essas mudanças, a crítica ficou mais tranquila…
Ely – Sem dúvida. Há pessoas que antes nem imaginavam vir ao festival, como Roberto Pereira, crítico de dança, Sílvia Soter, Eliana Caminada. Vários nem passavam perto e hoje eles vêm todos os anos, foram conselheiros, trouxeram sua contribuição. Tudo porque também ficou claro para nós que é preciso ter um foco. Qual é? É um evento didático, voltado para estudantes de dança, com obrigação de ter formação, os cursos devem ser bem feitos, ter qualidade, os professores devem ser bons e terem as condições adequadas. Pelo fato de ter o caráter didático, não podemos mais, como ocorria inicialmente, ter convidados, que só dançavam cinco ou dez minutinhos. Vinha a Ana Botafogo, dançava um pouquinho e ia embora. Isso não acrescenta nada. Esse é um dos nossos desafios: sempre trazer uma obra que acrescente algo. Temos de pensar o seguinte: quem vem para cá? O cara do Rio e São Paulo? Vem. Vem também do Mato Grosso, do Ceará, do Pará, da Ilha do Marajó, do Rio Grande do Norte…O cara ficou três dias dentro do ônibus para descer aqui e ficará mais três dias para voltar, ele tem de ter algum retorno, então assiste ao David Parsons e paga R$3,00. Se for a qualquer lugar do mundo, em São Paulo, se conseguir algum ingresso por menos de R$50,00, eu corto a minha mão (riso). Ele não vai conseguir! Ele vem a Joinville para pagar R$ 3,00! Tanto quem vem dançar quanto para fazer curso. Quando fala-se nos patrocinadores, no orçamento do festival é porque a bilheteria representa 10% do total, não mais que isso. Se a gente fosse querer cobrir as despesas com a bilheteria…seria uma maluquice.
A Petrobras neste ano apoia cinco projetos catarinenses selecionados por escolha direta. Precisa ter lobby para conseguir isso?
Ely – (risos) No nosso caso não precisou de lobby, mesmo porque em 98 ela já tinha entrado. A Petrobras é uma parceira de longa data, ela já está há 11 anos conosco.
Com relação à busca de patrocínios, é uma tarefa difícil. A quem cabe sensibilizar as empresas?
Ely – Eu e o diretor de produção, o Victor Aronis, que é também o diretor geral do Festival de Teatro de Curitiba. Em Joinville, ele é responsável pela produção de todos os espetáculos. Não temos ninguém na cidade que tenha conhecimento para tocar uma iniciativa deste tamanho, com tantos detalhes. Ele traz uma experiência, porque com sua empresa, exclusivamente só faz isso, eventos culturais e artísticos. Nós fazemos a captação, claro que com o apoio de um monte de gente, que ajuda a abrir portas.
Os patrocinadores também não se modificam muito de ano a ano, não?
Ely – A Salfer já está conosco há algum tempo, o Giassi Supermercados entrou em 2005 pequeno, como apoiador, e neste ano entrou entre os quatro patrocinadores principais. Eles nos procuraram.
É difícil convencer?
Ely – Neste ano não. O montante do projeto é R$2,2 mil, não tivemos nenhuma dificuldade para fechar, felizmente.
A que se atribuiu issso?
Ely – À credibilidade do evento, ao retorno de marketing que damos a todos os patrocinadores, que já sabem de antemão o que terão de contrapartida, eles acompanham tudo. O relatório encaminhado no final é detalhadíssimo, fotografia de outdoors, toda a centimetragem que saiu nos jornais. Eles sabem que o que estão colocando, seja diretamente ou seja por uma lei de incentivo, terá um retorno. Além disso, percebem que hoje aliar uma marca ao festival é algo extremamente positivo, não há nenhum aspecto negativo. A Vivo, que está conosco há dois anos, entrou no lugar da Tim, que passou a investir só em eventos próprios. A Vivo já estava na fila há um bom tempo. Saiu uma, entrou a outra. Não podemos passar de quatro patrocinadores, porque não consegueríamos dar a visibilidade esperada, caso contrário teríamos seis, sete patrocinadores, só que haveria um desgaste imenso e poderíamos no próximo ano não ter nem quatro, nem três. Temos um compromisso, ele é determinado, é um número x de patrocinadores principais, um número x de apoiadores. Todos sabem o que terão de retorno, cumprimos à risca o prometido. O que se coloca é fundamental, estamos falando com o pessoal de marketing das empresas, que vai para o relatório, não interessa se o dinheiro saiu do mecenato ou do caixa. Ele faz uma avaliação daquilo que foi prometido e quantificado. A credibilidade, a visiblidade e o retorno de divulgação são fundamentais.
Você é defensor do mecenato. Gostaria de falar sobre isso, porque a estruturação das atuais leis de incentivo criam dificuldades para quem está trabalhando no campo da cultura.
Ely – “Ah vocês são favoráveis porque já tem uma facilidade…”, dizem-nos e realmente é uma posição confortável. Quem vai começar um evento pela primeira vez enfrentará uma dificuldade imensa. Os patrocinadores, lógico, com possibilidade de investimento só vão naqueles que sabem, já conhecem e tem um histórico. Sou defensor, e já falei várias vezes, que teria de ter uma parte que é de mecenato, onde os eventos com representatividade, um histórico, possam também receber os benefícios, mas que tivesse alguma forma que viesse parte disso daí para que fossem investidos nestes eventos. Pela localização, pelo tipo, há eventos que podem ficar 20-30 anos que nunca terão visibilidade, um apelo de marketing. Tem evento que sempre será interessante, importante, mas nunca terá um apelo muito grande. Esses teriam que ter uma forma de compensação. O grande problema nos tais fundos é que se fica na mão de uma comissão que nunca sabe-se direito. As pessoas, mesmo em comissões e tudo mais, tendem a indicar aqueles que conhecem.
Para não ficar tudo cor-de-rosa com relação ao festival, creio que deve ter apuros, especialmente na questão de reposição de repasses.
Ely – Sem dúvida. No âmbito federal, usamos pouca verba, porque as empresas, ao que parece, têm uma capacidade de não ter lucro. Chega-se na empresa, “olha tem essa possibilidade, neste ano podemos captar R$1,8 mil do mecenato federal”. No final, vamos captar 350 no máximo!! Nenhuma empresa dá lucro (riso), não sei como todo mundo consegue sobreviver e crescer com prejuízo. Por outro lado, há a lei do mecenato estadual, tanto a cultural, a de turismo e a de esportes. A idéia é extremamente positiva, mas é preciso ter mudanças de alguns mecanismos que façam com que a burocracia seja menor. Por exemplo, faz-se uma captação, o certo, como era no mecenato federal, é ter um contrato com o governo, com o Estado que aprovou o seu projeto para receber diretamente. Você capta, no dia 10 depositou e você é o responsável para demonstrar o que fez com o dinheiro. Aí vai justamente dos julgamentos, de verificar os projetos, as pessoas envolvidas, tem de dar um voto de confiança para ver se tudo será comprovado. Se não, o Estado tem de agir em cima disso, faça tudo que deve ser feito, põe na Justiça. Agora, a grande dificuldade é fazer uma captação e há um t-e-m-p-o muito grande desse dinheiro entrar. Mais do que isso, porque enquanto ele não entra na sua conta, não se pode fazer absolutamente nada, não pode sair uma nota fiscal antes que o dinheiro efetivamente esteja lá. Às vezes ele entra e o evento já passou, então tem de ter um acerto com os seus fornecedores, depende de uma confiança. Você fala: “Vai entrar! Não sei quando”.
Esse é um dos maiores apuros?
Ely – Alguns dos apuros que a gente passa. Vejo tudo como um acerto deste processo. Sinto uma boa vontade, sincera, das pessoas envolvidas. Tem a Secretaria da Fazenda que está abrindo mão deste valor que entraria no caixa, que iria para as empresas, tem o pessoal da Secretaria que cuida da Fundação Catarinense de Cultura que procura colocar isso da melhor forma possível para que tenha um retorno efetivo de cultura para o Estado.
Com o governo do PMDB o festival ficou muito protegido, tanto é que quando o Conselho Estadual de Cultura (CEC) se reúne tem coisas mitológicas que são “imexíveis”? Isso é bem marcante no governo atual?
Ely – Sabe por quê? Antes o festival não recebia um tostão do governo do Estado, aliás o governador nem vinha.
Isso também tem a ver com o fato do governador Luiz Henrique da Silveira ser de Joinville?
Ely – Sem dúvida. Há dois fato, a de ser de Joinville e a de ele adorar dança e o festival. No meio da campanha eleitoral, ele liga duas ou três vezes por semana, com certeza absoluta, ou liga ou manda algum recado, que convidou não sei quem, que fulano vai estar aqui, que ele precisa de um camarote não sei pra quem. Todas as vezes que o conselho consultivo se renova eu o apresento ao prefeito, ao governador. Luiz Henrique invariavelmente quando encontra os de dança clássica fala sobre “Giselle”, “Copélia”, sobre isso e aquilo. As pessoas ficam encantadas, principalmente quem vem do RJ que tem Garotinho e Rosinha que nunca foram, segundo me falam, a uma apresentação do Teatro Municipal. Nenhum dos dois. Pô, eles falam, o governador aqui, quando não está em campanha, vem quase todas as noites. Quando era prefeito de Joinville, vinha t-o-d-a-s as noites, não faltava uma.
Dentro desta perspectiva a gente tem uma aproximação entre arte e política. As eleições são um tema que preocupa? O futuro do festival…
Ely – O festival está acima disto. Há governantes que se identificam mais com futebol, outros mais com construção de estradas ou não sei o quê. É um privilégio ter um governante que se identifica com cultura, com arte no nosso caso, e nossa sorte com dança, porque tudo o que ele mais gosta é dança. Independente disso, não me passa pela cabeça que entre um outro governante que deixe de dar ao festival o valor que ele merece, porque já é um evento que pertence ao Estado. Acho difícil ter alguma outra ação que coloque o Estado de uma forma tão positiva. Geralmente em termos nacionais somos divulgados porque tem seca, porque choveu, porque inundou. SC não sai muito na mídia nacional e o festival é um dos projetos que divulga o Estado de uma forma extremamente positiva.
Como é quantificado o retorno de mídia? Esses valores chegam a superar o montante do investimento?
Ely – Muito. Contratamos duas empresas em SP que fazem a medição do que sai na parte gráfica e na mídia eletrônica. No ano passado, por exemplo, tivemos dois minutos e meio no “Jornal Nacional” e na abertura de todos o blocos do “Fantástico”, 30-40 segundos com uma apresentação de um dos ganhadores do festival. Quanto custa em termos nacionais? No ano passado passou de R$7 milhões, comprovado. A parte só editorial, jornalística, sem contar os anúncios. Investimos nem 10% do orçamento em mídia. Como temos mídia espontânea cada vez maior, estamos colocando a marca, porque temos de dar o retorno ao patrocinador. O retorno de mídia em 2005 chegou perto de R$8 milhões, neste ano vai passar dos oito.
O que vc mais gosta do festival?
Ely – Difícil. Quase tudo. Eu gosto das pessoas, eu respeito o pessoal profundamente, porque eles são comprometidos com a dança de uma forma que eu não imaginava, eles são extremamente organizados, fazem tudo com uma paixão. Para viver de dança neste país, tem de ter muita paixão. Alguns dizem que não pode ser muito inteligente (risos). Tem de ensaiar, esse pessoal de clássico, é uma loucura, ensaia não sei quantas horas e vai e de repente torce o pé.
Néri Pedroso