Um recente estudo da London School of Economics comprova que compartilhar músicas pela internet não está afetando o rendimento dos autores e esta nova prática social não é inimiga dos criadores. A informação é do ex-diretor geral da Campus Party Brasil e colaborador do Radar Econômico (jornal O Estado de S. Paulo), Marcelo Branco.

Segundo o estudo, a condução negativa do debate proposto pela indústria fonográfica e pelas arrecadadoras, e a forma de proteção inadequada da propriedade intelectual nos tempos de internet, é o que tem causado danos à indústria criativa da música.

O estudo sugere também que uma nova legislação de direito autoral deveria estimular a prática dos internautas, e não reprimir. Outros fatores que estão influindo na queda do rendimento das gravadoras são o aumento do custo dos serviços básicos, da moradia e das taxas de desemprego e o crescimento do mercado dos games.

Por tudo isso está sobrando menos dinheiro para a compra dos CDs. O argumento de que quem compartilha música pela internet está “roubando” a propriedade das gravadoras, diminuindo seus rendimentos, também já foi desmentido em um estudo de 2007, publicado pelo Journal of Political Economy.

Segundo este estudo, a maioria das pessoas que baixam músicas pela rede não escutaria seus músicos prediletos se tivessem que comprar nos preços de hoje. Isso quer dizer que, baixar músicas pela Internet tem um efeito nas vendas que, estatisticamente, é praticamente zero.

Outra inverdade é que a prática social de baixarmos músicas pela internet vai deixar os autores sem alternativas de rendimento e sem estímulo para criar, já que a grande maioria dos artistas vive de apresentações ao vivo, dos seus shows. Quanto mais uma música é difundida pela internet e o artista é conhecido, mais shows e mais ingressos são vendidos.

Em 2009, no Reino Unido, por exemplo, as receitas por shows ao vivo ultrapassaram, pela primeira vez, o volume arrecadado por vendas de discos. A venda de discos movimentou 1,36 bilhão de libras, e os shows movimentaram 1,54 bilhão de libras.

*Com informações do Jornal da Tarde


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8Comentários

  • André, 8 de agosto de 2011 @ 19:32 Reply

    Na boa, vocês compraram mesmo o argumento deste texto?

  • Leonardo Brant, 8 de agosto de 2011 @ 19:42 Reply

    Eu não comprei o argumento. Mas muita gente compra e se diverte. Então precisamos dar espaço, sobretudo ao debate. Abs, LB

  • gil lopes, 8 de agosto de 2011 @ 23:59 Reply

    Basta ver o que acontece entre nós, que em resumo é o que interessa. A arrecadação de direitos míngua, os shows são explorados pelos artistas estrangeiros que são importados a preços de dólares subvalorizados, com a midia global apoiando. Não sobra nem direitos nem mercado de shows para o artista nacional. Ficamos com a limpeza e o porteiro, que tal? E mandamos recursos para fora do país. A debacle da indústria da música no Brasil teve esse efeito, simplesmente acabou ou tornou residual a música brasileira entre nós, justamente no mercado que era dominado pela música local.
    Diante do novo meio de circulação digital ficamos estatelados e liberamos a pirataria. Não temos nenhum projeto de recuperação para a música brasileira, aguardamos solenemente que venha de fora um solução que nos alcance e como isso não veio em 10 anos construímos ideologias vãs para justificar nosso mal feito, nossa apatia. Desmobilizamos um setor por inteiro e diminuímos a força cultural do país, ou seja, exportamos minérios e importamos tudo, essa é a receita, o resultado não tardará caso não mudemos de comportamento.

  • Álvaro Santi, 10 de agosto de 2011 @ 9:19 Reply

    Leonardo, a crítica do André me parece pertinente sobretudo porque a matéria não cita a fonte original, ou seja, não diz como se chama, quem escreveu ou onde podemos encontrar o tal “recente estudo da London School of Economics”. Resta buscar na rede o tal “estudo” anterior, publicado em 2007 pelo Journal of Political Economy.
    Fora essa falha, pode-se ainda supor que o fato de as receitas de shows terem ultrapassado as vendas de discos se deve mais à redução destas que ao aumento daquelas.
    E finalmente, sempre que escuto esse argumento (verdadeiro) de que “a grande maioria dos artistas vive de apresentações ao vivo”, fica faltando saber qual a proposta do sujeito para a gigantesca e imprescindível minoria (que inclui gente como Vinícius de Moraes, Aldyr Blanc, Cartola ou Radamés Gnattali) seguir ganhando a vida.

  • raul ellwanger, 10 de agosto de 2011 @ 19:12 Reply

    cade a pesquisa, a fonte, os dados ?

  • gil lopes, 11 de agosto de 2011 @ 3:13 Reply

    Se a maioria dos artistas viviam de shows ao vivo, hoje vivem muito mal…exceto os mais longevos cujo público acompanha ou por fidelidade ou curiosidade. Novos artistas não há no mercado com algumas raras exceções. Não há investimento e portanto é quase anacrônico economicamente.
    Quem explora o mercado de shows no Brasil são os artistas estrangeiros que chegam aqui sem competição, com custos turbinados e apoio da midia global. Não é por outro motivo que as receitas com os shows importados já supera em muito, quase o dobro da receita da indústria de CDs e DVDs no Brasil. O resto é pirataria e baixação, não temos propostas para a Nova Cultura, ara a geração de riquezas com a exploração da música, negócio onde o conteúdo nacional alcançou a liderança e hegemonia no mercado interno que já foi um dos 10 maiores do mundo. Já fazem 10 anos e a música nacional míngua cada vez mais. Vazio e desalento..e nada no horizonte, um desastre nacional.

  • Compositor, 11 de agosto de 2011 @ 13:03 Reply

    E quem é compositor, arranjador, faz o quê? E os estúdios?
    Tem todo um mercado que é sim, diretamente, influenciado pela pirataria.

  • Roberto Carvalho, 12 de agosto de 2011 @ 12:57 Reply

    Enquanto se discute o sexo dos anjos, uma medida extremamente positiva para o mercado fonográfico, fica esquecida, A retirada do ICMS para a comercializaçnao de produtos físicos, equiparando a música ao livro.
    Isto daria um novo alento à circulação da música gravada, e diminuiria o absurdo fiscal que privilegia as distribuidoras das fábricas de CDs e DVDs entrincheiradas nas benesses das isenções fiscais da Zona Franca de Manaus. Com isto os distribuidores independentes estão saindo do mercado, um a um, o a oferta de produtos fica cada vez mais concentrada.

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