Concretizando a Sociedade da Informação - Cultura e Mercado

Concretizando a Sociedade da Informação

O informativo eletrônico “Sete Pontos”, coordenado pelo Prof. Adilson Cabral, é fonte essencial para o debate sobre o direito à comunicação

Na Sociedade da Informação, o conhecimento desempenha um papel central, potencializado  pelo desenvolvimento da tecnologia digital, e induz a novas formas de organização da economia e da sociedade.

O Prof. Dr. Adilson Cabral, professor do curso de Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense, coordena o informativo eletrônico “Sete Pontos”, uma iniciativa de professores e estudantes universitários que visa concretizar a Sociedade do Conhecimento e o direito à comunicação, contribuindo com o debate sobre a disseminação e a apropriação das tecnologias de informação e comunicação pela sociedade.

CeM: Como surgiu a iniciativa do Sete Pontos?

AC: O SETE PONTOS surgiu da necessidade de um maior monitoramento dos debates em torno da participação da sociedade civil no processo de construção da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação, que pudesse ser capaz de efetivamente esclarecer e envolver atores de movimentos e organizações sociais e acadêmicas no debate. Duas preocupações nossas estão no desenvolvimento de matérias de maior fôlego que busquem esse esclarecimento e a participação aberta de professores, pesquisadores, ativistas e estudantes na publicação de textos nessa linha, o que não é tão fácil.

CeM: O que a concretização da Sociedade da Informação representaria para o setor cultural brasileiro?

AC: A capacidade de garantia de diversidade e pluralidade e o estímulo à produção nos mais variados canais de comunicação, envolvendo pessoas e grupos que se disponham a ser efetivamente sujeitos e não objetos desse processo.

CeM: Quais são as questões mais críticas, no Brasil atual, para o avanço na democratização da comunicação?

AC: Uma questão que considero fundamental, mas que é pouco abordada na pauta da sociedade civil, é o envolvimento na produção de conteúdos e aproveitamento de espaços já existentes, como telecentros comunitários e canais comunitários na TV a cabo, que estão hoje sub-aproveitados. Teríamos mais atores envolvidos nos debates sobre rádio e TV Digital e também mais experiência no debate sobre interatividade e indústrias culturais. Precisamos também promover a interface entre movimentos pela democratização da comunicação e da cultura, e ela se dá também em temas relacionados à produção de conteúdos e aproveitamento dos espaços

CeM: O setor cultural parece ainda não ter atentado devidamente para o fato de que a democratização da comunicação é um processo que afeta diretamente a cultura brasileira. Por que não se vê um maior engajamento desse setor nos debates sobre comunicação?

AC: Muito por conta de como se construiu o sistema de comunicação no Brasil, como se o monopólio e o oligopólio fossem coisas dadas, como se o acolhimento da grande mídia fosse um mérito, um prêmio que acaba proporcionando o enfraquecimento de movimentos como o do estímulo à produção de cinema nacional ou das questões do jabá e do direito autoral, que dizem respeito à indústria fonográfica.

CeM: A Convenção da UNESCO sobre Diversidade Cultural foi aprovada em outubro passado, mas até agora somente o Canadá a ratificou. Até que ponto esse documento pode realmente representar um avanço na luta pela proteção das culturas locais e que outras ações ainda precisam ser realizadas nesse aspecto?

AC: Os consensos precisam ser construídos no âmbito nacional e regional para serem assimilados em escala global. Essa perspectiva de multilateralismo precisa ser construída de baixo para cima, para que a Convenção seja conseqüência, e não causa dessa adesão.

CeM: O debate sobre a TV Digital tem destacado como as grandes emissoras de TV controlam a comunicação no Brasil. Quais as ferramentas práticas de que a sociedade civil dispõe para enfrentar essa hegemonia e fazer valer seus direitos à comunicação e ao conhecimento?

AC: Ações judiciais contra o monopólio e o oligopólio e redefinição do marco regulatório em relação à atualização das leis diante do cenário de convergência que já se estabelece. Criação de movimentos transversais e amplos, que contem com a adesão da academia, de parlamentares e até de setores empresariais.

CeM: Quais as chances reais de que a implantação da TV Digital no Brasil representer uma mudança para a comunicação no país?

AC: Todas e nenhuma, pois o cenário está aberto. Mesmo diante da definição do sistema a ser adotado, temos o debate sobre a regulação e o modelo de negócios que o efetivará. O que podemos esperar é fruto do que podemos fazer, no sentido de ter garantida a preocupação com a diversidade, a pluralidade e o apoio financeiro e técnico às iniciativas locais e comunitárias, garantindo espaços para sua veiculação. Estamos trabalhando na afirmação de propostas técnicas capazes de viabilizar essas demandas, dentro do processo que está sendo discutido.

www.comunicacao.pro.br/setepontos

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