Segundo a gerente de patrocínio cultural da Petrobras, as obras financiadas devem ser acessíveis ao público; ?a produção é totalmente livre e independente?, diz José Miguel WisnikPor Sílvio Crespo
Do Rio de Janeiro
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20/11/2003
A expressão ?contrapartida social?, que causou polêmica quando surgiu nos editais de patrocínio cultural das estatais Furnas e Eletrobrás, em abril, não está explícita no regulamento do Programa Petrobras Cultural, lançado ontem no Rio de Janeiro. A gerente de patrocínio cultural da empresa, Lorena Coelho, deixou claro que ?a cultura tem sim um valor em si?. No entanto, afirmou: ?a Petrobras e a BR são empresas estatais; entendemos que [no caso dos projetos culturais financiados por elas] a obra deve chegar ao público a um preço acessível?. Lorena manifestou ainda preferência por projetos que tenham ?um vínculo com a comunidade?. E acrescentou: ?Para a gente, isso não é polêmica, é uma realidade e a gente lida com isso com muita naturalidade?.
Dirigismo e independência
No final de abril, a exigência de contrapartida social foi criticada por cineastas e produtores, que a interpretaram como ?dirigismo cultural?. Na época, Eletrobrás e Furnas exigiam que os projetos culturais estivessem em sintonia com programas sociais do governo, como o Fome Zero.
?É consenso entre nós (organizadores do Petrobras Cultural) que a produção é totalmente livre, independente?, disse o compositor José Miguel Wisnik, em entrevista coletiva por ocasião do lançamento do Programa. Miguel Wisnik foi um dos consultores que ajudaram a pensar e desenvolver o Petrobras Cultural, ao lado do crítico de cinema José Carlos Avellar e da arquiteta Jurema Machado. ?Não há relação entre contrapartida social e conteúdo [dos projetos culturais]?, esclareceu o compositor.
Sílvio Crespo viajou ao Rio de Janeiro a convite da Petrobras.
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