Contudo, o PAC Cultural não prevê uma ação conjunta sequer com o Ministério das Comunicações. Toda a produção dos Pontos de Cultura precisa de pontos de difusão.
O programa Mais Cultura, lançado na última quinta-feira, em Brasília, despertou boas expectativas para os agentes culturais brasileiros, com as ações que vão expandir o alcance dos processos culturais por todo o país, principalmente nas regiões de população mais desfavorecida. Em avaliação feita pelo secretário-geral da Coalizão pela Diversidade Cultural, João Batista Pimentel, reportagem da Agência Brasil, pontua que o programa veio em boa hora.
“Vai acabar beneficiando várias regiões do país que há muito tempo estão necessitando de cuidado e um pouco mais de zelo por parte do governo federal”, disse. De acordo com o secretário-geral, o programa vem de forma a complementar várias ações que já vinham sendo desenvolvidas pelo Ministério da Cultura, como os Pontos de Cultura, a inclusão digital e audiovisual.
O presidente do Conselho Nacional de Cineclubes, Antônio Claudino, espera a posse dos recursos do Mais Cultura para poder atender às necessidades da demanda do movimento cineclubista, de levar o cinema para todos os cidadãos sem tela do país. “Estamos tratando de 92% da população, 92% das cidades brasileiras que não têm cinema e mesmo os cidadãos brasileiros que têm cinemas, confinados em shoppings, as periferias não têm acesso”, disse Antônio Claudino.
No Brasil há 600 Pontos de Cultura que promovem ações culturais para a cidadania. Segundo Chico Simões, integrante do Ponto de Cultura de Brasília, os grupos recebem apoio mensal do governo de cerca de R$ 5 mil, para fortalecer a estrutura e melhorar o atendimento à população brasileira. “Agora, os pontos de cultura têm um atendimento sistemático e permanente. Isso vai possibilitar avaliar essa política cultural ao longo do tempo e fazer as correções que a realidade vai exigindo”, avaliou Simões.
A empolgação que o Programa Mais Cultura, o PAC Cultural lançado no último dia 4 pelo presidente Lula, gerou nos setores artísticos parecem unânimes em afirmar que “o projeto é bom e é do tamanho que a cultura merece”. Arquitetado nas diretrizes de garantir acesso aos bens culturais, promover a diversidade cultural e social, qualificar o ambiente social das cidades e gerar oportunidades de emprego e renda. Renio Quintas, do Fórum Nacional dos Músicos, chega a afirmar que presenciou na última quinta-feira o início da revolução cultural brasileira.
“O Presidente da República abraçou a Cultura e disse em alto e bom som pra todos ouvirem que a Cultura Brasileira com sua força, diversidade riqueza e pujança é de responsabilidade do governo brasileiro… Foi emocionante assistir o (secretário de Identidade e Diversidade Cultural – Sérgio Mambertti gritando para uma (Sala) Villa Lobos lotada: Viva a
Cultura!”, conta o músico, que justifica a empolgação: “Cabe à sociedade cobrar o andamento e a realização”.
A dificuldade está na cobrança e na balança que pesa sobre o interesse privado que sempre ocupa o espaço público para existir. Mais Cultura nasce existindo, sem consenso sobre o que é desenvolvimento entre os ministérios, mas nasce com a compreensão que as conversações interministeriais são pontuais e fundamentais para a gestão de políticas culturais que sonhem as expressões da diversidade.
Com o Mais Cultura, os Pontos de Cultura tiveram seu conceito ampliado e integrado, colocando o Cultura Viva como uma ação da gestão da política, e trazendo os Pontos de Cultura para a centralidade da arquitetura cultural.
Contudo, o PAC Cultural não prevê sequer uma ação conjunta com o Ministério das Comunicações. Toda a produção dos Pontos de Cultura precisa de pontos de difusão. O MinC anuncia parceiras para viabilizar cineclubes, enquanto nenhuma parceria com o Ministério das Comunicações foi anunciada. Por quê? Porque o governo abre mão de fazer o que poderia ser a tal revolução cultural brasileira que o Rênio imaginou. Por enquanto, é o PAC da Cultura.
Os Editores