Crise econômica: a identidade cultural entre o perigo e a salvação


Quem havia pensado que estávamos fora do alcance de uma  nova crise financeira em escala global, é melhor colocar o chapéu de molho, pois ao que indica as  (grandes) e constantes manifestações populares na Grécia, ainda estamos sendo rondados  pela quebradeira bancária originária nos EUA, em 2008.

De maneira a entrar nos parâmetros estipulados pela União Européia para conseguir capital suficiente para suprir a demanda que a crise financeira gerou no país, o governo grego lançou recentemente um pacote econômico no qual, mais uma vez, os grandes pagadores da dívida bancária são os trabalhadores. Recheado com uma clara desestruturação das condições sociais e trabalhistas, o programa impõe, dentre outros, o congelamento dos salário, redução de grande parte de benefícios trabalhistas, até chegar ao aumento dos impostos.

Entretanto, quem acha que essa pode ser uma crise isolada, de um país que deseja usufruir das beneficies do bloco europeu – contudo com uma economia, talvez, não tão significativa para os interesses dos países que formam a U.E. A partir da crise na Grécia, surgiu rumores de que também países como Espanha, Itália e Portugal estariam em risco de enfrentarem uma nova onda de crise.

Como podemos observar a partir do histórico das crises que abalaram o sistema econômico mundial, os problemas trazidos com ela acabam por gerar diversos conflitos sociais, principalmente a partir da idéia do pertencimento a determinado grupo territorial ou local. Como exemplo podemos observar o crescimento, durante a crise de 2008, de um sentimento nacionalista e xenófobo (ao melhor estilo nazi-fascista), demonstrado a partir de constantes passeatas realizadas em países europeus contra a contratação de trabalhadores imigrantes (ou seja, aqueles que se vendem mais barato, devido sua condição, muitas vezes, de ilegais nos países) em detrimento a contratação de funcionários locais. Em outros momentos, obviamente de crises mais agudas, esse tipo de sentimento gerou até mesmo a aversão à imigrantes ou sentimento de superioridade racial. Ou seja, momentos de demonstração da única pureza do ser humano, a mediocridade. Principalmente quando o principal responsável por essa onda geradora de insatisfação e aversão ao imigrante acaba por ser os interesses do mercado econômico. Como?

A partir do momento que tais crises se configuram pela exploração constante do super lucro e consequentemente de uma superprodução, os responsáveis por essa super exploração é quem deveriam pagar, a saber, os banqueiros. A Grécia novamente se torna um clássico, principalmente quando podemos observar de que maneira o povo grego está respondendo ao ajuste econômico proposto pelo governo, no qual para pagar dívidas executadas por banqueiros, o couro grego passou a preço de banana no mercado interno, arrancado e leiloado pelo estado para dar sustentabilidade  ao mercado bancário.

Reforço meu apoio ao povo grego, que tem demonstrado que a cultura da exploração desenfreada pode mudar (por mais setoriais que sejam as reivindicações, já demonstra a insatisfação), ou pelo menos que o povo tem o direito e o dever de se manifestar contrário a qualquer forma de exploração, seja ela do mercado ou política. Com a incontestável riqueza histórica da cultura grega e sua influência no mundo inteiro, agora, talvez, seja a hora de mais uma vez aquele país apresentar novas possibilidades para a sociedade, agora em forma de manifestação em favor dos seus direitos e não permitir que o mercado e seus capangas acabem novamente impunes diante dos acontecimentos.

Infelizmente sabemos que mesmo com tais manifestações, por mais importantes e necessárias que sejam, não acabarão em nada. O governo grego irá aprovar o pacote e povo, mais uma vez, irá ficar com a conta, que promete ser cara. Nesse sentido, o constante debate sobre a importância ou não de uma identidade nacional acaba por gerar divergências no entendimento acerca do tema por diversos motivos.

Contudo, se os acontecimentos que ocorrem atualmente na Grécia se tornassem uma constante nos demais países do globo, será que poderíamos vislumbrar uma melhora social, econômica, política e cultural de maneira geral? Aí então poderíamos brindar à uma única identidade cultural mundial, que abarcaria a insatisfação com a falta de respeito pelo trabalhador; o sentimento de potência e de reivindicação, de fato, por uma melhora em todos as áreas hoje precarizadas e desestabilizadas por interesses políticos e mercadológicos. TIM! TIM!

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